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Escândalo com Banco Master vira “desastre” para Flávio Bolsonaro e embaralha disputa da extrema direita

A revelação de negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro ampliou a crise política no campo da extrema direita brasileira. Cientistas políticos afirmam que o caso enfraquece a pré-candidatura presidencial do senador do PL e abre espaço para nomes como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. As denúncias surgem após a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025.


Flávio Bolsonaro | Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images
Flávio Bolsonaro | Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images

Mensagens e documentos divulgados pelo site Intercept Brasil apontam que Flávio Bolsonaro negociou um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro prevista para estrear em 11 de setembro de 2026, semanas antes da eleição presidencial.


Segundo o Intercept, ao menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025. Os registros incluem cronogramas de desembolso, comprovantes bancários e cobranças relacionadas ao pagamento das parcelas da produção cinematográfica.


As mensagens divulgadas mostram interlocução direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.


No dia seguinte à mensagem, Vorcaro foi preso sob acusação de operar esquema de fraude que provocou rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.


O longa “Dark Horse” conta com o ator Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro e direção de Cyrus Nowrasteh. A produção foi apresentada por aliados bolsonaristas como peça de reconstrução política da imagem do ex-presidente após investigações judiciais e desgaste eleitoral.


O cientista político Rudá Ricci afirmou ao Brasil de Fato que a denúncia representa sequência de crises para o grupo político ligado a Jair Bolsonaro. Segundo ele, o episódio enfraquece a estratégia eleitoral construída em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.


“É um desastre, porque é uma sequência de notícias ruins para a campanha do Flávio. Você tem a ida do Lula para os Estados Unidos, que bloqueia a narrativa da família Bolsonaro de que eles são muito próximos do Trump. Nós tivemos o caso do Ciro Nogueira [acusado de receber mesada do Banco Master]. E a gente mal começa a semana e vem essa explosão”, declarou Ricci.

O pesquisador citou ainda pesquisas eleitorais recentes da Quaest que apontariam redução da rejeição ao presidente Lula e perda de força da candidatura de Flávio Bolsonaro.


A cientista política Mara Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais, afirmou que Flávio Bolsonaro era visto como um dos nomes mais competitivos da extrema direita por não ocupar cargo no Executivo federal.


“Eu sempre defendi que o Flávio era um dos candidatos mais competitivos, justamente porque ele não estava no Executivo e seria difícil encontrar um esqueleto dele. E quem não está em cargos sempre pode produzir sentimentos de esperança, de mudança”, afirmou.

Apesar do impacto das denúncias, os pesquisadores divergiram sobre quem tende a ocupar espaço no campo da extrema direita caso Flávio Bolsonaro seja enfraquecido eleitoralmente.


Para Rudá Ricci, o bolsonarismo ainda possui capacidade de transferir apoio para Michelle Bolsonaro. Já Mara Telles apontou os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado como beneficiários possíveis da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master.


“O Zema não saiu do governo de Minas para ser candidato a governador. Ele não saiu para brincar; ele não saiu para ser vice do Flávio. Ele está em um estado muito importante na federação, o segundo maior colégio eleitoral, e ele tem muito controle das prefeituras”, declarou a professora.

Horas após a divulgação das denúncias pelo Intercept Brasil, Romeu Zema publicou posicionamento em redes sociais classificando o episódio como “imperdoável” e “um tapa na cara dos brasileiros”.


Mara Telles também citou Ronaldo Caiado como nome fortalecido diante da crise bolsonarista. “De outro lado, temos o Ronaldo Caiado, um dos governadores mais bem avaliados do país, sobretudo no tema que a opinião pública está preocupada, que é o da segurança”, afirmou.


Os cientistas políticos avaliam que o escândalo pode beneficiar o presidente Lula no curto prazo. Ao mesmo tempo, alertam que a denúncia surgiu antes do período oficial de consolidação das candidaturas presidenciais para 2026 e que o campo da extrema direita ainda pode reorganizar alianças até as convenções partidárias do segundo semestre.


A crise envolvendo Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao avanço de investigações sobre o Banco Master, instituição financeira que ampliou operações durante os anos do governo Jair Bolsonaro. O banco passou a operar em segmentos ligados ao crédito consignado e ao mercado financeiro após mudanças regulatórias implementadas no período.

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