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Pompeo anuncia a fase do apagamento no genocídio em Gaza e legitima a negação das vítimas palestinas

Declarações do ex-secretário de Estado estadunidense Mike Pompeo sinalizam o início de uma nova etapa do genocídio contra a população palestina em Gaza: o apagamento da memória. O discurso foi proferido em janeiro de 2026 no Instituto MirYam, organização sediada nos Estados Unidos e dedicada à defesa incondicional de Israel. Pompeo afirmou que é preciso garantir que os livros de história “não escrevam sobre as vítimas de Gaza”.


A fome em Gaza, agosto de 2025. ©SANA AL-JAMAL
A fome em Gaza, agosto de 2025. ©SANA AL-JAMAL

A dimensão concreta desse genocídio é ilustrada pelo caso de Jamal, uma criança palestina de nove anos que sofre convulsões neurológicas severas e está sem acesso ao medicamento baclofeno, bloqueado pelas autoridades israelenses. O remédio não é encontrado em hospitais, clínicas, armazéns do Ministério da Saúde de Gaza nem por meio da Cruz Vermelha, segundo relato de sua mãe, Shaima, feito a partir do campo de deslocados de al-Mawasi. Sem a medicação, Jamal enfrenta dezenas de espasmos diários, grita de dor e não dorme, situação que se repete entre milhares de feridos e doentes privados de evacuação médica urgente. A cena foi registrada em 31 de janeiro de 2026 no campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, conforme imagens da AFP.


Foi esse sofrimento que Pompeo tentou deliberadamente retirar da história. Em seu discurso no Instituto MirYam, ele declarou: “Precisamos garantir que a história seja contada corretamente para que, quando os livros de história escreverem sobre isso, não escrevam sobre as vítimas de Gaza”, afirmação recebida com aplausos pela plateia.

Na sequência, o ex-chefe da diplomacia estadunidense afirmou que, embora existam vítimas civis, as “verdadeiras vítimas” seriam os israelenses, relativizando a destruição sistemática da população palestina iniciada após 7 de outubro de 2023, caracterizada por organismos internacionais e por amplos registros documentais como genocídio.


@Mahmoudhamda
@Mahmoudhamda

O apagamento denunciado não se limita ao discurso. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), responsável por preservar o estatuto jurídico dos refugiados palestinos e seu direito de retorno, vem sendo sistematicamente atacada e desmantelada. Plataformas digitais passaram a restringir conteúdos pró-Palestina, enquanto, nos Estados Unidos, no Reino Unido e em outros países aliados de Israel, jovens são detidos e criminalizados por manifestações de solidariedade, e legislações locais avançam para controlar o ensino sobre Palestina e Israel nas escolas. Trata-se de uma ofensiva coordenada contra a memória, a linguagem e o direito de testemunhar.


Para a população palestina, no entanto, a tentativa de apagamento não é nova. Massacres históricos como Beit Daras, Deir Yassin e Jenin permanecem vivos na memória coletiva, assim como símbolos contemporâneos do genocídio em Gaza. O sofrimento de Jamal, descrito por familiares como o de um “mártir vivo”, converte-se em testemunho contra a narrativa oficial promovida por figuras como Pompeo. Em meio às ruínas, a população palestina segue registrando, nomeando e lembrando, desafiando a estratégia de silenciamento e reafirmando que a história do genocídio não será escrita pelos seus perpetradores.


Fontes: AFP, Instituto MirYam, relatos diretos de familiares em Gaza, Al Jazeera

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