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Projeto Júpiter: o plano da extrema direita para interferência nas eleições da Colômbia

Uma investigação jornalística revelou a existência de um plano multimilionário voltado à manipulação das eleições presidenciais colombianas marcadas para 31 de maio. O chamado Projeto Júpiter envolve campanhas midiáticas, operações digitais e estratégias para deslegitimar candidaturas progressistas. O material foi divulgado em 27 de abril de 2026 pelo programa Señal Investigativa, parceria entre Señal Colombia e a revista Raya. Gravações, documentos e apresentações indicam atuação coordenada de setores da direita colombiana. O caso reacende o debate sobre interferência política, uso de desinformação e captura do processo democrático por interesses econômicos e elites alinhadas ao poder tradicional.


©THE NEW YORKER
©THE NEW YORKER

Segundo a investigação, o ex-ministro das Relações Exteriores Jaime Bermúdez Merizalde aparece como figura central na articulação da estratégia, sendo descrito como o operador político que conduziu a campanha que levou Álvaro Uribe Vélez à presidência em 2002. Em uma gravação apresentada pelo programa, Bermúdez afirmou a empresários na cidade de Cali que “Júpiter não existe”, declaração que contradiz o conjunto de provas reunidas, incluindo áudios, slides e registros documentais. O conteúdo indica que a operação teria como objetivo estimular medo, indignação e incerteza entre a população às vésperas da eleição.


A reportagem identificou movimentações digitais diretamente ligadas ao projeto. Uma página no Facebook intitulada “Está em nossas mãos”, associada ao ambiente operacional do plano, apagou diversas publicações após a primeira reportagem investigativa vir a público. Os conteúdos removidos faziam referência direta a ataques políticos contra os candidatos Iván Cepeda e Miguel Ángel de la Espriella. Paralelamente, surgiu uma nova página chamada “Tudo Pode Ser Melhor ou Pior”, que passou a divulgar centenas de vídeos com linguagem agressiva e direcionamento político explícito.


O programa também revelou que Bermúdez teria garantido, em reuniões privadas, que os nomes das empresas envolvidas no Projeto Júpiter não seriam divulgados, sugerindo uma estrutura deliberadamente opaca. Em uma das apresentações analisadas, apareceu o logotipo do portal La Silla Vacía. A diretora do veículo, Juanita León, reconheceu em entrevista radiofônica que cursos e vídeos contratados pela organização ProBogotá, com intermediação de Bermúdez, fazem parte da estratégia. León afirmou que os conteúdos não abordam candidatos ou partidos, versão que a investigação confronta com declarações do próprio Bermúdez.


A Señal Investigativa informou que ofereceu espaço de resposta à diretora, por meio de entrevista no formato pergunta e resposta. Segundo o programa, o convite foi inicialmente aceito, mas posteriormente recusado antes da exibição final. A equipe editorial denunciou o que classificou como tentativa de veto a jornalistas e reiterou disposição para o debate público.


No campo institucional, surgiram indícios de possíveis vínculos entre recursos públicos e a estrutura do plano. O advogado Elmer Montaña denunciou a existência de três contratos firmados entre a prefeitura de Cali, sob gestão do prefeito Alejandro Eder, e a organização Propacífico, apontada por Bermúdez como peça-chave do projeto no oeste do país. A investigação levanta a hipótese de que esses contratos possam estar relacionados ao financiamento das operações políticas.


O candidato presidencial Iván Cepeda formalizou denúncia junto à Procuradoria-Geral da Nação, solicitando apuração sobre o Projeto Júpiter e suas implicações na manipulação eleitoral. O caso foi encaminhado à Delegacia contra a Criminalidade Organizada, indicando possível enquadramento em práticas estruturadas de influência ilegal.


Nas duas semanas anteriores à nova reportagem, a revista Raya já havia revelado elementos do plano, descrevendo-o como uma operação de grande escala baseada em campanhas midiáticas, desinformação digital e pressão política direcionada. Entre as estratégias apontadas estão a realização de workshops em empresas, voltados a trabalhadores de níveis médio e baixo, com conteúdos projetados para induzir percepções negativas e influenciar comportamento eleitoral.


O conjunto das evidências sugere uma engrenagem política sofisticada, que articula comunicação, financiamento e manipulação emocional do eleitorado, refletindo um padrão recorrente na região, onde setores alinhados a interesses econômicos e geopolíticos tentam intervir nos processos democráticos por meio de instrumentos indiretos e opacos.

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