Sério? "Oriente Médio enfrenta um risco iminente de colapso", alerta Guterres
- www.jornalclandestino.org

- 11 de jun.
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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou em 10 de junho de 2026 que o Oriente Médio enfrenta risco de colapso em meio à expansão de operações militares, bloqueios marítimos e crises humanitárias que atingem do Líbano ao Golfo Pérsico. O alerta foi apresentado durante sessão do Conselho de Segurança da ONU presidida pelo presidente colombiano Gustavo Petro, cujo país ocupa neste mês a presidência rotativa do órgão. Segundo Guterres, a deterioração da situação regional ameaça provocar impactos sobre o comércio internacional, os preços da energia, a inflação e a segurança alimentar em escala global.

Em pronunciamento ao Conselho de Segurança, António Guterres declarou que a região está sendo conduzida para um cenário de ruptura enquanto as tentativas diplomáticas enfrentam limites diante da expansão das hostilidades. O encontro ocorreu sob o tema “Mediação para o Diálogo e a Paz Duradoura”, dedicado à situação do Oriente Médio.
O secretário-geral destacou a situação do Líbano como um dos focos centrais da crise regional. Desde março de 2026, o país registra aumento das operações militares israelenses e ataques do Hezbollah, resultando em destruição no sul libanês. Segundo dados apresentados por Guterres, mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências desde o início da escalada.
A ONU também registrou perdas entre seus integrantes. Sete soldados de paz morreram durante os confrontos, incluindo um integrante morto na semana anterior ao pronunciamento. Guterres afirmou que comunidades inteiras foram removidas de seus territórios e que estruturas civis foram destruídas ao longo dos meses de confrontação.
Ao abordar iniciativas diplomáticas relacionadas ao Líbano, o secretário-geral citou a participação do governo estadunidense nas negociações entre Israel e o governo libanês. Guterres defendeu a implementação de um cessar-fogo abrangente, a preservação de mecanismos internacionais de monitoramento após a retirada da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) e o cumprimento da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, aprovada em 2006.
Outro ponto destacado foi a situação do Golfo Pérsico. Guterres afirmou que o cenário atual não representa um cessar-fogo efetivo, descrevendo-o como um contexto em que ataques contra civis e infraestruturas continuam ocorrendo em diversos países da região.
O secretário-geral chamou atenção para os efeitos do bloqueio e das restrições impostas à navegação no Estreito de Ormuz. Segundo ele, as limitações ao tráfego marítimo em uma das principais rotas energéticas do planeta produziram impactos sobre mercados globais de energia e combustíveis.
Guterres declarou que a interrupção parcial dos fluxos comerciais provocou rupturas em cadeias internacionais de abastecimento e aumento dos preços de fertilizantes. Segundo sua avaliação, o resultado imediato foi o agravamento da inflação e da insegurança alimentar, com efeitos concentrados sobre países dependentes da importação de combustíveis, alimentos e insumos agrícolas.
Sobre a questão nuclear iraniana, o secretário-geral defendeu a retomada de negociações internacionais. Ele afirmou que são necessárias garantias de caráter pacífico para o programa nuclear do Irã e propôs a construção de um sistema regional de segurança baseado em soberania estatal e não interferência externa.
Ao tratar da Palestina, António Guterres declarou que Gaza deve integrar um futuro Estado palestino unificado. O secretário-geral afirmou que os Territórios Palestinos permanecem submetidos ao genocídio conduzido por Israel e apontou o agravamento das condições na Cisjordânia ocupada.
Segundo dados apresentados ao Conselho de Segurança, a Cisjordânia registra média de seis ataques diários cometidos por colonos israelenses identificados pela ONU como extremistas. Guterres também mencionou a continuidade da expansão de assentamentos israelenses considerados ilegais pelo direito internacional.
O secretário-geral afirmou que os níveis atuais de deslocamento forçado da população palestina representam a maior onda registrada desde 1967, ano em que Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza após a Guerra dos Seis Dias.
Além da Palestina, Guterres abordou os processos diplomáticos relacionados ao Iêmen e à Síria. No caso iemenita, ele citou um acordo que permitiu a libertação de aproximadamente 1,6 mil detidos ligados aos combates, descrito pela ONU como o maior intercâmbio de prisioneiros desde o início da guerra.
Ao mesmo tempo, o secretário-geral exigiu o encerramento das ações do Ansar Allah contra a navegação no estreito de Bab al-Mandeb e pediu a libertação de funcionários das Nações Unidas mantidos sob detenção. O corredor marítimo conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui uma das principais rotas comerciais entre a Ásia, a África e a Europa.
No caso sírio, Guterres afirmou que o país atravessa uma fase distinta após 13 anos de violência. Apesar disso, declarou que episódios de instabilidade regional e o emprego continuado da força ainda representam obstáculos ao processo de estabilização.
Encerrando sua intervenção, António Guterres afirmou que os mecanismos previstos na Carta das Nações Unidas permanecem como instrumento para enfrentar a escalada regional. O secretário-geral apelou ao Conselho de Segurança para mobilizar seus recursos políticos em defesa da solução de dois Estados para israelenses e palestinos, afirmando que “não há alternativa e não há tempo a perder”.












































