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Zema é o primeiro a romper com Flávio Bolsonaro após escândalo do Banco Master

O avanço das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master abriu fissuras no campo da extrema direita brasileira. Os pré-candidatos Romeu Zema e Ronaldo Caiado cobraram explicações públicas sobre a negociação de R$ 134 milhões entre o senador do PL e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A crise atinge o núcleo político que construiu sua imagem eleitoral com o discurso contra corrupção e contra relações entre Estado e grupos financeiros.


O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em evento no Palácio da Alvorada, em Brasília-DF - 04/10/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em evento no Palácio da Alvorada, em Brasília-DF - 04/10/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tornou-se o primeiro aliado do bolsonarismo a romper publicamente com Flávio Bolsonaro após a divulgação das mensagens e documentos revelados pelo site Intercept. Em publicação nas redes sociais na terça-feira, 13 de maio, Zema classificou o caso como “um tapa na cara dos brasileiros” e afirmou que o senador precisa explicar sua relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.


Segundo a reportagem do Intercept, Flávio Bolsonaro negociou um aporte de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, destinado à produção do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre Jair Bolsonaro prevista para estrear em 11 de setembro de 2026, semanas antes da eleição presidencial. Os registros obtidos pelo veículo incluem mensagens, cronogramas de desembolso e comprovantes bancários relacionados ao pagamento das parcelas.


Do total negociado, cerca de R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025. A divulgação de mensagens de Flávio Bolsonaro dirigidas a Vorcaro ampliou o desgaste político do senador. Em um dos diálogos revelados, enviado em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.


Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 sob acusação de operar um esquema de fraude financeira que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. O caso passou a atingir diretamente setores da extrema direita que mantinham relações políticas e econômicas com o banqueiro.


Ao comentar o episódio, Zema afirmou que “não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”. O ex-governador mineiro também declarou que “é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, vinculando o escândalo ao desgaste do discurso anticorrupção adotado pelo bolsonarismo desde 2018.


O posicionamento de Zema ocorre em meio à disputa interna da direita brasileira para definir uma candidatura presidencial capaz de substituir Jair Bolsonaro, que segue inelegível. O escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro fortalece a movimentação de setores conservadores ligados a governadores e grupos empresariais que tentam construir uma alternativa eleitoral sem dependência direta da família Bolsonaro.


O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado também reagiu às denúncias e exigiu esclarecimentos públicos sobre a relação entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master. Em declaração divulgada na terça-feira, Caiado afirmou que “tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população”.


Caiado acrescentou que “o Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”. A declaração foi interpretada em Brasília como sinal de distanciamento político em relação ao senador do PL e ao núcleo bolsonarista.


O caso também expôs disputas internas dentro da extrema direita entre grupos ligados ao capital financeiro, setores do agronegócio e operadores políticos associados ao governo Jair Bolsonaro. O Banco Master expandiu suas operações durante o período bolsonarista, com crescimento em áreas ligadas ao mercado de crédito, fundos financeiros e operações de alto risco.


A revelação das negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” atingiu um dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo: o discurso contra privilégios políticos e contra alianças entre empresários e agentes públicos. O escândalo também ampliou a pressão sobre Flávio Bolsonaro no momento em que ele tentava consolidar sua pré-candidatura à Presidência da República para 2026.

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