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Líder do Mali afirma que situação está 'sob controle'

O líder militar do Mali, Assimi Goita, afirmou na terça-feira que a situação no país está “sob controle” após ataques coordenados de larga escala que atingiram posições estratégicas da junta. A declaração ocorreu em seu primeiro pronunciamento público em três dias, período em que sua ausência alimentou dúvidas sobre a estabilidade do regime militar. Os ataques, lançados no fim de semana por uma aliança inédita entre insurgentes jihadistas e grupos separatistas tuaregues, abalaram o norte do país e chegaram a áreas próximas à capital, Bamako. Pelo menos 23 pessoas morreram em dois dias de confrontos intensos, segundo fonte hospitalar citada pela AFP. Entre as vítimas está o ministro da Defesa, Sadio Camara, figura central na aproximação da junta com a Rússia.


(Foto: ALAIN JOCARD/AFP via Getty Images)
(Foto: ALAIN JOCARD/AFP via Getty Images)

Na televisão estatal, Goita declarou que “as medidas de segurança foram reforçadas” e que “operações de limpeza, esforços de busca, recolha de informações e medidas de segurança continuam”, enquanto pediu à população que se “levante contra a divisão e a fratura nacional”. O dirigente militar afirmou ainda que o país necessita de “clareza, não de pânico”, numa tentativa de conter a instabilidade política provocada pela ofensiva simultânea contra múltiplos pontos estratégicos.


As imagens divulgadas pelo gabinete de Goita mostraram o líder reunido com soldados e civis feridos, além do embaixador russo Igor Gromyko, que “reafirmou o compromisso de seu país em apoiar o Mali na luta contra o terrorismo”, segundo comunicado oficial. A presença diplomática russa reforça a dependência da junta em relação a Moscou, que há anos amplia sua influência militar na região do Sahel sob a justificativa de combate ao terrorismo, frequentemente por meio de estruturas paramilitares como o Afrika Korps e, anteriormente, o Grupo Wagner.


A ofensiva do fim de semana foi descrita como a mais ampla em quase 15 anos e marcou a convergência tática entre a Frente de Libertação de Azawad (FLA), de orientação separatista tuaregue, e o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda. Apesar de objetivos políticos distintos, ambas as forças atuaram contra o exército malinês e seus aliados estrangeiros, explorando fragilidades acumuladas após anos de militarização do conflito e intervenções externas no Sahel.


Os combates incluíram ataques coordenados a posições da junta ao redor de Bamako e em áreas do norte, incluindo Kidal, cidade estratégica no deserto do Sahel. O Ministério da Defesa da Rússia havia informado que os insurgentes estavam “se reagrupando”, enquanto admitia indiretamente a retirada de mercenários do Afrika Korps de Kidal, após a retomada do território pelo exército malinês em novembro de 2023, numa operação apoiada por forças russas que sucederam o Grupo Wagner na região.


Em Gao, segundo maior reduto militar do país, fontes locais relataram retirada de posições pelo exército, em meio ao avanço das tensões. A região, historicamente instável, voltou a concentrar preocupação após os ataques alcançarem também Kati, cidade-guarnição próxima a Bamako que abriga altos oficiais da junta e foi alvo direto da ofensiva.


Na mesma semana, o JNIM divulgou um vídeo anunciando bloqueio de “todas as estradas de acesso a Bamako”. O grupo afirmou, por meio de sua estrutura de comunicação, que civis poderiam sair da capital, mas a entrada estaria proibida “até novo aviso”. A mensagem também advertiu que violações ao bloqueio sofreriam “as consequências”, elevando o nível de pressão sobre o centro político do país.


As operações contra a capital foram interpretadas por observadores locais como possível manobra de distração para consolidar ganhos territoriais no norte, especialmente em torno de Kidal, antiga fortaleza tuaregue que já havia sido controlada por rebeldes antes de ser retomada em 2023. O histórico da região remonta à crise de 2012, quando uma aliança temporária entre jihadistas e separatistas tuaregues tomou o norte malinês antes de uma ruptura interna que levou ao domínio jihadista sobre parte do território.


Naquele período, a fragmentação do conflito foi amplificada pela intervenção militar estrangeira e pela reconfiguração de alianças locais, cenário que se repete agora sob novas formas, com a junta militar dependente de apoio russo e enfrentando uma insurgência que combina agendas locais e redes jihadistas transnacionais.

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