top of page
  • LOGO CLD_00000

O trabalho global de desminagem está sendo pressionado pelo aumento dos conflitos

O aumento de conflitos armados elevou a presença de munições não detonadas em diversas regiões, segundo o Serviço de Ação contra Minas das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, o financiamento internacional para desminagem registrou queda, afetando operações em campo. Dados apresentados em 2 de maio de 2026 indicam impacto direto sobre civis, com destaque para Gaza, Síria e Afeganistão.


Mais minas terrestres foram instaladas na Síria durante os quase 14 anos de conflito - Arquivo
Mais minas terrestres foram instaladas na Síria durante os quase 14 anos de conflito - Arquivo

Mais minas terrestres foram instaladas na Siria durante os quase 14 anos de conflito. (arquivo)

A diretora do Serviço de Ação contra Minas da ONU (UNMAS), Kazumi Ogawa, afirmou em Genebra que especialistas relatam um cenário sem precedentes. “Eles me dizem: ‘Nunca em toda a minha carreira vi tantos conflitos’”, declarou durante reunião com diretores nacionais e conselheiros da organização. A fala ocorre em meio à expansão simultânea de zonas de guerra e à redução de recursos destinados à assistência humanitária, resultado de decisões orçamentárias que priorizam gastos militares em detrimento de programas civis.


Na Faixa de Gaza, território submetido ao genocídio conduzido por Israel desde 7 de outubro de 2023 com apoio político e militar estadunidense, o UNMAS informou que entre 5% e 10% das munições disparadas não detonaram. Esses artefatos permanecem espalhados entre escombros e áreas habitadas. Segundo Ogawa, 90% das pessoas feridas por explosivos no enclave são civis, e a maioria são crianças.

“Podemos recolher os materiais explosivos e isolá-los em Gaza, bloqueando o acesso, mas não conseguimos destruí-los… E assim, eles ficam lá empilhados, e as crianças são obrigadas a passar por cima deles”, afirmou. Ela descreveu situações em que famílias retornam a áreas destruídas e encontram explosivos sem orientação sobre como agir. “Há pais que vasculham os escombros tentando chegar em casa e encontram artefatos explosivos sem saber o que fazer com eles”, disse.


O problema se estende a outros países afetados por guerras prolongadas e intervenções externas. No Afeganistão, Ogawa relatou que uma criança morre por dia em decorrência de explosivos remanescentes. Na Síria, país atingido por operações militares internacionais e conflitos internos desde 2011, o número de mortos por artefatos explosivos alcança cerca de 200 por semana. “Onde normalmente haveria cerca de 300 mortes por ano em um país contaminado por minas, na Síria você tem 200 mortos por semana”, afirmou.


A diretora do UNMAS associou a redução das operações de desminagem à mudança de prioridades orçamentárias dos Estados. “À medida que os orçamentos nacionais são desviados para a defesa e afastados da assistência humanitária, vemos o efeito disso no terreno”, declarou. A retração de financiamento atinge atividades como remoção de minas, educação sobre riscos e assistência a vítimas.


Além das mortes, os efeitos incluem incapacitação permanente e impacto socioeconômico. Ogawa explicou que crianças mutiladas por explosões demandam cuidados ao longo da vida, o que transfere responsabilidade para famílias e comunidades. “Não se trata apenas de uma pessoa que morre”, afirmou.

O impacto econômico da contaminação por minas e explosivos impede o uso de terras agrícolas, bloqueia infraestrutura e limita a reconstrução de regiões atingidas por conflitos. Em países onde a produção rural sustenta a população, a presença de artefatos explosivos interrompe cadeias produtivas e desloca comunidades.


Apesar da redução de recursos, o UNMAS apontou iniciativas em andamento. Na Colômbia, programas vinculados ao sistema de justiça transicional incorporam ex-combatentes em operações de desminagem e assistência a vítimas. Segundo Ogawa, o modelo envolve participação direta desses indivíduos na recuperação de áreas afetadas por décadas de guerra interna, com ações voltadas à remoção de minas e educação comunitária.


O tratado internacional de 1997 que proíbe minas terrestres antipessoais permanece em vigor, mas enfrenta abandono por parte de alguns países. Em 2025 e no início de 2026, Estados europeus iniciaram processos de retirada do acordo. A diretora do UNMAS destacou que a adesão ao tratado tem implicações diretas na segurança civil. “Não se trata apenas de aderir a convenções, mas de criar condições para que as pessoas vivam em segurança”, declarou.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page