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Ataques contra mesquitas na Cisjordânia atingem nível recorde

Ataques de colonos israelenses contra mesquitas palestinas na Cisjordânia ocupada alcançaram, em 2026, o maior patamar documentado desde o início do monitoramento das Nações Unidas. Organizações palestinas registraram 22 ações contra locais de culto muçulmanos apenas em maio, enquanto organismos internacionais relatam mais de mil incidentes de violência de colonos ilegais desde o início do ano. O avanço dessas ações ocorre em meio à expansão dos assentamentos israelenses e à ausência de medidas capazes de interromper a escalada da violência nos territórios palestinos ocupados.


Israelenses restringem a circulação de palestinos enquanto unidades militares bloqueiam as entradas da Cidade Velha de Hebron em 13 de junho de 2026, na Cisjordânia ocupada. | AA
Israelenses restringem a circulação de palestinos enquanto unidades militares bloqueiam as entradas da Cidade Velha de Hebron em 13 de junho de 2026, na Cisjordânia ocupada. | AA

Dados divulgados pela Comissão de Colonização e Resistência ao Muro, órgão palestino de monitoramento, apontam que colonos israelenses e forças israelenses realizaram 22 ataques contra locais religiosos islâmicos durante o mês de maio. A província de Hebron concentrou 14 ocorrências. Também foram registrados incidentes em Nablus, Jenin, Jericó e Ramallah.


Segundo os registros apresentados pela entidade, os ataques seguem um padrão recorrente. Grupos de colonos entram em aldeias palestinas durante a noite, atacam mesquitas, incendeiam entradas e áreas destinadas às abluções religiosas e deixam inscrições em hebraico nas paredes dos edifícios.


Um dos episódios ocorreu em Deir Dibwan, nas proximidades de Ramallah. Um palestino-estadunidense de 92 anos encontrava-se dentro de uma mesquita lendo o Alcorão após as orações noturnas quando colonos lançaram uma substância inflamável próxima a uma janela do edifício. O homem não sofreu ferimentos.


Autoridades locais informaram que a operação naquela noite foi executada por três grupos distintos. Enquanto um grupo atacava a mesquita, outro direcionava ações contra residências palestinas e um terceiro incendiava veículos e áreas cultivadas da comunidade.


Em 15 de maio, outro ataque foi registrado na localidade de Jibiya, ao noroeste de Ramallah. Colonos incendiaram uma mesquita e dois veículos, além de deixarem inscrições racistas em propriedades palestinas da região.


A Organização de Cooperação Islâmica também relatou aumento das ações de colonos no mesmo período. Segundo sua unidade de monitoramento, foram registrados 119 ataques de colonos e aproximadamente 300 incursões militares israelenses na Cisjordânia ocupada em apenas uma semana de maio. O levantamento inclui incursões repetidas ao complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada, e à Mesquita de Ibrahimi, em Hebron.


Os ataques prosseguiram durante o mês de junho. Entre a noite de 16 e a madrugada de 17 de junho, colonos incendiaram mesquitas nas aldeias de Jiljilya e Mazari an-Nubani, ambas situadas ao norte de Ramallah.


Em Jiljilya, os atacantes não conseguiram acessar o salão principal de orações e atearam fogo a uma sala de ablução localizada no térreo. Em Mazari an-Nubani, testemunhas relataram que coquetéis Molotov foram lançados contra uma mesquita. Os responsáveis deixaram o local após moradores iniciarem o combate às chamas.


As agressões contra locais religiosos integram um quadro mais amplo de violência associada à colonização israelense da Cisjordânia. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que monitora esses episódios desde 2006, informou que 2026 apresenta a maior média já registrada: seis ataques de colonos por dia.


Segundo informações transmitidas pelo gabinete do secretário-geral da ONU, o total de incidentes violentos atribuídos a colonos ilegais já ultrapassou mil ocorrências neste ano.


O relatório anual mais recente do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos documentou 1.732 incidentes de violência praticados por colonos com registro de vítimas ou danos materiais até outubro de 2025. O número supera os 1.400 casos registrados no período anterior. O documento concluiu que a violência vinha sendo executada "de forma coordenada, estratégica e, em grande parte, sem contestação".


Outro levantamento, produzido pela organização Save the Children, apontou que 685 crianças palestinas foram deslocadas de suas comunidades nos três primeiros meses de 2026. O número supera em mais de dez vezes a média observada no mesmo período dos três anos anteriores.


As Nações Unidas têm classificado os ataques contra mesquitas palestinas como violações das obrigações impostas ao poder ocupante pelo direito internacional. O gabinete do secretário-geral declarou em diversas ocasiões que essas ações são "completamente inaceitáveis" e afirmou que Israel possui responsabilidade legal pela proteção da população sob ocupação e pela responsabilização dos autores dos ataques.


No final de maio, a União Europeia anunciou sanções contra colonos envolvidos em atos de violência. Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Nova Zelândia e Noruega adotaram medidas coordenadas voltadas a indivíduos e grupos acusados de participar ou facilitar ataques contra palestinos.


Autoridades britânicas afirmaram que condenações emitidas pelo governo israelense não produzem efeitos sem medidas concretas de responsabilização. Jordânia, Alemanha e Suíça também emitiram declarações condenando ataques específicos ocorridos na Cisjordânia ocupada.


Entidades de direitos humanos sustentam que as medidas internacionais permanecem concentradas em indivíduos e organizações, sem atingir estruturas estatais, jurídicas e de segurança associadas à expansão dos assentamentos israelenses. Esses grupos argumentam que a caracterização da violência apenas como ação de indivíduos isolados oculta mecanismos institucionais que permitem a continuidade da colonização dos territórios palestinos ocupados.


Entre os exemplos citados está a organização Amana, responsável por projetos ligados ao movimento de assentamentos israelenses. A entidade foi alvo de sanções estadunidenses no final de 2024, mas sofreu impactos limitados antes da revogação das medidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em janeiro de 2025.


O relatório também menciona exceções regulatórias que permitiram a continuidade de operações financeiras entre bancos israelenses e colonos submetidos a sanções internacionais. Segundo a análise, a ausência de medidas dirigidas às estruturas estatais envolvidas na ocupação limita o alcance das punições aplicadas contra indivíduos ligados à violência dos assentamentos.

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