Petro vai a Washington sob pressão do poder estadunidense
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O presidente colombiano Gustavo Petro viajou a Washington em 2 de fevereiro de 2026 para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em encontro marcado para terça-feira na Casa Branca. A agenda oficial inclui cooperação antidrogas e a situação da Venezuela, após o ataque estadunidense que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores no mês anterior. A visita ocorre após um ano de tensões diplomáticas, ameaças abertas e acusações públicas feitas por Trump contra o governo colombiano.

Segundo comunicado divulgado pela presidência colombiana e confirmado pela agência EFE, Petro embarcou no domingo acompanhado da chanceler Rosa Villavicencio, do ministro da Defesa Pedro Sánchez e da diretora de Substituição de Cultivos Ilícitos, Gloria Miranda. Antes da viagem, o presidente relatou ter se reunido em Bogotá com John McNamara, chefe da missão diplomática estadunidense no país. Em publicação na rede X, Petro afirmou:
“Começo meu dia de intensa comunicação com o governo dos EUA com minha entrevista com o representante comercial dos EUA na Colômbia, McNamara”.
A ida a Washington ocorre apesar de episódios recentes de hostilidade institucional. Petro obteve um visto especial após o Departamento de Estado estadunidense ter cancelado sua autorização anterior, sob a alegação de sua inclusão na chamada “lista Clinton”, mecanismo historicamente usado como instrumento de pressão política e econômica. O episódio agravou o desgaste bilateral já existente desde 2025.
No plano interno, Petro convocou mobilização popular durante o encontro com Trump. Atendendo a um chamado do senador Iván Cepeda, pré-candidato presidencial pelo Pacto Histórico, o presidente incentivou atos em Bogotá.
“Que a Praça Bolívar esteja lotada na terça-feira, se o tempo permitir, para defender a democracia, um salário digno e a paz na Colômbia enquanto me encontro com Trump”, escreveu o mandatário.
A pauta venezuelana ocupa lugar central na reunião. Em janeiro de 2026, a Venezuela foi alvo de uma ação militar estadunidense que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, fato denunciado por governos da região como violação direta da soberania nacional e do direito internacional. O episódio elevou a instabilidade política continental e reacendeu memórias de intervenções anteriores promovidas por Washington.
As tensões entre Bogotá e Washington se intensificaram ao longo de 2025, quando Trump acusou publicamente a Colômbia de “fracassar” no combate às drogas e chegou a ameaçar ataques contra o território colombiano. O ponto inicial da crise ocorreu em 26 de janeiro de 2025, quando Petro barrou a entrada de dois voos com migrantes deportados, denunciando o “tratamento indigno” imposto a cidadãos colombianos pelas autoridades estadunidenses.
O encontro desta semana, portanto, não representa apenas um esforço de diálogo bilateral, mas a tentativa de administrar uma relação marcada por dependência estrutural, coerção diplomática e o histórico contínuo do imperialismo estadunidense na região.









































