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  • "Bolsomaster se revela uma tremenda estrutura que lesou o país", afirma Maria do Rosário

    A reportagem do site Intercept Brasil divulgada em 13 de maio de 2026 aponta supostas negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. As mensagens citadas indicam tratativas financeiras relacionadas ao financiamento de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O caso também alcança o senador Ciro Nogueira e amplia a disputa política no Congresso Nacional. Flávio Bolsonaro | Foto: Daniel RAMALHO / AFP Segundo o material divulgado pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria negociado valores de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar o projeto audiovisual “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações se baseiam em mensagens atribuídas aos envolvidos e somam-se a outro episódio citado na mesma investigação, que relaciona Ciro Nogueira ao escândalo envolvendo o Banco Master. Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a deputada federal Maria do Rosário afirmou que o caso reforça denúncias já em circulação e defendeu a mudança de nomenclatura do episódio. “O escândalo que a gente chama de ‘Bolsomaster’ revela uma tremenda estrutura baseada numa fraude no sistema financeiro que lesou o país, que atacou e achacou o Banco Central e que se valia do poder do Ciro Nogueira para manobrar decisões e garantir o aumento do Fundo Garantidor de Crédito”, declarou. Maria do Rosário afirmou ainda que parlamentares ligados ao caso estariam perdendo sustentação política. “Estou vendo bolsonaristas pulando desse barco, de um barco que está sem capitão, porque o capitão está preso”, disse, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seguida, afirmou: “O lugar desses parlamentares não é o Congresso nacional, é a cadeia.” A deputada declarou que a revelação afeta diretamente a condição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República e citou a possibilidade de substituição dentro do campo político ligado ao bolsonarismo. Ela afirmou que a substituição por outro nome não alteraria a estrutura do grupo político. No mesmo contexto, Maria do Rosário afirmou: “O bolsonarismo é um castelo de cartas e elas são todas do mesmo naipe. Ou seja, não há diferença. Do ponto de vista de se valer da corrupção, de se beneficiar da corrupção e de ser parte não de uma família, mas de uma quadrilha, eu creio que Michelle e Flávio são da mesma família, todos estão no mesmo barco. O bolsonarismo vive uma crise.” A parlamentar também afirmou que o episódio indica padrão de corrupção associado ao núcleo político citado e declarou: “Qualquer integrante dessa família também está marcado por benefícios que tenham recebido da corrupção. O Brasil precisa se livrar dessa extrema direita corrupta e que faz mal ao país.” Maria do Rosário afirmou ainda que o caso pode ser incorporado a investigações em andamento envolvendo Flávio Bolsonaro. Ela mencionou a existência de inquérito e citou possibilidade de atuação da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, afirmando: “Já há um inquérito em curso [contra Flávio] e provavelmente esse episódio vai ser citado nisso. A prisão pode ser decretada imediatamente pelo STF, é possível, sim, a PGR pedir a prisão e ela ser decretada.”

  • Após ocupação e denúncia de violência policial, alunos da USP levam mobilização ao centro de São Paulo

    Estudantes da Universidade de São Paulo realizaram uma nova manifestação na noite de quarta-feira, 13 de maio de 2026, na região central da capital paulista. O ato ocorreu em meio a uma greve estudantil que se estende há quase um mês e tem como foco a abertura de negociação com a reitoria da universidade sobre políticas de permanência e gestão interna. Rubinho Nunes entrou em confronto físico com alunos da USP | Danilo Verpa/Folhapress Os estudantes reivindicam reforço das políticas de permanência estudantil, fim da terceirização dos restaurantes universitários, participação na gestão dos espaços estudantis e reversão de cortes no orçamento da universidade. A mobilização ocorreu em deslocamento entre a Avenida Paulista e a Praça Roosevelt, após a ocupação da reitoria no campus da Cidade Universitária na semana anterior, que foi encerrada no domingo após reintegração do prédio e denúncias de uso de força policial. Heitor Vinícius, integrante do comando de greve do Diretório Central dos Estudantes da USP e estudante de Ciências Sociais, declarou: “O que a gente está construindo é uma greve pacífica e a gente tem como perspectiva conseguir a mesa de negociação. A nossa luta tem sido basicamente por melhoria das qualidades de ensino, principalmente nas questões de permanência da universidade. As pautas estão se somando [às mobilizações em outras universidades e dos professores municipais] contra o projeto de privatização do serviço público e da precarização do estudo e da educação como um todo”. A ocupação da reitoria ocorreu na semana anterior e terminou com reintegração do prédio no domingo, após intervenção policial. Estudantes relataram denúncias relacionadas à atuação das forças de segurança durante a desocupação. Após o episódio, os atos passaram a ocorrer em espaços públicos no centro da cidade. A reitoria da USP informou que foi instituída uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional com a finalidade de estabelecer interlocução com a representação estudantil. Segundo a instituição, a primeira reunião da comissão será agendada nos próximos dias. A mobilização estudantil contou com apoio de professores da rede municipal de ensino que realizam reivindicações salariais e de parlamentares ligados a partidos de esquerda, que participaram das manifestações realizadas na capital paulista.

  • Aliados de Lula buscam construir frente ampla em MG diante de força conservadora no estado

    Em Belo Horizonte, movimentos sociais, partidos e sindicatos articulam um encontro estadual marcado para 30 de maio, dentro do Movimento Lula por Minas e pelos Gerais. A atividade ocorre na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, das 8h às 17h, e reúne debates sobre conjuntura política e estratégias eleitorais para outubro de 2026. A mobilização integra uma série de plenárias regionais em curso no estado. Presidente Lula O evento, segundo os organizadores, busca consolidar discussões sobre a situação política nacional e estadual, além de organizar diretrizes para a disputa eleitoral. Entre os temas apontados estão o avanço de forças de direita no cenário político brasileiro e as disputas em torno da política externa e da soberania nacional na América Latina. A leitura apresentada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) associa esse contexto a disputas geopolíticas mais amplas, incluindo relações com o governo dos Estados Unidos. Em declaração, Joceli Andrioli, integrante da coordenação nacional do MAB, afirmou: “Nós sabemos que vivemos uma conjuntura geopolítica internacional complicada, que pretende botar de joelhos o Brasil e a América Latina, a serviço do imperialismo norte-americano. Precisamos, enquanto organizações sociais, movimentos populares, partidos políticos de esquerda e movimento sindical, nos colocar de pé para defender um projeto nacional e a nossa soberania”. A deputada estadual e presidente do PT em Minas Gerais, Leninha, afirma que o encontro tem caráter de articulação política e organização de base. Segundo ela, o objetivo é integrar iniciativas regionais e estruturar propostas para as eleições de 2026, com base em debates locais e setoriais. O evento também inclui discussões sobre comunicação e uso de redes digitais no processo eleitoral. Leninha declarou: “Trata-se de um momento estratégico para alinhar prioridades, discutir o futuro de Minas Gerais e preparar a militância para os desafios das eleições de 2026, consolidando um projeto coletivo construído a partir das realidades regionais”. O processo preparatório inclui encontros regionais em diferentes áreas do estado, como Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha, Vale do Aço, Região Metropolitana, Sul e Triângulo. Segundo a organização, essas etapas servem para levantamento de pautas locais e construção de propostas para o encontro estadual. A programação prevê dois blocos principais no dia 30 de maio. Pela manhã, haverá análise da conjuntura política nacional e estadual com lideranças políticas. À tarde, será realizado planejamento de ações regionais e articulação entre movimentos e organizações. Entre os temas internos do campo político envolvido no encontro está a definição de candidaturas ao governo de Minas Gerais, ao Senado e ao legislativo estadual. Segundo a organização, ainda não há definição sobre um nome para a disputa majoritária no estado. Joceli Andrioli afirmou: “Está sendo discutida, a nível nacional, uma composição de candidatura forte em Minas Gerais, com capacidade de derrotar a extrema direita e o fascismo”. Leninha afirmou que a definição de candidaturas ocorre por meio de diálogo entre direção partidária, aliados e base social. Segundo ela, o processo envolve negociação interna e construção de consenso entre partidos e movimentos. O cenário político em Minas Gerais é descrito pelos organizadores como marcado pela presença de forças de direita e extrema direita no governo estadual desde 2019, sob gestão de Romeu Zema (Novo). O debate do encontro inclui avaliações sobre políticas públicas, privatizações e disputas eleitorais no estado. Segundo a organização, o encontro também prevê balanço das políticas do governo federal e avaliação de resultados de programas sociais e investimentos. Entre os pontos citados estão impactos de políticas públicas em diferentes regiões do estado. O evento inclui ainda discussões sobre comunicação política, com foco no uso de mídias digitais durante o período eleitoral de 2026, além da articulação de agendas regionais e definição de pautas programáticas para Minas Gerais.

  • O que está por trás do projeto “E1”, apontado como ameaça à criação de um Estado palestino

    Em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, projetos de assentamentos israelenses seguem ligados ao plano “E1” e a medidas de integração territorial que afetam a separação entre áreas palestinas. O projeto busca conectar blocos de assentamentos entre Ma’ale Adumim e Jerusalém, reduzindo a continuidade territorial palestina na Cisjordânia. As ações ocorrem em meio a operações militares e restrições de circulação em cidades como Hebron. Foto: JAAFAR ASHTIYEH/AFP via Getty Images Na quinta-feira, colonos israelenses entraram no complexo da Mesquita de Al-Aqsa sob proteção de forças israelenses, segundo o Departamento Islâmico de Waqf. O órgão informou que os acessos ocorreram pelo Portão Mughrabi e incluíram práticas religiosas no pátio, com presença de membros do Knesset como Yehuda Glick e Ariel Kellner. No mesmo período, a polícia israelense impôs restrições a fiéis palestinos, com revistas e retenção de documentos nos acessos ao local. As ações ocorreram durante a chamada “Marcha da Bandeira”, realizada na Cidade Velha de Jerusalém, em referência à ocupação de Jerusalém em 1967. Autoridades israelenses determinaram o fechamento de lojas palestinas na Cidade Velha antes da passagem da marcha. A organização coincidiu com movimentações de colonos em áreas urbanas palestinas sob proteção militar, incluindo Hebron. O pesquisador Rayan Abed al-Razeq, em análise publicada em 14 de maio de 2026, relaciona o plano “E1” a estratégias políticas apresentadas em 2017 por Bezalel Smotrich, hoje ministro das Finanças de Israel. Smotrich afirmou: “As realidades no terreno alteram as percepções e ditam uma nova realidade, e os blocos de assentamentos provarão isso”. O plano “E1”, proposto em 1993, está localizado na Área C da Cisjordânia entre Ma’ale Adumim e Pisgat Ze’ev. O projeto prevê a separação entre Jerusalém Oriental e o restante da Cisjordânia e envolve a apropriação de terras palestinas. Em 2025, o governo israelense aprovou a integração de Ma’ale Adumim a Jerusalém, medida associada a declarações de Smotrich de que o Estado palestino teria sido encerrado em termos políticos. Em 11 de setembro de 2025, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aprovou planos de expansão de assentamentos e destinou 3 bilhões de shekels para mais de 7.600 unidades habitacionais. Netanyahu declarou: “Ma'ale Adumim faz parte de nossa terra; o que estamos fazendo aqui é tornar uma visão realidade”. No mesmo período, documentos oficiais passaram a utilizar o termo “Judeia e Samaria” em substituição a “Cisjordânia”, com registros aplicados a áreas entre Ma’ale Adumim e Jericó. O texto aponta que autorizações de acesso foram emitidas para localidades como Beit Iksa, Nabi Samuil e Al-Halayilah, com restrições de circulação para moradores palestinos. O pesquisador relaciona essas medidas a mudanças administrativas e territoriais vinculadas à implementação do plano “E1”. O enquadramento jurídico citado no texto inclui a Convenção de Haia de 1907, a Quarta Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, que tratam da transferência de população civil para territórios ocupados. A Resolução 2334 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 23 de dezembro de 2016, define os assentamentos como sem validade jurídica. A Assembleia Geral das Nações Unidas, em resoluções de 15 de dezembro de 2025, reafirmou a ilegalidade dos assentamentos e citou parecer da Corte Internacional de Justiça de 9 de julho de 2024 sobre a presença israelense nos territórios ocupados desde 1967. O texto também menciona a Resolução 67/19 de 2012 sobre autodeterminação palestina e a definição de fronteiras de 4 de junho de 1967 para um futuro Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital. Em 6 de maio de 2026, 448 ex-funcionários europeus enviaram carta à União Europeia pedindo medidas contra o plano “E1”, incluindo sanções e restrições comerciais. Em 11 de maio de 2026, o Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia tratou do tema e adotou sanções limitadas contra indivíduos e entidades. Propostas para suspensão do Tratado de Associação UE-Israel de 1995 foram rejeitadas por exigência de unanimidade entre os 27 Estados-membros. O texto cita o Artigo 2 do tratado sobre direitos humanos e dignidade humana. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos registrou em 11 de junho de 2020 decisão sobre liberdade de expressão em caso ligado ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções, com referência à posição sobre produtos de assentamentos e enquadramento desses assentamentos como violação do direito internacional. A análise cita ainda resoluções da ONU sobre empresas envolvidas em atividades de assentamentos, incluindo lista do Conselho de Direitos Humanos com 153 empresas de 11 países, e indica obrigação de medidas estatais para interrupção de atividades econômicas vinculadas aos assentamentos. O texto registra expansão de assentamentos além do plano “E1”, incluindo áreas ao norte de Jenin e ampliação do assentamento de Beit El com mais de 1.200 unidades habitacionais.

  • "BRICS se tornará um dos pilares de uma nova ordem mundial equilibrada." Ministério das Relações Exteriores do Irã

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que o BRICS deve ocupar posição central na formação de uma nova ordem mundial. Em discurso durante reunião do bloco em Nova Delhi, ele defendeu um sistema internacional baseado em maior equilíbrio e menor assimetria de poder. Araghchi também declarou que povos que defendem soberania e independência podem enfrentar dificuldades, mas não serão derrotados. Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi | Foto: Arif Hudaverdi Yaman/Anadolu via Getty Images A reunião de chanceleres do BRICS ocorre nos dias 14 e 15 de maio, sob presidência da Índia, com sessões dedicadas a temas de governança global, cooperação econômica e reestruturação do sistema multilateral. O encontro inclui três eixos de discussão: “Questões Globais e Regionais”, “20 anos do BRICS: esforços conjuntos para resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade” e “Reforma da governança global e do sistema multilateral”. Em mensagem divulgada em seu canal no Telegram, Araghchi afirmou que “o BRICS pode e deve se tornar um dos principais pilares na formação de uma ordem mundial mais justa, equilibrada e humana”. Em outro trecho do discurso, ele declarou: “Os povos que defendem sua dignidade e independência podem enfrentar dificuldades significativas, mas jamais serão derrotados”. O BRICS foi criado em 2006 com Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, a África do Sul passou a integrar o grupo. Em 1º de janeiro de 2024, Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia ingressaram como membros plenos. Em 6 de janeiro de 2025, a Indonésia entrou no bloco. Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão foram incorporados como países parceiros em 1º de janeiro de 2025, seguidos pela Nigéria em 17 de janeiro e pelo Vietnã em 14 de junho.

  • “Trump não gosta de perdedores”, diz Amanda Harumy sobre impacto do caso Vorcaro na relação entre bolsonarismo e EUA

    A revelação das negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma crise no campo bolsonarista e levantou dúvidas sobre a capacidade da extrema direita brasileira manter apoio político nos Estados Unidos. A analista internacional Amanda Harumy afirmou que o desgaste ocorre após aproximação entre Lula e Donald Trump durante reunião realizada nos Estados Unidos na semana passada. O caso também reacendeu debates sobre interferência estadunidense na política latino-americana e sobre a atuação de grupos da extrema direita articulados entre Washington, Tel Aviv e governos aliados da região. Flávio Bolsonaro | ARQUIVO Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Amanda Harumy afirmou que o momento representa um abalo na relação construída entre o bolsonarismo e setores da extrema direita estadunidense ligados ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio. Segundo a analista, o ponto máximo dessa aproximação ocorreu quando Eduardo Bolsonaro passou a atuar nos Estados Unidos em defesa de medidas contra o Brasil caso Jair Bolsonaro fosse condenado e preso. “Havia naquela ocasião um claro alinhamento a partir da interlocução de Eduardo Bolsonaro com Marco Rubio”, afirmou Harumy. Segundo ela, o cenário mudou após os desdobramentos políticos e financeiros envolvendo o Banco Master e as denúncias reveladas pelo site Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro. A reportagem do Intercept revelou mensagens e documentos relacionados à negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões, entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem. O material inclui registros de pagamentos, cronogramas financeiros e mensagens trocadas entre o senador e o banqueiro antes da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025. Harumy afirmou que o escândalo afeta a imagem internacional do bolsonarismo junto a setores políticos e empresariais ligados à extrema direita estadunidense. “Hoje a gente vive um momento de muitas dúvidas sobre o interesse de os EUA intervirem nas nossas eleições, seja de maneira econômica, política ou comunicacional, lembrando das forças das big techs”, declarou. A analista relacionou a viagem de Lula aos Estados Unidos à tentativa do governo brasileiro de consolidar canais diplomáticos com diferentes centros de poder internacional. Segundo ela, a reunião entre Lula e Donald Trump produziu uma imagem de estabilidade institucional em contraste com a crise enfrentada pelo bolsonarismo após as denúncias envolvendo o Banco Master. “Uma das estratégias de Lula, considerando sua personalidade política, é mostrar que ele tem capacidade de governar o Brasil e dialogar com diferentes forças políticas, que é o que ele foi fazer quando se reuniu com Trump”, afirmou. “Podemos dizer que temos uma reunião positiva na semana passada com os EUA e que as relações internacionais são, sim, importantes para nossas disputas internas.” Amanda Harumy também associou a atuação da extrema direita internacional a uma estratégia de reorganização política continental voltada contra governos progressistas latino-americanos. Durante a entrevista, ela mencionou o episódio apelidado de “Hondurasgate”, relacionado à articulação envolvendo Donald Trump, Benjamin Netanyahu e aliados regionais em defesa do ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández. “Com certeza eles possuem um clube de amigos e isso ficou claro agora com o Hondurasgate, que mostra o Netanyahu, Trump, todos eles dialogando sobre o indulto do ex-presidente de Honduras com o objetivo de reorganizar os líderes na América Latina para frear as lideranças progressistas, como Petro, Sheinbaum, e escalando, agora para Lula”, declarou. Segundo Harumy, existe coordenação política entre governos e grupos da extrema direita ligados a interesses econômicos internacionais na América Latina. “Eles possuem um interesse comum que é dominar a América Latina e decidir o futuro das nossas riquezas a partir dos interesses desse grupo político e da elite internacional que é a extrema direita”, afirmou. A analista também declarou que o núcleo de sustentação internacional do bolsonarismo nos Estados Unidos não depende apenas de Donald Trump, mas da relação construída com Marco Rubio e setores financeiros ligados ao Partido Republicano. Ela afirmou que os áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro revelam conexões entre grupos empresariais e operadores políticos ligados à extrema direita internacional. “O ideal é avaliar se essa força internacional de alinhamento com o Trump continua sólida. Lembrando que eles fazem parte da mesma elite, uma elite financeira. Nos áudios, eles falam muito sobre Dubai”, afirmou Harumy. Ao comentar o impacto político do escândalo, a analista declarou que Donald Trump tende a abandonar aliados considerados incapazes de preservar força eleitoral. “Eles são uma elite financeira, eles têm interesses definidos sobre o Brasil, sobre a eleição, mas o Trump não gosta de derrotados”, disse. Harumy também citou o posicionamento de Donald Trump em relação à líder venezuelana María Corina Machado. “Lembrando que ele não fez a passagem de governo para Maria Corina na Venezuela porque ele diz que ela não tem capacidade política”, afirmou.

  • O partido palestino Fatah elegerá seus líderes pela primeira vez em dez anos

    O movimento Fatah iniciou nesta quinta-feira a eleição de um novo comitê central pela primeira vez em dez anos. A votação ocorre enquanto o genocídio conduzido por Israel contra Gaza aprofunda a crise política palestina e amplia questionamentos sobre a direção da Autoridade Palestina. A conferência também ocorre sob pressão interna sobre o futuro político de Mahmoud Abbas, que permanece no comando do movimento após mais de duas décadas. Palestinos seguram bandeiras amarelas do movimento Fatah enquanto protestam em apoio às forças de segurança palestinas no campo de refugiados de Jenin, no norte da Cisjordânia, em 29 de dezembro de 2024. (Foto AP/Majdi Mohammed) A conferência geral do Fatah reúne dirigentes e quadros do movimento durante três dias para definir a nova composição do comitê central, órgão responsável pelas decisões políticas da organização fundada por Yasser Arafat. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina e líder do Fatah, chega ao encontro aos 90 anos sem apresentar sucessor político definido. A disputa interna pelo controle do comitê central ganhou peso porque o órgão deve influenciar a sucessão dentro da Autoridade Palestina e definir a posição do movimento diante da crise política aberta pelo genocídio em Gaza e pela deterioração da situação na Cisjordânia. Durante a abertura da conferência, Jibril Rajoub, secretário-geral do comitê central do Fatah, afirmou que o movimento enfrenta alguns dos “desafios mais sérios em nossa luta”. A declaração ocorre em meio à ampliação das operações israelenses em Gaza e ao aumento da pressão sobre estruturas políticas palestinas ligadas à Autoridade Palestina. A conferência acontece em um cenário marcado pela dependência financeira e política da Autoridade Palestina em relação a potências ocidentais e mecanismos de coordenação estabelecidos após os Acordos de Oslo de 1993. O modelo criado pelos acordos patrocinados pelos Estados Unidos transferiu parte da administração civil palestina para a Autoridade Palestina, enquanto Israel manteve controle militar sobre fronteiras, espaço aéreo, circulação e expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada. A eleição do novo comitê central ocorre enquanto Israel mantém operações militares em Gaza, amplia ataques na Cisjordânia e acelera projetos de colonização territorial apoiados por setores da extrema direita israelense integrados ao governo de Benjamin Netanyahu.

  • Zema é o primeiro a romper com Flávio Bolsonaro após escândalo do Banco Master

    O avanço das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master abriu fissuras no campo da extrema direita brasileira. Os pré-candidatos Romeu Zema e Ronaldo Caiado cobraram explicações públicas sobre a negociação de R$ 134 milhões entre o senador do PL e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A crise atinge o núcleo político que construiu sua imagem eleitoral com o discurso contra corrupção e contra relações entre Estado e grupos financeiros. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em evento no Palácio da Alvorada, em Brasília-DF - 04/10/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado) O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tornou-se o primeiro aliado do bolsonarismo a romper publicamente com Flávio Bolsonaro após a divulgação das mensagens e documentos revelados pelo site Intercept. Em publicação nas redes sociais na terça-feira, 13 de maio, Zema classificou o caso como “um tapa na cara dos brasileiros” e afirmou que o senador precisa explicar sua relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a reportagem do Intercept, Flávio Bolsonaro negociou um aporte de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, destinado à produção do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre Jair Bolsonaro prevista para estrear em 11 de setembro de 2026, semanas antes da eleição presidencial. Os registros obtidos pelo veículo incluem mensagens, cronogramas de desembolso e comprovantes bancários relacionados ao pagamento das parcelas. Do total negociado, cerca de R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025. A divulgação de mensagens de Flávio Bolsonaro dirigidas a Vorcaro ampliou o desgaste político do senador. Em um dos diálogos revelados, enviado em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 sob acusação de operar um esquema de fraude financeira que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. O caso passou a atingir diretamente setores da extrema direita que mantinham relações políticas e econômicas com o banqueiro. Ao comentar o episódio, Zema afirmou que “não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”. O ex-governador mineiro também declarou que “é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, vinculando o escândalo ao desgaste do discurso anticorrupção adotado pelo bolsonarismo desde 2018. O posicionamento de Zema ocorre em meio à disputa interna da direita brasileira para definir uma candidatura presidencial capaz de substituir Jair Bolsonaro, que segue inelegível. O escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro fortalece a movimentação de setores conservadores ligados a governadores e grupos empresariais que tentam construir uma alternativa eleitoral sem dependência direta da família Bolsonaro. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado também reagiu às denúncias e exigiu esclarecimentos públicos sobre a relação entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master. Em declaração divulgada na terça-feira, Caiado afirmou que “tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população”. Caiado acrescentou que “o Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”. A declaração foi interpretada em Brasília como sinal de distanciamento político em relação ao senador do PL e ao núcleo bolsonarista. O caso também expôs disputas internas dentro da extrema direita entre grupos ligados ao capital financeiro, setores do agronegócio e operadores políticos associados ao governo Jair Bolsonaro. O Banco Master expandiu suas operações durante o período bolsonarista, com crescimento em áreas ligadas ao mercado de crédito, fundos financeiros e operações de alto risco. A revelação das negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” atingiu um dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo: o discurso contra privilégios políticos e contra alianças entre empresários e agentes públicos. O escândalo também ampliou a pressão sobre Flávio Bolsonaro no momento em que ele tentava consolidar sua pré-candidatura à Presidência da República para 2026.

  • Incursões israelenses em larga escala em Jerusalém ocupada

    Grupos de colonos israelenses invadiram o complexo da Mesquita de Al-Aqsa nesta quinta-feira sob proteção das forças israelenses de ocupação em Jerusalém ocupada. As incursões ocorreram durante o lançamento da chamada “Marcha da Bandeira”, ato realizado por Israel para celebrar a ocupação de Jerusalém Oriental em 1967. Autoridades palestinas e movimentos de resistência denunciaram medidas para restringir a presença palestina no local sagrado e alterar o status histórico da mesquita. Marcha das Bandeiras, na Palestina Ocupada ©ARQUIVO O Departamento Islâmico de Waqf informou que os colonos entraram no complexo de Al-Aqsa pelo Portão Mughrabi enquanto tropas israelenses cercavam áreas próximas e impunham restrições aos palestinos. Durante a invasão, grupos de colonos realizaram rituais talmúdicos nos pátios da mesquita, incluindo uma “prostração épica” nas proximidades do Portão Al-Rahma, conhecido como Portão da Misericórdia. Entre os participantes da incursão estavam integrantes do Knesset israelense, incluindo Yehuda Glick e Ariel Kellner. Glick tornou-se conhecido nos últimos anos por defender mudanças no controle administrativo e religioso do complexo de Al-Aqsa, local administrado historicamente pelo Waqf islâmico jordaniano. As forças israelenses impuseram medidas de restrição contra os palestinos que tentavam acessar a mesquita. Policiais israelenses realizaram revistas corporais, bloquearam entradas e confiscaram documentos de identidade nos portões do complexo religioso, limitando o acesso de fiéis palestinos. As incursões ocorreram simultaneamente ao início da chamada “Marcha da Bandeira”, evento organizado por grupos nacionalistas israelenses para marcar a ocupação de Jerusalém Oriental após a guerra de 1967. Centenas de colonos marcharam pelas ruas da Cidade Velha de Jerusalém carregando bandeiras israelenses, entoando palavras de ordem e realizando atos provocativos em áreas palestinas. Autoridades israelenses ordenaram ainda o fechamento de lojas palestinas na Cidade Velha antes da passagem da marcha. Comerciantes palestinos foram obrigados a encerrar atividades ao meio-dia por determinação das forças de ocupação israelenses. O especialista em assuntos de Jerusalém Ziad Abhis afirmou que Israel executa um plano gradual para alterar a realidade política e religiosa em Al-Aqsa. Segundo ele, o processo começou com incursões às quintas-feiras e avança para entradas noturnas, podendo alcançar também as sextas-feiras. Abhis descreveu as medidas israelenses como parte de uma escalada voltada à modificação do status quo estabelecido historicamente no complexo da mesquita. O controle administrativo de Al-Aqsa permanece oficialmente sob responsabilidade do Waqf islâmico, enquanto Israel mantém controle militar da área após a ocupação de Jerusalém Oriental em 1967. O movimento palestino Hamas afirmou que as medidas israelenses fazem parte de uma política voltada à redução da presença palestina em Jerusalém ocupada e ao esvaziamento da Mesquita de Al-Aqsa. O grupo convocou palestinos a ampliarem presença no local e pediu apoio de países árabes e muçulmanos diante das ações israelenses em Jerusalém. As incursões em Al-Aqsa ocorreram enquanto Israel mantém operações militares na Cisjordânia ocupada e prossegue com o genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza iniciado em outubro de 2023.

  • Escândalo com Banco Master vira “desastre” para Flávio Bolsonaro e embaralha disputa da extrema direita

    A revelação de negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro ampliou a crise política no campo da extrema direita brasileira. Cientistas políticos afirmam que o caso enfraquece a pré-candidatura presidencial do senador do PL e abre espaço para nomes como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. As denúncias surgem após a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025. Flávio Bolsonaro | Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images Mensagens e documentos divulgados pelo site Intercept Brasil apontam que Flávio Bolsonaro negociou um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro prevista para estrear em 11 de setembro de 2026, semanas antes da eleição presidencial. Segundo o Intercept, ao menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025. Os registros incluem cronogramas de desembolso, comprovantes bancários e cobranças relacionadas ao pagamento das parcelas da produção cinematográfica. As mensagens divulgadas mostram interlocução direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. No dia seguinte à mensagem, Vorcaro foi preso sob acusação de operar esquema de fraude que provocou rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. O longa “Dark Horse” conta com o ator Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro e direção de Cyrus Nowrasteh. A produção foi apresentada por aliados bolsonaristas como peça de reconstrução política da imagem do ex-presidente após investigações judiciais e desgaste eleitoral. O cientista político Rudá Ricci afirmou ao Brasil de Fato que a denúncia representa sequência de crises para o grupo político ligado a Jair Bolsonaro. Segundo ele, o episódio enfraquece a estratégia eleitoral construída em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. “É um desastre, porque é uma sequência de notícias ruins para a campanha do Flávio. Você tem a ida do Lula para os Estados Unidos, que bloqueia a narrativa da família Bolsonaro de que eles são muito próximos do Trump. Nós tivemos o caso do Ciro Nogueira [acusado de receber mesada do Banco Master]. E a gente mal começa a semana e vem essa explosão”, declarou Ricci. O pesquisador citou ainda pesquisas eleitorais recentes da Quaest que apontariam redução da rejeição ao presidente Lula e perda de força da candidatura de Flávio Bolsonaro. A cientista política Mara Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais, afirmou que Flávio Bolsonaro era visto como um dos nomes mais competitivos da extrema direita por não ocupar cargo no Executivo federal. “Eu sempre defendi que o Flávio era um dos candidatos mais competitivos, justamente porque ele não estava no Executivo e seria difícil encontrar um esqueleto dele. E quem não está em cargos sempre pode produzir sentimentos de esperança, de mudança”, afirmou. Apesar do impacto das denúncias, os pesquisadores divergiram sobre quem tende a ocupar espaço no campo da extrema direita caso Flávio Bolsonaro seja enfraquecido eleitoralmente. Para Rudá Ricci, o bolsonarismo ainda possui capacidade de transferir apoio para Michelle Bolsonaro. Já Mara Telles apontou os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado como beneficiários possíveis da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master. “O Zema não saiu do governo de Minas para ser candidato a governador. Ele não saiu para brincar; ele não saiu para ser vice do Flávio. Ele está em um estado muito importante na federação, o segundo maior colégio eleitoral, e ele tem muito controle das prefeituras”, declarou a professora. Horas após a divulgação das denúncias pelo Intercept Brasil, Romeu Zema publicou posicionamento em redes sociais classificando o episódio como “imperdoável” e “um tapa na cara dos brasileiros”. Mara Telles também citou Ronaldo Caiado como nome fortalecido diante da crise bolsonarista. “De outro lado, temos o Ronaldo Caiado, um dos governadores mais bem avaliados do país, sobretudo no tema que a opinião pública está preocupada, que é o da segurança”, afirmou. Os cientistas políticos avaliam que o escândalo pode beneficiar o presidente Lula no curto prazo. Ao mesmo tempo, alertam que a denúncia surgiu antes do período oficial de consolidação das candidaturas presidenciais para 2026 e que o campo da extrema direita ainda pode reorganizar alianças até as convenções partidárias do segundo semestre. A crise envolvendo Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao avanço de investigações sobre o Banco Master, instituição financeira que ampliou operações durante os anos do governo Jair Bolsonaro. O banco passou a operar em segmentos ligados ao crédito consignado e ao mercado financeiro após mudanças regulatórias implementadas no período.

  • Motosserra em Milei: Crise econômica e escândalos de corrupção derrubam aprovação de presidente argentino

    O presidente argentino Javier Milei registra os piores índices de rejeição desde que assumiu a Casa Rosada em dezembro de 2023. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontam desaprovação superior a 60% em meio a denúncias de corrupção, recessão econômica e desgaste do discurso “anticasta”. Dados econômicos mostram retração da atividade industrial, aumento do desemprego e crescimento da informalidade enquanto o governo mantém políticas de austeridade apoiadas pelo capital financeiro internacional. Foto: Tomas Cuesta/Getty Images Levantamento da Atlas Intel divulgado no fim de abril apontou 63% de rejeição ao governo Milei e 35% de aprovação. Outra pesquisa, produzida pela consultoria Zentrix, mostrou que 66,6% da população considera que o governo abandonou a promessa de combate à corrupção e passou a integrar a mesma “casta política” denunciada pelo presidente durante a campanha eleitoral. A retórica antipolítica utilizada por Milei durante a eleição presidencial de 2023 foi construída em torno do ataque ao Estado argentino, aos partidos tradicionais e ao peronismo. O presidente prometeu desmontar estruturas públicas, eliminar regulações econômicas e reduzir programas sociais em nome do ajuste fiscal exigido pelo mercado financeiro e pelos organismos multilaterais alinhados à política econômica estadunidense. Desde o início do mandato, o governo argentino passou a enfrentar denúncias envolvendo integrantes da Casa Rosada e aliados políticos de Milei. Entre os casos investigados estão o escândalo envolvendo a criptomoeda Libra, irregularidades no armazenamento de alimentos no Ministério do Capital Humano, suspeitas sobre contratos farmacêuticos ligados à irmã do presidente, Karina Milei, e investigações sobre integrantes do núcleo político do governo. O governo argentino nega irregularidades e os processos ainda não foram concluídos pela Justiça. O episódio mais recente envolve Manuel Adorni, chefe de gabinete e ex-porta-voz da Casa Rosada. Investigações apuram a aquisição de imóveis de alto valor considerados incompatíveis com a renda declarada pelo funcionário, estimada em cerca de R$ 12 mil mensais no câmbio atual. Adorni nega enriquecimento ilícito e afirma que seu patrimônio possui origem legal. Javier Milei saiu em defesa de Adorni e declarou que preferiria perder eleições a abandonar seu aliado político. A declaração provocou repercussão entre setores que apoiaram o discurso “anticasta” utilizado pelo presidente contra governos anteriores. O cientista político Ivan Schulliaquier, professor da Universidade San Martín, afirmou à Opera Mundi que o impacto político dos escândalos aumentou em meio ao agravamento das condições econômicas da população argentina. Segundo ele, houve deterioração da renda e do poder de compra da população. “Também se colocou em risco a confiabilidade das estatísticas oficiais, depois das mudanças metodológicas e saídas de técnicos responsáveis por indicadores sociais, ampliando a desconfiança nos dados divulgados pelo governo, como a redução da inflação e da pobreza”, afirmou Schulliaquier. Apesar da queda de popularidade, o pesquisador declarou que Milei ainda mantém uma base política próxima de 35% da população. “Ainda há um núcleo forte que segue apoiando o governo, como vemos nas pesquisas”, disse. O cientista social argentino Alejo Pasetto, chefe de análise política da Epyca Consultores, afirmou que o aumento do custo de vida, o fechamento de empresas e a precarização do trabalho ampliaram a insatisfação social no país. Segundo ele, os casos de corrupção aprofundaram o desgaste político do governo. “A crise econômica, impulsionada pelo aumento do custo de vida, fechamento de empresas e precarização do trabalho, é agravada pelos escândalos de corrupção e pela crise política da qual o governo não conseguiu sair ileso”, declarou. O desgaste político do governo também atingiu a relação da Casa Rosada com a imprensa argentina. O governo Milei proibiu jornalistas credenciados de participarem de coletivas após acusações relacionadas a gravações dentro da sede presidencial. A medida foi revertida após repercussão pública. Um jornalista argentino ouvido sob anonimato relatou à reportagem da Opera Mundi ter sofrido pressão interna após investigar denúncias envolvendo o governo Milei. Quando assumiu a presidência, Javier Milei declarou que os argentinos deveriam suportar um período de “sacrifício” para equilibrar as contas públicas e reduzir a inflação. O governo implementou cortes de gastos públicos, redução de investimentos estatais e retração de programas sociais. Dois anos e meio depois, indicadores econômicos mostram redução da inflação anual de cerca de 250% para aproximadamente 33%, além da obtenção de superávit fiscal. Ao mesmo tempo, dados oficiais registram retração econômica e deterioração das condições de emprego. A atividade econômica argentina caiu 2,6% em fevereiro na comparação com janeiro e acumula retração de 2,1% em 12 meses. A produção industrial recuou 4% no mês e registra queda interanual de 8,7%. O desemprego chegou a 7,5% no quarto trimestre de 2025, acima dos 6,4% registrados no mesmo período do ano anterior. O índice representa cerca de 1,7 milhão de desempregados. Na região da Grande Buenos Aires, a taxa atingiu 8,6%. A informalidade alcançou quase 43% da população economicamente ativa do país. Economistas apontam que os setores que impulsionam o Produto Interno Bruto argentino possuem baixa capacidade de geração de empregos formais. O economista Francisco Cantamutto, pesquisador do Centro de Investigação Científica Conicet, afirmou que a Argentina atravessa uma década de estagnação econômica sem retomada sustentada do crescimento. Segundo ele, o governo Milei representa “uma versão extrema da ortodoxia econômica”. “O crescimento dos últimos anos foi puxado por poucos setores, mas isso não se traduz em criação de emprego”, afirmou. Cantamutto declarou que os setores ligados ao agronegócio exportador, mineração, hidrocarbonetos e intermediação financeira concentram o crescimento econômico argentino sem absorver parcela significativa da força de trabalho. “Nenhum desses setores é especialmente gerador de empregos”, disse. Segundo o pesquisador, a economia argentina registra substituição de empregos formais por trabalho informal e ocupações autônomas. “As pessoas trabalham mais horas, em jornadas extenuantes, para tentar alcançar uma renda suficiente”, afirmou. “A população está esgotada, sem recursos suficientes e sem perspectiva de futuro”, declarou Cantamutto. Pesquisas de intenção de voto mostram que Milei perdeu cerca de 10 pontos percentuais nos últimos cinco meses e aparece em empate técnico com o peronismo para as eleições presidenciais de 2027, oscilando entre 33% e 37%. O cientista político Facundo Cruz, da Universidade de Buenos Aires, afirmou que apenas parte da perda eleitoral do governo foi absorvida pelo peronismo. “Os outros cinco pontos foram para forças menores e indecisos”, declarou. Cruz afirmou que setores da base governista demonstram “desconcerto” e “desencanto” com o governo, mas declarou que Milei ainda pode recuperar apoio político caso consiga reduzir os efeitos dos escândalos e melhorar indicadores econômicos. A oposição argentina permanece fragmentada desde a prisão domiciliar de Cristina Kirchner em junho de 2025. Segundo Alejo Pasetto, setores oposicionistas tentam construir alianças para 2027 enquanto Milei ainda se beneficia da divisão política do campo adversário. “Diversos setores tentam construir alianças competitivas, mas Milei ainda se beneficia da fragmentação opositora”, afirmou Pasetto. Ivan Schulliaquier declarou que o apoio ao presidente argentino também está ligado à identidade antiperonista e antikirchnerista consolidada nos últimos anos. “Há algo interessante: as identidades políticas continuam importando”, disse. Segundo o pesquisador, a polarização política permanece intensa entre apoiadores e opositores do governo. Em janeiro de 2024, Milei registrava 49% de aprovação e 48% de rejeição. Pouco mais de dois anos depois, os índices se inverteram e a rejeição ultrapassou 60%.

  • Smotrich lidera ataque de colonos ao Túmulo de José, na Cisjordânia ocupada

    Centenas de colonos israelenses invadiram o Túmulo de José, em Nablus, na Cisjordânia ocupada, acompanhados pelo ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich. A incursão ocorreu sob escolta de tropas israelenses que cercaram áreas da cidade palestina durante a madrugada de quarta-feira. Smotrich declarou que Israel pretende manter presença permanente no local situado em área administrada pela Autoridade Palestina. Ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, rodeado por colonos no final da cerimônia de reassentamento de Sa-Nur, a sul de Jenin, na Cisjordânia ocupada, 19 de abril de 2026 | Marco Longari/AFP As forças israelenses entraram em Nablus durante as primeiras horas da manhã para garantir a chegada de grupos de colonos ao Túmulo de José. Tropas bloquearam acessos, instalaram postos militares e isolaram regiões próximas ao santuário localizado no leste da cidade palestina. A operação foi conduzida sob proteção militar enquanto centenas de colonos atravessavam áreas urbanas palestinas para realizar orações religiosas no local. O Túmulo de José permanece situado em território sob administração da Autoridade Palestina segundo os termos dos acordos de Oslo, assinados na década de 1990 sob mediação estadunidense. Bezalel Smotrich participou diretamente da incursão. O ministro israelense, integrante da coalizão liderada por Benjamin Netanyahu, declarou durante a visita que o governo israelense pretende consolidar presença fixa no local. “Nossa presença aqui no Túmulo de José, em plena luz do dia, é uma declaração clara: o povo de Israel está retornando para casa, para todas as partes de sua terra”, afirmou Smotrich durante a visita, que incluiu orações matinais. O Túmulo de José tornou-se ponto de tensão permanente entre palestinos e colonos israelenses nas últimas décadas. Israel utiliza operações militares para garantir acesso de colonos ao local religioso, mesmo após a transferência formal da administração de Nablus à Autoridade Palestina. Smotrich integra setores do governo israelense que defendem anexação de partes da Cisjordânia ocupada e ampliação dos assentamentos. O ministro também tem defendido medidas contra a criação de um Estado palestino e ampliação da presença israelense em áreas administradas pela Autoridade Palestina. A incursão em Nablus ocorreu enquanto operações militares israelenses continuam sendo realizadas em cidades palestinas da Cisjordânia, incluindo Jenin, Tulkarem e Hebron, em paralelo ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina na Faixa de Gaza desde outubro de 2023.

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