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Motosserra neoliberal de Milei elimina mais de 63 mil empregos públicos e desmonta o Estado argentino

O governo do presidente argentino Javier Milei demitiu 63.234 funcionários do setor público entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, no marco de um ajuste neoliberal sem precedentes recentes. Os dados constam em relatório do Centro de Economia Política Argentina (CEPA), divulgado em 2 de fevereiro de 2026. Em apenas 24 meses, o emprego público nacional encolheu 18,4%, resultado de demissões em massa, não renovação de contratos e reestruturações administrativas.


Javier Milei
Javier Milei

Segundo o CEPA, os cortes se concentraram principalmente em áreas estratégicas da administração pública. As agências descentralizadas — responsáveis por serviços regulatórios, políticas sociais e funções técnicas essenciais — registraram 20.537 demissões, o que representa uma redução de 15% do quadro total. Já a administração central do Poder Executivo nacional eliminou 16.918 postos de trabalho, um recuo ainda mais drástico, equivalente a 30,2% de seus funcionários. Os escritórios do governo central espalhados pelas províncias também foram atingidos, com a perda de 3.199 empregos, ou 12,8% do total.



O diretor do CEPA, Hernán Letcher, confirmou os números a uma agência de notícias internacional e classificou o processo como excepcional pela sua magnitude histórica. “Desde que Milei assumiu o cargo, estamos falando de mais de 60.000 empregos no setor público perdidos”, afirmou o economista. De acordo com o relatório, trata-se de um dos maiores cortes de pessoal estatal das últimas décadas na Argentina.


As demissões integram o núcleo do programa econômico do Executivo, baseado na redução radical dos gastos públicos, no encolhimento deliberado do Estado e na liberalização acelerada da economia. Essa agenda está alinhada às exigências tradicionais de organismos financeiros internacionais, que condicionam crédito e estabilidade macroeconômica à adoção de políticas de austeridade, independentemente de seus efeitos sociais e estruturais. Na prática, o ajuste transfere o custo da crise para trabalhadores e usuários de serviços públicos, enquanto preserva interesses financeiros e grandes grupos econômicos.


O impacto já se faz sentir na capacidade operacional do Estado argentino. Áreas como saúde, educação, ciência, infraestrutura e políticas sociais enfrentam sobrecarga, descontinuidade de programas e perda de quadros técnicos especializados. Em um contexto marcado pela queda do poder de compra, aumento do desemprego e crescimento da pobreza, o desmonte do setor público aprofunda a vulnerabilidade social e reduz os instrumentos estatais de resposta à crise.

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