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OMS reforça combate ao ebola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC) anunciaram uma ampliação das operações para conter o surto de ebola na República Democrática do Congo. Mais de 100 especialistas foram enviados ao país africano enquanto laboratórios de campanha passaram a operar nas áreas com maior número de infecções. Dados divulgados em 9 de junho de 2026 apontam 550 casos confirmados e 101 mortes, além da expansão das ações de vigilância epidemiológica na RD Congo e em Uganda.


© OMS_Joël Lumbala Resposta da OMS ao surto de ebola na República Democrática do Congo
© OMS_Joël Lumbala Resposta da OMS ao surto de ebola na República Democrática do Congo
A OMS informou que o aumento dos registros de ebola está ligado à ampliação da capacidade de testagem e ao rastreamento de contatos realizados pelas equipes de saúde. Segundo a agência das Nações Unidas e o África CDC, o crescimento do número de diagnósticos reflete a identificação de casos que anteriormente permaneciam fora dos sistemas de vigilância sanitária.

As autoridades sanitárias implementaram uma estratégia denominada “Uma Só Resposta”, que busca integrar as ações de investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, tratamento clínico e monitoramento comunitário sob uma única coordenação operacional. O objetivo declarado é interromper as cadeias de transmissão do vírus nas províncias orientais da República Democrática do Congo e impedir sua propagação para países vizinhos.


O diretor de Operações de Alerta e Resposta a Emergências de Saúde da OMS, Abdirahman Mahamud, informou que até a segunda-feira anterior ao anúncio haviam sido registrados 550 casos e 101 mortes relacionadas ao surto. Segundo o representante da organização, também foram contabilizados 19 pacientes recuperados após identificação e tratamento nos estágios iniciais da doença.


Mahamud acompanha as operações a partir de Bunia, capital da província de Ituri. De acordo com a OMS, a região concentra 94% de todos os casos confirmados registrados até o momento.


A agência das Nações Unidas anunciou em 9 de junho a mobilização de mais de 100 profissionais especializados para reforçar a resposta sanitária. Entre os integrantes da força-tarefa estão epidemiologistas, especialistas em logística, profissionais de cuidados clínicos e pesquisadores ligados ao desenvolvimento de vacinas.


O apoio internacional também inclui o envio de 40 toneladas de equipamentos e insumos médicos destinados às áreas afetadas. Segundo a OMS, os materiais têm como finalidade proteger trabalhadores da saúde, ampliar a capacidade laboratorial e manter o funcionamento das unidades hospitalares envolvidas no atendimento aos pacientes.


Uma das medidas adotadas durante a resposta ao surto foi a descentralização dos serviços de diagnóstico. Com apoio técnico da OMS, laboratórios de campanha foram instalados em Bunia, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Mongbwalu. A organização informou que a próxima etapa prevê a expansão da rede para o distrito de Aru.


A descentralização dos exames alterou os prazos de processamento das amostras. Antes dependentes do transporte para centros distantes, os casos suspeitos passaram a ser analisados dentro das próprias regiões afetadas. Segundo a OMS, todos os casos suspeitos podem agora ser processados em até 24 horas nos centros de tratamento.


A operação utiliza um sistema digital que acompanha cada amostra desde a coleta até o diagnóstico final, incluindo os procedimentos de isolamento e tratamento dos pacientes. A ferramenta foi adaptada para funcionar em áreas com limitações de acesso à internet.


Além dos casos já confirmados, aproximadamente 100 casos suspeitos permanecem sob investigação para confirmação ou descarte pelas autoridades sanitárias.


As atividades de vigilância epidemiológica resultaram na identificação de 5.040 pessoas que tiveram contato com pacientes infectados. Todos esses indivíduos foram incluídos em programas de acompanhamento nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul.


Dados divulgados pela OMS indicam que entre 62% e 64,4% dos contatos identificados estão sendo monitorados pelas equipes de saúde. A meta estabelecida pelas autoridades sanitárias é alcançar uma cobertura mínima de 90%.

Segundo Abdirahman Mahamud, a dimensão territorial das províncias afetadas representa um dos principais obstáculos para ampliar a cobertura do rastreamento. Em regiões como Ituri, as longas distâncias dificultam tanto a coleta de amostras quanto o acompanhamento dos contatos identificados.


O representante da OMS afirmou que a participação das comunidades locais permanece vinculada ao desempenho da operação. Em declaração divulgada pela agência, Mahamud afirmou que a “atuação lado a lado com agentes de saúde locais ajuda a identificar melhor os casos suspeitos e a encaminhá-los de forma segura para os centros de tratamento”.


Enquanto a República Democrática do Congo concentra a maior parte dos registros, Uganda também mantém operações de vigilância após a confirmação de casos da doença. Segundo os dados apresentados pela OMS, o país registrou 19 casos confirmados, duas mortes e um caso provável que também resultou em óbito.


As autoridades sanitárias ugandesas informaram que não existem evidências de transmissão comunitária dentro do país. O monitoramento permanece concentrado na identificação de possíveis cadeias de contágio ligadas aos casos conhecidos.


Em 9 de junho, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esteve em Uganda para acompanhar as operações sanitárias. Durante a visita, reuniu-se com representantes governamentais, pacientes e profissionais de saúde envolvidos na resposta ao surto.


A OMS declarou que busca impedir a expansão do ebola para outros países da região, incluindo o Quênia. Para sustentar as operações em curso, a organização renovou o pedido de financiamento internacional para um plano conjunto avaliado em US$ 518 milhões.


Segundo a OMS, os recursos solicitados serão destinados ao fortalecimento dos laboratórios regionais, à ampliação da vigilância epidemiológica, ao fornecimento de equipamentos médicos e à manutenção das operações de resposta ao surto de ebola na África Central e Oriental.

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