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O genocídio esquecido: o massacre israelense que segue assassinando toda forma de vida palestina

Crianças mutiladas. Explodidas a ponto de serem recolhidas aos pedaços. Fragmentos de pessoas assassinadas por bombas das forças nazisionistas do Estado inventado de “israel”, patrocinado e financiado por aliados europeus sob a batuta do decadente imperialismo estadunidense. Imagens que chocam o mundo quando vencem a censura das big techs e são mostradas pelas redes sociais e pela mídia independente, uma vez que a mídia corporativa, financiada e vendida aos interesses nazisionistas, trata “israel” como vítima que se defende dos “vilões árabes e primitivos”.

Mas não são apenas os palestinos que são “desumanizados”. Pouco se viu – e se vê – sobre o sofrimento imposto também aos animais que ali vivem e sobrevivem. A mídia tradicional não dedicou um minuto sequer a falar dos animais mortos e moribundos na Palestina. As próprias redes sociais de apoiadores e gente solidária à Palestina, em sua grande maioria, denunciou e segue denunciando apenas os efeitos do atual genocídio contra os humanos. Raras são as postagens e atenção dadas aos animais não-humanos.

Podemos pensar em muitos argumentos para tentar explicar isso, mas impreterivelmente, tudo converge para o especismo: discriminação baseada na espécie, caracterizada pela atribuição de valor moral inferior a animais não humanos, justificando sua exploração para benefício humano. Ao mesmo tempo, pudemos ver um povo palestino não apenas guerreiro e resiliente, mas verdadeiramente solidário, que mesmo com o mínimo – e muitas vezes insuficiente quantidade – de alimentos e água que conseguem, partilham com seus irmãos não-humanos. Particularmente, já considero especismo quando nos referimos à nossa espécie como “humana”, tratando-nos com arrogância e uma pseudo-superioridade perante as demais espécies.


@alarabiya
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Decorridos quase dois anos e meio do atual massacre israelense – que segue assassinando toda forma de vida palestina mesmo sob um (falso) cessar-fogo – já contabilizou mais de 72.000 vidas humanas, além das mais de 9.500 pessoas que seguem desaparecidas debaixo de escombros e enterradas de forma clandestina pelos covardes soldados nazisionistas. E quando quantificamos os feridos e/ou mutilados, são mais de 171.000. Os palestinos que resistiram e foram deslocados, hoje (sobre)vivem em tendas precárias, sofrendo com as intempéries climáticas e o bloqueio criminoso e desumano de “israel”. Esses números são ainda maiores quando paramos para pensar nos demais seres vivos.

Quantas pessoas viram os soldados do regime racista e de apartheid atirando em cavalos que ajudavam no transporte de corpos palestinos, enquanto gargalhavam a cada tiro que matava lentamente esses seres? Quantos viram gatos, cachorros explodidos ou agonizando de dor, dando os últimos suspiros? Seres que, dotados de senciência, sucumbiam à dor, à fome, à sede que “israel” lhes causa, tal como com os humanos.

Ainda que condenável esse tipo de exploração, quem se sensibilizou com os animais escravizados no zoológico de Gaza, presos em seus cativeiros, assassinados por bombas e pela fome? Ou ainda quando colonos israelenses invadiram – e seguem fazendo – propriedades rurais na Cisjordânia ocupada e assassinam cabras, ovelhas, vacas desses palestinos agricultores?

@alarabiya
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A contradição entre a sensibilização seletiva mostra a necessidade de expandirmos a luta da causa animal (não-humano). Ainda que alguns tenham se preocupado e visto as atrocidades que “israel” cometeu também contra esses seres, temos que lembrar que esse genocídio de seres sencientes seguem acontecendo diariamente...no mundo todo.

No Brasil, por exemplo, são assassinados massivamente por ano, mais de 39 milhões de gados (correspondendo a 1,3 mortes/segundo). Analisando a morte de suínos, são 58 milhões/ano (ou, 2 mortes/segundo). Em relação aos frangos, os números são mais impressionantes:  6,5 bilhões de assassinatos/ano (208 mortes/segundo).1 

Corroborando como genocídio oculto dos animais, ainda deve-se considerar que no Brasil são mais de 20 milhões de cães lutando pela sobrevivência e vagando pelas ruas (o que corresponde a 25% da população canina do país) e outros 10 milhões de gatos (26% da população felina do país)2, sem a garantia de qualquer direito mínimo, sofrendo com a fome, sede, tendo a saúde afetada e invisíveis aos olhos do poder público que pouco faz, mesmo que exista uma Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada em 15 de outubro de 1978 na sede da UNESCO, que em teoria garante que todos os animais têm direito ao respeito, à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Coincidentemente, assinada e tutelada pela ONU que pouco faz, seja em relação ao genocídio palestino, seja em relação aos demais.2

@alarabiya
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Sendo assim, ficam alguns questionamentos. Até quando pessoas e outros animais seguirão sendo menosprezados, ignorados e amparados apenas por resoluções e notas de repúdio que não passam de documentos vis, sem qualquer validação política efetiva e prática? Até quando genocídios que se estendem há anos continuarão a ser denunciados sem um ponto final? E por fim, o que nos faz acreditar que nós, os “humanos”, somos melhores e mais importantes que outros seres dotados de consciência, empatia, que sentem dor, amor e compaixão? Afinal, somos nós os “bárbaros” e “primitivos” que estamos destruindo o planeta, assassinando crianças, matando propositadamente pela fome e dispersando o ódio, prepotência e financiando genocídios?

Temos muito o que aprender com eles, mas inicialmente, é preciso romper com essa ideia de superioridade – onde até alguns se julgam uma “raça superior” dentro da própria espécie – e descermos desse pedestal que inventamos. É preciso que se entenda que a espécie humana não é dona de ninguém, mas parte de um todo. A luta pela libertação e soberania da Palestina é um exemplo atual de moralidade a qual podemos colocar em prática tudo isso. Cabe a nós enxergarmos além, sairmos de nossa zona de conforto, dar o passo inicial para a mudança de atitudes.

E essa luta passa necessariamente pelo confronto e derrocada do sistema capitalista, raiz de todo processo de exploração, colonização, racismo, especismo, machismo. A mudança é necessária. Esse sistema mostrou que falhou, falha e seguirá falhando. É um sistema ultrapassado e responsável por todas as injustiças sociais. É hora de golpeá-lo definitivamente e, gradativamente, transformar a sociedade em um bem coletivo, fraterno, igualitária e amparada pela multipolaridade mundial.

A Palestina é uma questão moral, símbolo do que nos define enquanto espécie. E para isso, temos que nos preocupar com todas as espécies.

 

*Professor, Biólogo, Doutor em Etologia, Mestre em Ciências, Especialista em Bioecologia e Conservação. Autor do livro “Entre mitoses e revoluções”, do blog e do canal no YouTube “Biólogo Socialista”, e do PodCast “ProfPadulla”. Instagram: @BiologoSocialista

 

Referências

1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Trimestral do Abate de Animais: Estatísticas da Produção Pecuária (resultados de 2024). Brasília, 18 mar. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/42898-2024-registra-recorde-no-abate-de-bovinos-frangos-e-suinos.

2. UNESCO. Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Proclamada em 15 de outubro de 1978, na sede da UNESCO, Paris. Disponível em: https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/biodiversidade/fauna-silvestre/declaracao-universal-dos-direitos-dos-animais

3. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Radar Pet 2020: pesquisa sobre animais de estimação no Brasil. Brasília: IBGE, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/sbio/dpda/programas-e-Projetos/programa-nacional-de-manejo-populacional-etico-de-caes-e-gatos

 

 
 

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