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“Trump não gosta de perdedores”, diz Amanda Harumy sobre impacto do caso Vorcaro na relação entre bolsonarismo e EUA

A revelação das negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma crise no campo bolsonarista e levantou dúvidas sobre a capacidade da extrema direita brasileira manter apoio político nos Estados Unidos. A analista internacional Amanda Harumy afirmou que o desgaste ocorre após aproximação entre Lula e Donald Trump durante reunião realizada nos Estados Unidos na semana passada. O caso também reacendeu debates sobre interferência estadunidense na política latino-americana e sobre a atuação de grupos da extrema direita articulados entre Washington, Tel Aviv e governos aliados da região.


Flávio Bolsonaro | ARQUIVO
Flávio Bolsonaro | ARQUIVO

Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Amanda Harumy afirmou que o momento representa um abalo na relação construída entre o bolsonarismo e setores da extrema direita estadunidense ligados ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio. Segundo a analista, o ponto máximo dessa aproximação ocorreu quando Eduardo Bolsonaro passou a atuar nos Estados Unidos em defesa de medidas contra o Brasil caso Jair Bolsonaro fosse condenado e preso.


“Havia naquela ocasião um claro alinhamento a partir da interlocução de Eduardo Bolsonaro com Marco Rubio”, afirmou Harumy. Segundo ela, o cenário mudou após os desdobramentos políticos e financeiros envolvendo o Banco Master e as denúncias reveladas pelo site Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro.


A reportagem do Intercept revelou mensagens e documentos relacionados à negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões, entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem. O material inclui registros de pagamentos, cronogramas financeiros e mensagens trocadas entre o senador e o banqueiro antes da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025.


Harumy afirmou que o escândalo afeta a imagem internacional do bolsonarismo junto a setores políticos e empresariais ligados à extrema direita estadunidense. “Hoje a gente vive um momento de muitas dúvidas sobre o interesse de os EUA intervirem nas nossas eleições, seja de maneira econômica, política ou comunicacional, lembrando das forças das big techs”, declarou.


A analista relacionou a viagem de Lula aos Estados Unidos à tentativa do governo brasileiro de consolidar canais diplomáticos com diferentes centros de poder internacional. Segundo ela, a reunião entre Lula e Donald Trump produziu uma imagem de estabilidade institucional em contraste com a crise enfrentada pelo bolsonarismo após as denúncias envolvendo o Banco Master.


“Uma das estratégias de Lula, considerando sua personalidade política, é mostrar que ele tem capacidade de governar o Brasil e dialogar com diferentes forças políticas, que é o que ele foi fazer quando se reuniu com Trump”, afirmou. “Podemos dizer que temos uma reunião positiva na semana passada com os EUA e que as relações internacionais são, sim, importantes para nossas disputas internas.”

Amanda Harumy também associou a atuação da extrema direita internacional a uma estratégia de reorganização política continental voltada contra governos progressistas latino-americanos. Durante a entrevista, ela mencionou o episódio apelidado de “Hondurasgate”, relacionado à articulação envolvendo Donald Trump, Benjamin Netanyahu e aliados regionais em defesa do ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández.


“Com certeza eles possuem um clube de amigos e isso ficou claro agora com o Hondurasgate, que mostra o Netanyahu, Trump, todos eles dialogando sobre o indulto do ex-presidente de Honduras com o objetivo de reorganizar os líderes na América Latina para frear as lideranças progressistas, como Petro, Sheinbaum, e escalando, agora para Lula”, declarou.

Segundo Harumy, existe coordenação política entre governos e grupos da extrema direita ligados a interesses econômicos internacionais na América Latina. “Eles possuem um interesse comum que é dominar a América Latina e decidir o futuro das nossas riquezas a partir dos interesses desse grupo político e da elite internacional que é a extrema direita”, afirmou.


A analista também declarou que o núcleo de sustentação internacional do bolsonarismo nos Estados Unidos não depende apenas de Donald Trump, mas da relação construída com Marco Rubio e setores financeiros ligados ao Partido Republicano. Ela afirmou que os áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro revelam conexões entre grupos empresariais e operadores políticos ligados à extrema direita internacional.


“O ideal é avaliar se essa força internacional de alinhamento com o Trump continua sólida. Lembrando que eles fazem parte da mesma elite, uma elite financeira. Nos áudios, eles falam muito sobre Dubai”, afirmou Harumy.


Ao comentar o impacto político do escândalo, a analista declarou que Donald Trump tende a abandonar aliados considerados incapazes de preservar força eleitoral. “Eles são uma elite financeira, eles têm interesses definidos sobre o Brasil, sobre a eleição, mas o Trump não gosta de derrotados”, disse.


Harumy também citou o posicionamento de Donald Trump em relação à líder venezuelana María Corina Machado. “Lembrando que ele não fez a passagem de governo para Maria Corina na Venezuela porque ele diz que ela não tem capacidade política”, afirmou.

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