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Mamdani contesta evento em Nova York que promove venda de imóveis em territórios palestinos ocupados

Uma feira imobiliária voltada à venda de propriedades em Israel e na Cisjordânia ocupada realizou um evento na Sinagoga Park East, em Manhattan, na terça-feira, 5 de maio, provocando protestos e críticas do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O evento, promovido pelo grupo Home in Israel, incluiu a divulgação de imóveis em assentamentos israelenses considerados ilegais pelo direito internacional, em meio ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina. A presença de empresas que comercializam propriedades em colônias israelenses reacendeu denúncias de limpeza étnica, discriminação religiosa e cumplicidade institucional estadunidense com a expansão territorial israelense na Cisjordânia ocupada.


Zohran Mamdani | BLOOMBERG
Zohran Mamdani | BLOOMBERG

O chamado “Grande Evento Imobiliário Israelense” ocorreu na Sinagoga Park East, no Upper East Side de Manhattan, reunindo empresas imobiliárias que oferecem suporte a compradores dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido interessados em migrar para Israel e adquirir propriedades em territórios sob ocupação militar israelense. O material promocional do evento afirmava auxiliar compradores em questões tributárias, educacionais e burocráticas ligadas à mudança para Israel.


Horas antes da abertura da feira, o prefeito Zohran Mamdani divulgou uma manifestação pública contra a realização do evento. Em declaração enviada ao The Intercept por seu porta-voz, Sam Raskin, a prefeitura afirmou que o governo municipal se opõe “veementemente” à exposição devido à promoção de terrenos em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.


“O prefeito Mamdani se opõe veementemente à exposição imobiliária desta noite, que inclui a promoção da venda de terrenos em assentamentos na Cisjordânia ocupada”, declarou Raskin. “Esses assentamentos são ilegais segundo o direito internacional e estão profundamente ligados ao deslocamento contínuo de palestinos.”

O site oficial do evento fazia referência direta à região de Gush Etzion, bloco de aproximadamente 20 assentamentos israelenses ao sul de Jerusalém, instalado em território palestino ocupado após 1967. Segundo resoluções das Nações Unidas e pareceres da Corte Internacional de Justiça, a transferência de população israelense para territórios ocupados viola a Quarta Convenção de Genebra.


Lara Friedman, presidente da Foundation for Middle East Peace, afirmou ao The Intercept que a presença de Gush Etzion no material da feira revela a estratégia política do movimento colonial israelense de apagar qualquer distinção entre Israel reconhecido internacionalmente e os territórios ocupados da Cisjordânia.


“Gush Etzion é o termo israelense para uma área da Cisjordânia localizada ao sul de Jerusalém, onde, segundo o direito internacional, toda construção israelense e todas as comunidades israelenses são consideradas ilegais”, afirmou Friedman. “O movimento pró-assentamentos ao redor do mundo, e a maioria dos israelenses, não fazem distinção entre Israel e a Cisjordânia. A ideia é que tudo isso é Eretz Yisrael e pertence aos judeus porque Deus a deu a eles.”

Repórteres do The Intercept presentes na feira registraram mais de uma dúzia de estandes de incorporadoras e corretoras imobiliárias. Parte das empresas promovia empreendimentos de luxo em Tel Aviv, Netanya e outras cidades localizadas dentro das fronteiras reconhecidas internacionalmente de Israel. Pelo menos uma companhia, a Harey Zahav, expôs mapas e folhetos de propriedades localizadas em assentamentos israelenses na Cisjordânia, incluindo Kfar Eldad e Karnei Shomron.


Na entrada da sinagoga, um cartaz afirmava que o evento tinha caráter “apenas informativo”. Ainda assim, os materiais distribuídos apresentavam detalhes comerciais sobre imóveis, condições de compra e localização dos empreendimentos nos assentamentos.


Nos últimos anos, eventos semelhantes ocorreram em Nova York, Baltimore, Montreal e outras cidades da América do Norte, muitos deles organizados em sinagogas e centros comunitários judaicos. Organizações palestinas e grupos de direitos civis denunciaram repetidamente que essas feiras operam como mecanismos de financiamento privado da colonização israelense da Cisjordânia ocupada.


Em 2024, uma feira imobiliária realizada em subúrbios de Nova Jersey gerou denúncias de discriminação religiosa. Manifestantes afirmaram que participantes foram questionados sobre afiliações religiosas durante o processo de inscrição, prática que pode violar leis antidiscriminatórias estaduais. A Divisão de Direitos Civis de Nova Jersey iniciou questionamentos a corretores de imóveis envolvidos na organização do evento, segundo o The Intercept.


O grupo pró-Palestina Pal-Awda convocou protestos em frente à Sinagoga Park East na terça-feira. Em publicação nas redes sociais, a organização declarou: “Não ficaremos em silêncio enquanto a limpeza étnica estiver sendo ativamente promovida em nossos bairros.”


Em resposta, apoiadores declarados da sinagoga divulgaram panfletos convocando um contraprotesto. “Todos os membros da comunidade judaica precisam sair às ruas e proteger a sinagoga”, dizia o material distribuído online. Embora o panfleto incluísse perfis oficiais da Sinagoga Park East nas redes sociais, não havia confirmação de participação formal da instituição religiosa. Um porta-voz da sinagoga recusou comentar o caso.


A tensão em torno da feira ocorreu poucos meses após outro protesto organizado pela Pal-Awda no mesmo local. Em novembro de 2025, o grupo realizou manifestações contra um evento promovido pela Nefesh B’Nefesh, organização dedicada a facilitar a migração de judeus para Israel, incluindo assentamentos na Cisjordânia ocupada. O protesto gerou reações do então prefeito Eric Adams e de outros políticos nova-iorquinos alinhados à política externa estadunidense de apoio irrestrito a Israel.


As manifestações relacionadas ao genocídio palestino e à expansão dos assentamentos israelenses impulsionaram projetos de lei no Conselho Municipal de Nova York voltados à restrição de protestos em torno de locais religiosos e universidades. Um dos projetos previa zonas de segurança para afastar manifestantes de locais de culto.


Após críticas de organizações de defesa da liberdade de expressão, a versão aprovada em março retirou a criação automática dessas zonas de exclusão, mas determinou que o Departamento de Polícia de Nova York apresente planos operacionais para proteger instituições religiosas. A legislação entrou em vigor em 25 de abril depois que Mamdani decidiu não sancionar nem vetar o texto.


A lei concedeu 45 dias para que a polícia apresente um plano preliminar e 90 dias para a entrega de um plano definitivo. Outro projeto relacionado, que criava zonas de amortecimento em universidades e instituições educacionais, foi vetado por Mamdani sob a justificativa de que representava ameaça à liberdade de expressão e ampliava poderes de repressão política em meio às mobilizações contra o genocídio palestino.

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