Turquia acusa Israel de depender de inimigos e alerta que governo israelense a vê como novo adversário
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O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou em 13 de abril de 2026 que Israel “não pode viver sem um inimigo”. A declaração foi feita à agência estatal Anadolu, em meio à escalada regional após ataques israelenses contra o Irã com apoio estadunidense. Fidan alertou que o governo liderado por Benjamin Netanyahu passou a considerar a Turquia como novo adversário estratégico. As tensões se intensificam desde o início do genocídio israelense na Faixa de Gaza em outubro de 2023. O cenário atual combina retórica militar, ameaças diretas e disputas geopolíticas ampliadas no eixo Ásia Ocidental.

Em entrevista publicada na segunda-feira (13), Fidan declarou que “Israel não pode viver sem um inimigo”, acrescentando que, após o ataque considerado ilegal contra o Irã — conduzido em coordenação com os Estados Unidos —, o gabinete de Benjamin Netanyahu passou a direcionar sua hostilidade contra Ancara. Segundo o chanceler turco, essa postura não se limita ao governo, mas já encontra eco em setores da oposição israelense, consolidando-se como política de Estado. “Isto representa um novo desenvolvimento em Israel […] que está se tornando uma estratégia oficial”, afirmou.
O aprofundamento da crise ocorre no contexto do genocídio israelense em Gaza, iniciado em outubro de 2023, que já deixou mais de 72 mil mortos e dezenas de milhares de feridos, segundo dados amplamente divulgados por autoridades regionais. A política de expansão militar israelense, sustentada por apoio político, financeiro e militar estadunidense, tem ampliado o raio de instabilidade para além da Palestina, atingindo diretamente países como Líbano, Irã e agora elevando o nível de confronto com a Turquia.
No fim de semana anterior às declarações de Fidan, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan entrou diretamente na crise ao alertar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre “possíveis provocações e sabotagens” capazes de comprometer o cessar-fogo firmado com o Irã após 40 dias de confrontos em território iraniano. Ainda que Erdogan não tenha citado Israel nominalmente, o contexto das declarações aponta para desconfiança em relação às ações do regime israelense, historicamente alinhadas à estratégia militar estadunidense na região.
A resposta de Benjamin Netanyahu ocorreu por meio de publicação na rede X, na qual afirmou que Israel continuará combatendo o Irã e seus aliados “ao contrário de Erdogan, que os tolera”. O premiê israelense também acusou o governo turco de massacrar a população curda, deslocando o foco do debate e ampliando o tom de confronto diplomático.
No domingo (12), Erdogan reagiu às acusações e intensificou o discurso, afirmando que Israel estava “massacrando centenas de civis libaneses inocentes” justamente no dia em que o cessar-fogo envolvendo Irã, Estados Unidos e Líbano entrou em vigor. A declaração reforça a percepção de que as ações militares israelenses operam de forma coordenada com interesses estratégicos estadunidenses, frequentemente desconsiderando acordos diplomáticos recentes.
Erdogan foi além e afirmou que, caso não haja negociações efetivas entre Estados Unidos e Irã para encerrar definitivamente o conflito, a Turquia “mostraria a Israel qual é o seu lugar”. Em tom direto, o presidente turco declarou que o país possui capacidade militar para invadir territórios ocupados por Israel. “Assim como entramos na Líbia e em Karabakh, podemos entrar em Israel. Não há razão para não o fazermos. Isso exigirá força e união”, afirmou.
A Turquia também rejeitou oficialmente a ofensiva militar iniciada no final de fevereiro contra o Irã, classificando-a como uma guerra de agressão conduzida por Israel com respaldo estadunidense. Ancara atribui à coalizão liderada por Washington a responsabilidade pelo aumento da instabilidade, do caos e da fragmentação política no Oriente Médio, uma dinâmica recorrente desde intervenções anteriores em países como Iraque, Síria e Líbia.
A deterioração das relações entre Turquia e Israel evidencia uma reorganização das tensões regionais, marcada por alianças voláteis, escalada militar contínua e aprofundamento das disputas por influência geopolítica em uma região historicamente atravessada por intervenções externas e estratégias de desestabilização.



































