Sudão do Sul à beira do colapso humanitário em Jonglei
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O Sudão do Sul enfrenta uma deterioração acelerada da situação humanitária em meio à intensificação dos combates no estado de Jonglei, no leste do país. Mais de 200 mil pessoas foram deslocadas apenas em janeiro de 2026, segundo dados apresentados pela Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS). A violência atinge diretamente civis, enquanto surtos de cólera se espalham em um sistema de saúde já colapsado. Em coletiva realizada em 30 de janeiro de 2026, na sede da ONU em Nova York, a chefe interina da UNMISS, Anita Kiki Gbeho, afirmou que “todas as condições para uma catástrofe humanitária estão presentes”. Apesar da liberação emergencial de US$ 10 milhões para resposta humanitária, a ONU admite que os recursos são insuficientes diante da dimensão da crise.

De acordo com Gbeho, as tensões militares “estão aumentando rapidamente” entre forças governamentais e milícias da oposição, transformando Jonglei em um “foco de conflito” onde civis são atingidos pelo fogo cruzado. A ONU registrou mais de 500 casos de cólera em todo o país somente em janeiro, com centros de tratamento “sobrecarregados” e enfrentando “escassez crítica” de suprimentos médicos.
As operações de ajuda humanitária seguem severamente limitadas por bloqueios em estradas e rios, dificultando tanto a distribuição de alimentos quanto evacuações médicas. A UNMISS informou que ao menos sete instalações humanitárias foram saqueadas em Jonglei, com bens confiscados e trabalhadores humanitários intimidados, cenário que também afeta diretamente a atuação das forças de paz.
A atual escalada ocorre no contexto de uma ofensiva governamental iniciada nesta semana em três condados de Jonglei, após avanços da oposição armada. Autoridades recomendaram a evacuação imediata de civis e profissionais humanitários, aprofundando o deslocamento forçado em uma região já marcada pela insegurança alimentar crônica.
Independente desde 2011, o Sudão do Sul mergulhou rapidamente em uma guerra civil que opôs forças leais ao presidente Salva Kiir às do líder oposicionista Riek Machar, atualmente submetido a julgamento por acusações graves, incluindo assassinato, que ele contesta. Para Gbeho, a prioridade imediata é “parar os combates, proteger os civis e preservar o processo de paz”, em referência ao acordo firmado em 2018 com mediação regional da União Africana e da IGAD.
Reiterando declarações do secretário-geral da ONU, a chefe da UNMISS afirmou que “a solução para a crise atual é política, não militar”, e cobrou “medidas urgentes e imediatas para cessar as hostilidades, reduzir as tensões através de um diálogo inclusivo e regressar à tomada de decisões baseada no consenso”. Ao final, Gbeho definiu o cenário como “um momento decisivo — uma encruzilhada crítica para o Sudão do Sul”, advertindo que as escolhas feitas agora podem conduzir o país “a um caminho de paz ou a um conflito ainda maior”.









































