O que está por trás da disputa entre Musk e Altman que pode mudar as regras da IA global
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- 29 de abr.
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O empresário Elon Musk depôs em 28 de abril de 2026 no Tribunal Distrital Federal de Oakland, Califórnia, em um processo que enfrenta diretamente Sam Altman e a OpenAI. A ação judicial, aberta em 2024, acusa a empresa e seus dirigentes de desviarem sua missão original sem fins lucrativos para um modelo voltado ao lucro. Musk também inclui a Microsoft no processo, apontando sua influência financeira e estratégica sobre a OpenAI. O julgamento, conduzido por um júri de nove pessoas, deve durar cerca de três semanas. O caso expõe disputas internas de poder no setor de inteligência artificial, hoje dominado por grandes conglomerados tecnológicos.

O depoimento de Musk marcou o início de um embate jurídico que revela as engrenagens de uma indústria cada vez mais centralizada e orientada por interesses corporativos. Segundo a Associated Press, o empresário afirmou que a questão central do processo é simples: “não é aceitável roubar uma instituição de caridade”. A acusação sustenta que Sam Altman e Greg Brockman, com apoio da Microsoft, teriam transformado a OpenAI em uma estrutura voltada ao lucro, contrariando sua fundação em 2015 como organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento seguro e aberto da inteligência artificial.
Durante a abertura do julgamento, o advogado de Musk, Steven Molo, citou a missão original da OpenAI, que prometia beneficiar a humanidade sem subordinação a interesses financeiros. Ele afirmou que a empresa foi convertida em uma operação avaliada em US$ 852 bilhões, acusando seus dirigentes de traição, fraude e ambição desmedida. Molo também destacou que a Microsoft investiu inicialmente US$ 2 bilhões na OpenAI e, posteriormente, ampliou seu controle por meio de acordos de licenciamento que lhe garantem acesso à propriedade intelectual da empresa.
A defesa da OpenAI rejeitou as acusações e caracterizou o processo como uma reação de Musk ao crescimento acelerado da companhia. O advogado William Savitt declarou ao júri que “estamos aqui porque o Sr. Musk não conseguiu o que queria com a OpenAI”. Segundo Savitt, Musk tentou assumir o controle da organização e transformá-la em uma empresa lucrativa sob sua liderança, chegando a propor uma fusão com a Tesla e a obtenção de participação majoritária superior a 50%.
O histórico apresentado no tribunal revela que, já em 2017, dois anos após sua fundação, a OpenAI enfrentava dificuldades financeiras e discutia a criação de uma estrutura híbrida com fins lucrativos para sustentar suas operações. A defesa de Musk argumenta que essa mudança deveria permanecer subordinada à missão original, com limites claros de lucro para investidores. “Não há problema em uma organização sem fins lucrativos ter uma subsidiária lucrativa, desde que avance sua missão”, afirmou Molo.
O ponto de ruptura, segundo a acusação, ocorreu em 2022, quando a OpenAI firmou um acordo estratégico com a Microsoft que alterou profundamente sua estrutura e objetivos. Musk sustenta que esse acordo violou compromissos fundamentais assumidos não apenas com ele, mas com o público global, ao abandonar o modelo de código aberto e priorizar ganhos financeiros e controle corporativo.
Durante seu depoimento, Musk também abordou sua trajetória pessoal e visão sobre o futuro da inteligência artificial. Ele relatou sua mudança da África do Sul para o Canadá aos 17 anos, seguida de sua ida aos Estados Unidos, onde fundou empresas como SpaceX, Tesla, Neuralink e The Boring Company. Questionado sobre sua rotina, afirmou trabalhar entre 80 e 100 horas semanais, sem férias ou propriedades de lazer.
No campo tecnológico, Musk declarou esperar que a inteligência artificial supere a capacidade humana já em 2027. Ele comparou o desenvolvimento da tecnologia ao crescimento de uma criança extremamente inteligente, afirmando que, uma vez amadurecida, “você não pode controlá-la”, restando apenas a possibilidade de incutir valores como honestidade e integridade.
O empresário também relatou que a criação da OpenAI foi influenciada por discussões com Larry Page, cofundador do Google, que o teria acusado de “especista” por priorizar a sobrevivência humana sobre a inteligência artificial. Segundo Musk, à época, o Google concentrava recursos financeiros, infraestrutura e talentos, sem qualquer contraponto significativo no setor.
A aliança inicial entre Musk e Altman, formada em 2015, baseava-se na proposta de desenvolver inteligência artificial de forma mais segura e responsável do que empresas orientadas exclusivamente pelo lucro. No entanto, essa convergência rapidamente se desfez diante de disputas estratégicas e interesses divergentes sobre controle e financiamento.
O julgamento deve prosseguir com o depoimento de Musk no dia 29 de abril de 2026. Também são esperados testemunhos de Sam Altman e do CEO da Microsoft, Satya Nadella, figuras centrais na expansão da OpenAI e no lançamento do ChatGPT em 2022, ferramenta que impulsionou o atual boom da inteligência artificial e contribuiu para a valorização recorde do setor tecnológico.
A participação de Altman no tribunal coincidiu com sua ausência em um evento da Amazon em São Francisco, onde a OpenAI anunciou uma parceria ampliada com a empresa. Em mensagem de vídeo enviada aos participantes, Altman declarou: “Gostaria muito de estar aí com vocês pessoalmente hoje. Minha agenda foi interrompida hoje.”



































