O que está por trás do projeto “E1”, apontado como ameaça à criação de um Estado palestino
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Em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, projetos de assentamentos israelenses seguem ligados ao plano “E1” e a medidas de integração territorial que afetam a separação entre áreas palestinas. O projeto busca conectar blocos de assentamentos entre Ma’ale Adumim e Jerusalém, reduzindo a continuidade territorial palestina na Cisjordânia. As ações ocorrem em meio a operações militares e restrições de circulação em cidades como Hebron.

Na quinta-feira, colonos israelenses entraram no complexo da Mesquita de Al-Aqsa sob proteção de forças israelenses, segundo o Departamento Islâmico de Waqf. O órgão informou que os acessos ocorreram pelo Portão Mughrabi e incluíram práticas religiosas no pátio, com presença de membros do Knesset como Yehuda Glick e Ariel Kellner. No mesmo período, a polícia israelense impôs restrições a fiéis palestinos, com revistas e retenção de documentos nos acessos ao local.
As ações ocorreram durante a chamada “Marcha da Bandeira”, realizada na Cidade Velha de Jerusalém, em referência à ocupação de Jerusalém em 1967. Autoridades israelenses determinaram o fechamento de lojas palestinas na Cidade Velha antes da passagem da marcha. A organização coincidiu com movimentações de colonos em áreas urbanas palestinas sob proteção militar, incluindo Hebron.
O pesquisador Rayan Abed al-Razeq, em análise publicada em 14 de maio de 2026, relaciona o plano “E1” a estratégias políticas apresentadas em 2017 por Bezalel Smotrich, hoje ministro das Finanças de Israel. Smotrich afirmou: “As realidades no terreno alteram as percepções e ditam uma nova realidade, e os blocos de assentamentos provarão isso”.
O plano “E1”, proposto em 1993, está localizado na Área C da Cisjordânia entre Ma’ale Adumim e Pisgat Ze’ev. O projeto prevê a separação entre Jerusalém Oriental e o restante da Cisjordânia e envolve a apropriação de terras palestinas. Em 2025, o governo israelense aprovou a integração de Ma’ale Adumim a Jerusalém, medida associada a declarações de Smotrich de que o Estado palestino teria sido encerrado em termos políticos.
Em 11 de setembro de 2025, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aprovou planos de expansão de assentamentos e destinou 3 bilhões de shekels para mais de 7.600 unidades habitacionais. Netanyahu declarou: “Ma'ale Adumim faz parte de nossa terra; o que estamos fazendo aqui é tornar uma visão realidade”. No mesmo período, documentos oficiais passaram a utilizar o termo “Judeia e Samaria” em substituição a “Cisjordânia”, com registros aplicados a áreas entre Ma’ale Adumim e Jericó.
O texto aponta que autorizações de acesso foram emitidas para localidades como Beit Iksa, Nabi Samuil e Al-Halayilah, com restrições de circulação para moradores palestinos. O pesquisador relaciona essas medidas a mudanças administrativas e territoriais vinculadas à implementação do plano “E1”.
O enquadramento jurídico citado no texto inclui a Convenção de Haia de 1907, a Quarta Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, que tratam da transferência de população civil para territórios ocupados. A Resolução 2334 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 23 de dezembro de 2016, define os assentamentos como sem validade jurídica.
A Assembleia Geral das Nações Unidas, em resoluções de 15 de dezembro de 2025, reafirmou a ilegalidade dos assentamentos e citou parecer da Corte Internacional de Justiça de 9 de julho de 2024 sobre a presença israelense nos territórios ocupados desde 1967. O texto também menciona a Resolução 67/19 de 2012 sobre autodeterminação palestina e a definição de fronteiras de 4 de junho de 1967 para um futuro Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital.
Em 6 de maio de 2026, 448 ex-funcionários europeus enviaram carta à União Europeia pedindo medidas contra o plano “E1”, incluindo sanções e restrições comerciais. Em 11 de maio de 2026, o Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia tratou do tema e adotou sanções limitadas contra indivíduos e entidades.
Propostas para suspensão do Tratado de Associação UE-Israel de 1995 foram rejeitadas por exigência de unanimidade entre os 27 Estados-membros. O texto cita o Artigo 2 do tratado sobre direitos humanos e dignidade humana.
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos registrou em 11 de junho de 2020 decisão sobre liberdade de expressão em caso ligado ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções, com referência à posição sobre produtos de assentamentos e enquadramento desses assentamentos como violação do direito internacional.
A análise cita ainda resoluções da ONU sobre empresas envolvidas em atividades de assentamentos, incluindo lista do Conselho de Direitos Humanos com 153 empresas de 11 países, e indica obrigação de medidas estatais para interrupção de atividades econômicas vinculadas aos assentamentos.
O texto registra expansão de assentamentos além do plano “E1”, incluindo áreas ao norte de Jenin e ampliação do assentamento de Beit El com mais de 1.200 unidades habitacionais.



































