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- OMS reforça combate ao ebola
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC) anunciaram uma ampliação das operações para conter o surto de ebola na República Democrática do Congo. Mais de 100 especialistas foram enviados ao país africano enquanto laboratórios de campanha passaram a operar nas áreas com maior número de infecções. Dados divulgados em 9 de junho de 2026 apontam 550 casos confirmados e 101 mortes, além da expansão das ações de vigilância epidemiológica na RD Congo e em Uganda. © OMS_Joël Lumbala Resposta da OMS ao surto de ebola na República Democrática do Congo A OMS informou que o aumento dos registros de ebola está ligado à ampliação da capacidade de testagem e ao rastreamento de contatos realizados pelas equipes de saúde. Segundo a agência das Nações Unidas e o África CDC, o crescimento do número de diagnósticos reflete a identificação de casos que anteriormente permaneciam fora dos sistemas de vigilância sanitária. As autoridades sanitárias implementaram uma estratégia denominada “Uma Só Resposta”, que busca integrar as ações de investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, tratamento clínico e monitoramento comunitário sob uma única coordenação operacional. O objetivo declarado é interromper as cadeias de transmissão do vírus nas províncias orientais da República Democrática do Congo e impedir sua propagação para países vizinhos. O diretor de Operações de Alerta e Resposta a Emergências de Saúde da OMS, Abdirahman Mahamud, informou que até a segunda-feira anterior ao anúncio haviam sido registrados 550 casos e 101 mortes relacionadas ao surto. Segundo o representante da organização, também foram contabilizados 19 pacientes recuperados após identificação e tratamento nos estágios iniciais da doença. Mahamud acompanha as operações a partir de Bunia, capital da província de Ituri. De acordo com a OMS, a região concentra 94% de todos os casos confirmados registrados até o momento. A agência das Nações Unidas anunciou em 9 de junho a mobilização de mais de 100 profissionais especializados para reforçar a resposta sanitária. Entre os integrantes da força-tarefa estão epidemiologistas, especialistas em logística, profissionais de cuidados clínicos e pesquisadores ligados ao desenvolvimento de vacinas. O apoio internacional também inclui o envio de 40 toneladas de equipamentos e insumos médicos destinados às áreas afetadas. Segundo a OMS, os materiais têm como finalidade proteger trabalhadores da saúde, ampliar a capacidade laboratorial e manter o funcionamento das unidades hospitalares envolvidas no atendimento aos pacientes. Uma das medidas adotadas durante a resposta ao surto foi a descentralização dos serviços de diagnóstico. Com apoio técnico da OMS, laboratórios de campanha foram instalados em Bunia, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Mongbwalu. A organização informou que a próxima etapa prevê a expansão da rede para o distrito de Aru. A descentralização dos exames alterou os prazos de processamento das amostras. Antes dependentes do transporte para centros distantes, os casos suspeitos passaram a ser analisados dentro das próprias regiões afetadas. Segundo a OMS, todos os casos suspeitos podem agora ser processados em até 24 horas nos centros de tratamento. A operação utiliza um sistema digital que acompanha cada amostra desde a coleta até o diagnóstico final, incluindo os procedimentos de isolamento e tratamento dos pacientes. A ferramenta foi adaptada para funcionar em áreas com limitações de acesso à internet. Além dos casos já confirmados, aproximadamente 100 casos suspeitos permanecem sob investigação para confirmação ou descarte pelas autoridades sanitárias. As atividades de vigilância epidemiológica resultaram na identificação de 5.040 pessoas que tiveram contato com pacientes infectados. Todos esses indivíduos foram incluídos em programas de acompanhamento nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Dados divulgados pela OMS indicam que entre 62% e 64,4% dos contatos identificados estão sendo monitorados pelas equipes de saúde. A meta estabelecida pelas autoridades sanitárias é alcançar uma cobertura mínima de 90%. Segundo Abdirahman Mahamud, a dimensão territorial das províncias afetadas representa um dos principais obstáculos para ampliar a cobertura do rastreamento. Em regiões como Ituri, as longas distâncias dificultam tanto a coleta de amostras quanto o acompanhamento dos contatos identificados. O representante da OMS afirmou que a participação das comunidades locais permanece vinculada ao desempenho da operação. Em declaração divulgada pela agência, Mahamud afirmou que a “atuação lado a lado com agentes de saúde locais ajuda a identificar melhor os casos suspeitos e a encaminhá-los de forma segura para os centros de tratamento”. Enquanto a República Democrática do Congo concentra a maior parte dos registros, Uganda também mantém operações de vigilância após a confirmação de casos da doença. Segundo os dados apresentados pela OMS, o país registrou 19 casos confirmados, duas mortes e um caso provável que também resultou em óbito. As autoridades sanitárias ugandesas informaram que não existem evidências de transmissão comunitária dentro do país. O monitoramento permanece concentrado na identificação de possíveis cadeias de contágio ligadas aos casos conhecidos. Em 9 de junho, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esteve em Uganda para acompanhar as operações sanitárias. Durante a visita, reuniu-se com representantes governamentais, pacientes e profissionais de saúde envolvidos na resposta ao surto. A OMS declarou que busca impedir a expansão do ebola para outros países da região, incluindo o Quênia. Para sustentar as operações em curso, a organização renovou o pedido de financiamento internacional para um plano conjunto avaliado em US$ 518 milhões. Segundo a OMS, os recursos solicitados serão destinados ao fortalecimento dos laboratórios regionais, à ampliação da vigilância epidemiológica, ao fornecimento de equipamentos médicos e à manutenção das operações de resposta ao surto de ebola na África Central e Oriental.
- Sério? "Oriente Médio enfrenta um risco iminente de colapso", alerta Guterres
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou em 10 de junho de 2026 que o Oriente Médio enfrenta risco de colapso em meio à expansão de operações militares, bloqueios marítimos e crises humanitárias que atingem do Líbano ao Golfo Pérsico. O alerta foi apresentado durante sessão do Conselho de Segurança da ONU presidida pelo presidente colombiano Gustavo Petro, cujo país ocupa neste mês a presidência rotativa do órgão. Segundo Guterres, a deterioração da situação regional ameaça provocar impactos sobre o comércio internacional, os preços da energia, a inflação e a segurança alimentar em escala global. Antonio Guterres, secretário geral da ONU Em pronunciamento ao Conselho de Segurança, António Guterres declarou que a região está sendo conduzida para um cenário de ruptura enquanto as tentativas diplomáticas enfrentam limites diante da expansão das hostilidades. O encontro ocorreu sob o tema “Mediação para o Diálogo e a Paz Duradoura”, dedicado à situação do Oriente Médio. O secretário-geral destacou a situação do Líbano como um dos focos centrais da crise regional. Desde março de 2026, o país registra aumento das operações militares israelenses e ataques do Hezbollah, resultando em destruição no sul libanês. Segundo dados apresentados por Guterres, mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências desde o início da escalada. A ONU também registrou perdas entre seus integrantes. Sete soldados de paz morreram durante os confrontos, incluindo um integrante morto na semana anterior ao pronunciamento. Guterres afirmou que comunidades inteiras foram removidas de seus territórios e que estruturas civis foram destruídas ao longo dos meses de confrontação. Ao abordar iniciativas diplomáticas relacionadas ao Líbano, o secretário-geral citou a participação do governo estadunidense nas negociações entre Israel e o governo libanês. Guterres defendeu a implementação de um cessar-fogo abrangente, a preservação de mecanismos internacionais de monitoramento após a retirada da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) e o cumprimento da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, aprovada em 2006. Outro ponto destacado foi a situação do Golfo Pérsico. Guterres afirmou que o cenário atual não representa um cessar-fogo efetivo, descrevendo-o como um contexto em que ataques contra civis e infraestruturas continuam ocorrendo em diversos países da região. O secretário-geral chamou atenção para os efeitos do bloqueio e das restrições impostas à navegação no Estreito de Ormuz. Segundo ele, as limitações ao tráfego marítimo em uma das principais rotas energéticas do planeta produziram impactos sobre mercados globais de energia e combustíveis. Guterres declarou que a interrupção parcial dos fluxos comerciais provocou rupturas em cadeias internacionais de abastecimento e aumento dos preços de fertilizantes. Segundo sua avaliação, o resultado imediato foi o agravamento da inflação e da insegurança alimentar, com efeitos concentrados sobre países dependentes da importação de combustíveis, alimentos e insumos agrícolas. Sobre a questão nuclear iraniana, o secretário-geral defendeu a retomada de negociações internacionais. Ele afirmou que são necessárias garantias de caráter pacífico para o programa nuclear do Irã e propôs a construção de um sistema regional de segurança baseado em soberania estatal e não interferência externa. Ao tratar da Palestina, António Guterres declarou que Gaza deve integrar um futuro Estado palestino unificado. O secretário-geral afirmou que os Territórios Palestinos permanecem submetidos ao genocídio conduzido por Israel e apontou o agravamento das condições na Cisjordânia ocupada. Segundo dados apresentados ao Conselho de Segurança, a Cisjordânia registra média de seis ataques diários cometidos por colonos israelenses identificados pela ONU como extremistas. Guterres também mencionou a continuidade da expansão de assentamentos israelenses considerados ilegais pelo direito internacional. O secretário-geral afirmou que os níveis atuais de deslocamento forçado da população palestina representam a maior onda registrada desde 1967, ano em que Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza após a Guerra dos Seis Dias. Além da Palestina, Guterres abordou os processos diplomáticos relacionados ao Iêmen e à Síria. No caso iemenita, ele citou um acordo que permitiu a libertação de aproximadamente 1,6 mil detidos ligados aos combates, descrito pela ONU como o maior intercâmbio de prisioneiros desde o início da guerra. Ao mesmo tempo, o secretário-geral exigiu o encerramento das ações do Ansar Allah contra a navegação no estreito de Bab al-Mandeb e pediu a libertação de funcionários das Nações Unidas mantidos sob detenção. O corredor marítimo conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui uma das principais rotas comerciais entre a Ásia, a África e a Europa. No caso sírio, Guterres afirmou que o país atravessa uma fase distinta após 13 anos de violência. Apesar disso, declarou que episódios de instabilidade regional e o emprego continuado da força ainda representam obstáculos ao processo de estabilização. Encerrando sua intervenção, António Guterres afirmou que os mecanismos previstos na Carta das Nações Unidas permanecem como instrumento para enfrentar a escalada regional. O secretário-geral apelou ao Conselho de Segurança para mobilizar seus recursos políticos em defesa da solução de dois Estados para israelenses e palestinos, afirmando que “não há alternativa e não há tempo a perder”.
- Fifa veta uniforme do Haiti que homenageia independência do país
O Haiti foi obrigado pela Fifa a alterar o uniforme que utilizaria na Copa do Mundo de 2026 após a entidade considerar inadequada uma referência histórica à luta anticolonial do país. A exigência ocorreu poucos dias antes da estreia da seleção haitiana no torneio sediado pelos Estados Unidos. A decisão repete um padrão de censura já registrado em 2026 contra símbolos ligados à Revolução Haitiana e à independência da primeira república negra do mundo. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) determinou a retirada de uma ilustração presente na camisa da seleção haitiana que homenageava a Batalha de Vertières A Federação Internacional de Futebol (Fifa) determinou a retirada de uma ilustração presente na camisa da seleção haitiana que homenageava a Batalha de Vertières, episódio ocorrido em 1803 no qual forças revolucionárias haitianas derrotaram tropas enviadas por Napoleão Bonaparte, abrindo caminho para a independência do Haiti em 1804. A intervenção ocorreu às vésperas da participação da equipe na Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos. A fornecedora de material esportivo da seleção, Saeta, confirmou que realizou as modificações exigidas pela entidade para garantir a participação da equipe na competição. Em comunicado, a empresa afirmou que o desenho tinha como objetivo homenagear a história do país e a trajetória dos haitianos. O elemento contestado pela Fifa era uma ilustração posicionada discretamente no canto inferior direito da camisa azul da seleção. A imagem representava a Batalha de Vertières, considerada um dos acontecimentos centrais do processo de libertação nacional haitiano. A derrota das forças francesas naquele confronto consolidou o colapso do domínio colonial francês sobre a colônia de Saint-Domingue e abriu caminho para a proclamação da independência do Haiti em 1º de janeiro de 1804. Segundo a Saeta, o projeto foi concebido como uma homenagem à memória histórica do país. A empresa declarou que o uniforme celebrava “a resiliência, o orgulho e a história dos homens e mulheres que constroem o país”, sem a intenção de promover posicionamentos políticos contemporâneos. A Fifa, contudo, interpretou a referência histórica como incompatível com seus regulamentos sobre uniformes e equipamentos esportivos. A entidade sustenta que símbolos associados a revoluções, conflitos armados ou disputas políticas podem ser enquadrados como manifestações políticas. Em suas regras oficiais, a organização estabelece a proibição da “exibição de mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais de qualquer natureza, em qualquer idioma ou formato, por jogadores e membros da comissão técnica em seus uniformes de jogo, uniformes de equipe ou outras vestimentas”. Embora tenha manifestado discordância em relação à interpretação adotada pela entidade, a Saeta informou que aceitou as alterações exigidas. A Federação Haitiana de Futebol também concordou com a modificação para evitar riscos à participação da seleção no torneio. O episódio ocorreu poucos meses após outro caso envolvendo símbolos da história haitiana em uma competição esportiva internacional. Em março de 2026, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Milão, atletas haitianos desfilaram com uniformes concebidos pela estilista Stella Jean e baseados em obras do artista Edouard Duval-Carrié. Na versão original dos trajes aparecia a imagem de Toussaint Louverture, liderança central da Revolução Haitiana e figura associada à luta contra a escravidão nas Américas. O Comitê Olímpico Internacional (COI) exigiu a retirada da representação antes da cerimônia. Segundo a justificativa apresentada pelo organismo, a presença de Louverture constituía um “tema político e polêmico”. A decisão provocou críticas no Haiti e entre observadores da história do país. Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, a correspondente Cha Dafol questionou a classificação da luta contra a escravidão como um elemento político incompatível com eventos esportivos internacionais. Para a jornalista, o episódio expressa um processo de marginalização histórica da Revolução Haitiana nos espaços de poder dominados por países europeus e norte-americanos. Ela argumentou que a exclusão de símbolos ligados à independência haitiana impede o reconhecimento internacional de um processo histórico que resultou na criação da primeira república negra do mundo após uma revolta de escravizados vitoriosa contra uma potência colonial europeia. As decisões adotadas pela Fifa e pelo COI ocorreram no mesmo ano e atingiram referências diretas aos principais marcos da formação histórica do Haiti: a Revolução Haitiana, iniciada em 1791, a liderança de Toussaint Louverture e a Batalha de Vertières, confronto decisivo que antecedeu a independência formal do país em 1804.
- Leia online: Eu tenho um sonho - Discurso proferido em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King Jr.
Tenho a alegria de estar aqui hoje com vocês neste evento que entrará para a história como a maior manifestação pela liberdade na história de nossa nação. Há cem anos, um grande americano , cuja sombra simbólica nos envolve hoje, assinou a Proclamação da Emancipação . Este decreto histórico surgiu como um farol de esperança para milhões de escravos negros que haviam sido queimados pelas chamas da injustiça implacável. Surgiu como um alvorecer radiante para pôr fim à longa noite de seu cativeiro. Mas cem anos depois, o negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do negro ainda está tristemente prejudicada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos depois, o negro vive numa ilha solitária de pobreza em meio a um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o negro ainda definha nos cantos da sociedade americana e se vê como um exilado em sua própria terra. E é por isso que viemos aqui hoje para dramatizar essa condição vergonhosa. De certa forma, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência , estavam assinando uma promessa da qual todo americano seria herdeiro. Essa promessa garantia a todos os homens, sim, tanto aos negros quanto aos brancos, os "direitos inalienáveis" à "Vida, Liberdade e à busca da Felicidade". É evidente hoje que os Estados Unidos descumpriram essa promessa, no que diz respeito aos seus cidadãos negros. Em vez de honrar essa obrigação sagrada, os Estados Unidos deram ao povo negro um cheque sem fundos, um cheque que voltou marcado como "fundos insuficientes". Mas nos recusamos a acreditar que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não haja fundos suficientes nos grandes cofres de oportunidades desta nação. E assim, viemos sacar este cheque, um cheque que nos dará, mediante solicitação, as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Viemos também a este lugar sagrado para lembrar à América da urgência implacável do Agora. Não é hora de nos entregarmos ao luxo de nos acalmarmos ou de tomarmos o tranquilizante do gradualismo. Agora é a hora de tornar reais as promessas da democracia. Agora é a hora de emergirmos do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial. Agora é a hora de erguermos nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade. Agora é a hora de fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação ignorar a urgência do momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento do negro não passará até que chegue um outono revigorante de liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. E aqueles que esperam que o negro precisasse extravasar e que agora se contentará terão um despertar brutal se a nação voltar à normalidade. E não haverá descanso nem tranquilidade na América até que o negro tenha seus direitos de cidadania garantidos. Os ventos da revolta continuarão a abalar os alicerces de nossa nação até que o dia radiante da justiça surja. Mas há algo que devo dizer ao meu povo, que se encontra no limiar acolhedor que conduz ao palácio da justiça: no processo de conquistarmos o nosso lugar de direito, não devemos cometer atos injustos. Não busquemos saciar a nossa sede de liberdade bebendo do cálice da amargura e do ódio. Devemos conduzir a nossa luta sempre no elevado plano da dignidade e da disciplina. Não devemos permitir que o nosso protesto criativo degenere em violência física. Vez após vez, devemos elevar-nos às majestosas alturas de confrontar a força física com a força da alma. A maravilhosa nova militância que tomou conta da comunidade negra não deve nos levar a desconfiar de todos os brancos, pois muitos de nossos irmãos brancos, como demonstra sua presença aqui hoje, perceberam que seu destino está ligado ao nosso. E perceberam que sua liberdade está inextricavelmente ligada à nossa. Não podemos caminhar sozinhos. E enquanto caminhamos, devemos fazer o juramento de que sempre marcharemos em frente. Não podemos voltar atrás. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando vocês ficarão satisfeitos?". Jamais ficaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Jamais ficaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, exaustos da viagem, não puderem encontrar abrigo nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não ficaremos satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro for de um gueto menor para um maior. Jamais ficaremos satisfeitos enquanto nossas crianças forem despojadas de sua identidade e roubadas de sua dignidade por placas que dizem: "Somente para brancos". Não ficaremos satisfeitos enquanto um negro no Mississippi não puder votar e um negro em Nova York acreditar que não tem nada pelo que votar. Não, não, não estamos satisfeitos e não ficaremos satisfeitos até que "a justiça corra como as águas, e a retidão como uma torrente poderosa" . Não ignoro que alguns de vocês vieram para cá após grandes provações e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de celas apertadas de prisões. E alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca — a busca pela liberdade — os deixou devastados pelas tempestades da perseguição e cambaleantes pelos ventos da brutalidade policial. Vocês foram os veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que o sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Louisiana, voltem para as favelas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que, de alguma forma, essa situação pode e será mudada. Não nos deixemos afundar no vale do desespero, digo-vos hoje, meus amigos. E assim, mesmo enfrentando as dificuldades de hoje e de amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seu credo: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais." Tenho um sonho de que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos possam sentar-se juntos à mesa da fraternidade. Tenho um sonho de que um dia até mesmo o estado do Mississippi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, sufocado pelo calor da opressão, se transformará em um oásis de liberdade e justiça. Tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Hoje eu tenho um sonho ! Tenho um sonho de que um dia, lá no Alabama, com seus racistas cruéis, com seu governador proferindo palavras como "interposição" e "nulificação" -- um dia , bem ali no Alabama, meninos e meninas negros poderão dar as mãos a meninos e meninas brancos como irmãos e irmãs. Hoje eu tenho um sonho ! Tenho um sonho de que um dia todo vale será exaltado, e toda colina e montanha serão aplanadas, os lugares ásperos serão aplanados, e os lugares tortuosos serão endireitados; "e a glória do Senhor será revelada, e toda a humanidade a verá juntamente." 2 Essa é a nossa esperança, e essa é a fé com a qual retorno ao Sul. Com essa fé, seremos capazes de extrair da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com essa fé, seremos capazes de transformar as dissonâncias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com essa fé, seremos capazes de trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, defender a liberdade juntos, sabendo que um dia seremos livres. E este será o dia -- este será o dia em que todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: Meu país, é de ti, doce terra da liberdade, que eu canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada montanha, a liberdade ressoe! E se os Estados Unidos quiserem se tornar uma grande nação, isso precisa se tornar realidade. E que a liberdade ressoe dos prodigiosos cumes das colinas de New Hampshire. Que a liberdade ressoe das majestosas montanhas de Nova York.Que a liberdade ressoe desde as elevações dos Montes Allegheny, na Pensilvânia.Que a liberdade ressoe das Montanhas Rochosas cobertas de neve do Colorado.Que a liberdade ressoe nas encostas sinuosas da Califórnia. Mas não só isso: Que a liberdade ressoe desde Stone Mountain, na Geórgia.Que a liberdade ressoe do topo da Montanha Lookout, no Tennessee.Que a liberdade ressoe em cada colina e montículo do Mississippi.Que a liberdade ressoe de cada montanha. E quando isso acontecer, e quando deixarmos a liberdade ressoar, quando a deixarmos ecoar em cada vila e cada povoado, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de acelerar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras do antigo cântico espiritual negro: Finalmente livre! Finalmente livre!Graças a Deus Todo-Poderoso, finalmente estamos livres!
- "A mais antipática de todas": jornalista dos EUA afirma que Copa de 2026 "não abre portas"
A Copa do Mundo de 2026 começa marcada por restrições migratórias, aumento de custos e limitações de infraestrutura nas cidades-sede nos Estados Unidos, segundo análise da jornalista Zoe Alexandra. A avaliação foi feita em entrevista ao videocast O Estrangeiro, do Brasil de Fato. O evento também ocorre em meio a denúncias de deportações e dificuldades de mobilidade para torcedores e equipes. ©PINTEREST A jornalista Zoe Alexandra, diretora de notícias do site estadunidense BreakThrough News, afirmou que o torneio apresenta um padrão distinto em relação a edições anteriores. “Tem essa sensação de que essa é uma Copa diferente das outras. Não é uma Copa que abre as portas“, disse. Ela comparou a atual situação com a Copa do Catar, realizada em 2022, citando diferenças no tratamento a visitantes. “Lembro que mesmo no Catar, onde teve muitas contradições, sobretudo relacionadas à construção dos estádios e todo o trabalho escravo que foi utilizado, o acolhimento das pessoas que viajaram até lá, os benefícios que eles ofereceram para as pessoas que chegaram lá foi outra coisa.” Segundo Alexandra, o controle migratório nos Estados Unidos afeta torcedores de diferentes países. “Hoje você chega nos Estados Unidos e primeiro vai ser interrogado, tem que passar pela migração… Eu vi que alguém que queria viajar da Escócia foi deportado e retiraram o visto dela. Então não é nem só o Sul Global, todo mundo vai ter esse tratamento.” A jornalista também apontou aumento generalizado de preços em hospedagem e transporte nas cidades-sede. “Depois, os preços dos hotéis subiram bastante. Não é só que o país anfitrião está numa guerra com um país participante, mas o efeito dessa guerra é que todos os preços são mais altos”, afirmou. Ela citou ainda custos elevados em aluguel de carros e serviços turísticos. De acordo com sua avaliação, parte da estrutura urbana não foi adaptada para receber o volume de público previsto. “Você não pode chegar no estádio de futebol, por exemplo, em Massachusetts, que não é na cidade, não tem uma infraestrutura para ajudar as pessoas a chegar aos estádios, não tem esse acolhimento.” Zoe Alexandra comparou a recepção de seleções no México e nos Estados Unidos. Segundo ela, vídeos de chegada de equipes no México mostraram bandas em aeroportos, enquanto nos Estados Unidos não houve ações semelhantes. Ela afirmou que o contexto do torneio inclui “uma guerra e também numa operação massiva de deportação e tratamento cruel aos migrantes”. A jornalista também relatou percepção de frustração em cidades-sede pela ausência de planejamento de mobilidade e serviços. “Há uma sensação de frustração porque nas cidades e nos estados onde têm estádios realmente não teve uma preparação para receber tanta gente, não tem a infraestrutura.” Ela citou ainda variação de tarifas de transporte em áreas metropolitanas. “O trem de Nova York para o estádio de New Jersey custava 15 dólares; agora vai subir até 75 dólares para você ir 15 minutos de trem.” Segundo Alexandra, a combinação de restrições migratórias, custos elevados e infraestrutura limitada produz um cenário de tensão logística para o evento. “Em muitas cidades a sensação realmente é de confusão e frustração, e as pessoas também sabem que as equipes que estão chegando recebem o mesmo tratamento que muitos migrantes que moram nos Estados Unidos ou que tentam entrar nos Estados Unidos estão recebendo.”
- Papa Leão XIV: Não podemos acreditar em Jesus Cristo e promover a guerra
O Papa Leão XIV declarou em 10 de junho, em Barcelona, que a fé cristã é incompatível com a promoção da guerra e com a morte de civis. A afirmação foi feita durante cerimônia na Basílica da Sagrada Família para a bênção da Torre da Cruz, estrutura com 172,5 metros de altura projetada por Antoni Gaudí. Em sua agenda na Catalunha, o pontífice também abordou feminicídios, saúde mental e os efeitos de um modelo social orientado pelo lucro. Foto: Lusa/EPA Durante a homilia na Basílica da Sagrada Família, Leão XIV afirmou: “Não podemos acreditar em Jesus Cristo e promover a guerra, nem matar inocentes”. Na sequência, acrescentou: “Não podemos crer em Jesus e abandonar aqueles que sofrem, aqueles que choram, aqueles que fogem da miséria”. A cerimônia marcou a bênção da Torre da Cruz, elemento central da obra concebida por Antoni Gaudí e coroada por uma cruz de 17 metros. Segundo o pontífice, a estrutura “parece ter braços para convidar todos a este altar, para ouvir a palavra de Deus”. A missa reuniu o rei Felipe VI, a rainha Letizia e o primeiro-ministro Pedro Sánchez. Diante das autoridades espanholas e dos participantes da celebração, Leão XIV definiu a Basílica da Sagrada Família como “um sinal de unidade e harmonia”. Ao referir-se ao templo no ano que marca o centenário da morte de Gaudí, o papa declarou que a construção representa uma comunidade reunida em torno da fé. “É um templo que nos faz uma família amada pelo Senhor, alimentada pela sua própria vida na Eucaristia. É assim que a cidade de Barcelona e toda a Catalunha se unem neste templo, sinal também de unidade e harmonia”, afirmou. A visita do pontífice à capital catalã teve duração de dois dias. Além da cerimônia na Sagrada Família, ele visitou uma prisão, uma igreja agostiniana e a Abadia de Montserrat. Antes da celebração religiosa, Leão XIV participou de um encontro multitudinário realizado no Estádio Olímpico de Barcelona. No local, ouviu depoimentos que abordaram questões sociais e utilizou a ocasião para comentar temas relacionados à violência de gênero e à saúde mental. Em seu pronunciamento, o papa apontou a existência de um “clima envenenado nas relações familiares” e destacou “em particular a violência contra as mulheres, que muitas vezes, infelizmente, leva a feminicídios”. Ele defendeu que a sociedade enfrente essa realidade de forma direta. Ainda durante os compromissos públicos em Barcelona, Leão XIV criticou aspectos do modelo econômico e cultural contemporâneo. Segundo ele, existe uma “idolatria do lucro e do desempenho”, associada ao desejo permanente de produzir e vencer, além de um “culto à própria imagem” que atua como mecanismo de anestesia da consciência social. As declarações ocorreram em um contexto marcado por conflitos armados, deslocamentos populacionais e crises sociais em diferentes regiões do planeta, temas que têm ocupado espaço constante nos pronunciamentos do Vaticano. Ao relacionar fé, guerra, pobreza e exclusão, o pontífice associou sua mensagem religiosa a questões presentes no debate público internacional. Após encerrar sua passagem por Barcelona, Leão XIV seguiu viagem para Las Palmas de Gran Canaria e Tenerife. De acordo com a agenda divulgada, o retorno do pontífice a Roma está previsto para 12 de junho.
- Quaest: em dois meses, Lula reduz rejeição entre evangélicos em oito pontos
A pesquisa Quaest divulgada em 10 de junho apontou redução da rejeição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre eleitores evangélicos. O levantamento registrou queda de oito pontos percentuais na desaprovação do governo nesse segmento entre abril e junho de 2026. Os números surgem dias após a divulgação de uma carta do PT direcionada às igrejas evangélicas e ao público religioso. Presidente Lula Dados do instituto mostram que a desaprovação de Lula entre evangélicos passou de 68% em abril para 60% em junho. Trata-se do menor índice registrado desde janeiro de 2026, quando a série histórica da pesquisa teve início e a rejeição ao presidente alcançava 61%. No mesmo período, a aprovação do governo avançou de 28% para 35%. A diferença entre desaprovação e aprovação, que era de 30 pontos percentuais em abril, recuou para 25 pontos em junho. O cálculo considera os 68% de desaprovação e 28% de aprovação registrados no levantamento anterior e os atuais 60% de desaprovação diante de 35% de aprovação. A divulgação dos dados ocorre em um contexto de disputa pela influência política junto ao eleitorado evangélico, segmento que ocupa posição central nas eleições nacionais. Em 8 de junho, dois dias após a realização da Marcha para Jesus, o Partido dos Trabalhadores publicou uma carta dirigida aos evangélicos afirmando que os governos da legenda sempre mantiveram “uma postura de respeito e reconhecimento” em relação às igrejas evangélicas. O documento foi elaborado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT e buscou apresentar a relação do partido com esse segmento religioso em meio aos debates que antecedem o processo eleitoral de 2026. A pesquisa Quaest também mediu cenários eleitorais para a eleição presidencial. Em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 44% das intenções de voto diante de 38% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. O levantamento aponta ainda que a rejeição ao parlamentar chegou a 56%, índice mais elevado entre os nomes avaliados pelo instituto. No cenário de primeiro turno, Lula registra 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar com 29%, quatro pontos abaixo dos 33% registrados na pesquisa anterior divulgada em maio. O levantamento foi realizado após a divulgação de gravações nas quais Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o conteúdo divulgado, os valores seriam destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos demais cenários de segundo turno testados pela Quaest, Lula alcança 45% das intenções de voto contra 35% do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo. Em outro cenário, o presidente registra 45% diante de 31% de Renan Santos, da Missão. A disputa mais equilibrada apresentada pela pesquisa ocorre contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD. Nesse cenário, Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Caiado registra 44%.
- Casa da Cultura da América Latina recebe exposição sobre protagonismo LGBTQIAP+
A Casa da Cultura da América Latina (CAL), em Brasília, recebe até 25 de junho a exposição "Retratos, Cultura Candanga LGBTQIAP+", dedicada a 50 agentes culturais do Distrito Federal que atuaram na produção artística, técnica e cultural da capital. A mostra reúne retratos e obras que registram trajetórias ligadas às artes, à produção cultural e à organização social. A entrada é gratuita e a iniciativa integra um projeto financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF). Obras e retratos ocupam a CAL em homenagem a nomes da cena artística candanga. | Crédito: Lê Reis A exposição permanece aberta ao público no Setor Comercial Sul e apresenta artistas, produtores culturais e técnicos que participaram da construção da cena cultural brasiliense em diferentes áreas de atuação. O material reúne representantes das Artes Cênicas, Artes Plásticas, Dança, Música, Produção Cultural e atividades técnicas relacionadas ao setor cultural. A mostra constitui a segunda etapa de um projeto iniciado em abril de 2026 com a publicação do Catálogo LGBTQIAP+, lançado em formato de revista. O conteúdo agora passa a ocupar espaço expositivo, ampliando a divulgação das trajetórias registradas na publicação e criando um ambiente voltado à preservação da memória cultural da população LGBTQIAP+ do Distrito Federal. Além das homenagens aos 50 agentes culturais selecionados, a exposição reserva um espaço de reconhecimento ao artista Similião Aurélio. A mostra também dedica uma área de memória a Josias Silva, registrando sua atuação e contribuição para a cultura e para a representação LGBTQIAP+ na capital federal. De acordo com a coordenadora-geral do projeto, Ava Scherdien, a iniciativa surgiu a partir da necessidade de registrar e reconhecer pessoas que encontraram na arte e na cultura espaços de participação social e produção cultural. “O material se propõe a ser um guia, um registro e um reconhecimento sobre a história e trajetória de artistas LGBTQIAPN+ da capital. Um mapeamento que começou do zero por meio de uma curadoria que levou em consideração fatores como geração, diversidade e categorias artísticas”, afirmou. O projeto realizou um levantamento de artistas e trabalhadores da cultura do Distrito Federal a partir de critérios relacionados à diversidade geracional, às diferentes linguagens artísticas e à pluralidade de experiências presentes na produção cultural local. O catálogo e a exposição resultam desse processo de identificação e documentação de trajetórias vinculadas à cena cultural candanga. A iniciativa também busca registrar a participação da população LGBTQIAP+ na formação da vida cultural de Brasília, destacando produções artísticas desenvolvidas ao longo dos anos em diferentes segmentos culturais. A exposição apresenta narrativas relacionadas à arte, à memória e à organização comunitária, reunindo experiências de diferentes gerações. Segundo os organizadores, o projeto prevê novas etapas. Entre elas estão a produção de uma versão do catálogo em braille, a publicação de uma segunda edição da obra e a criação de uma plataforma voltada ao registro, preservação e consulta das trajetórias homenageadas. A exposição "Retratos, Cultura Candanga LGBTQIAP+" pode ser visitada até 25 de junho, das 8h às 18h, na Casa da Cultura da América Latina, localizada no Setor Comercial Sul, Quadra 4, Edifício Anápolis, em Brasília. A entrada é gratuita.
- Refugiados na África Oriental e Austral vivem décadas em exílio
Milhões de refugiados seguem vivendo em situação de deslocamento prolongado na África Oriental e Austral, segundo relatório divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados. Os dados mostram que o exílio deixou de ser uma condição temporária para grande parte da população deslocada pela guerra, instabilidade política e perseguições na região. Ao final de 2025, 6,4 milhões de pessoas permaneciam registradas como refugiados ou solicitantes de asilo em países da África Oriental e Austral. Crianças sentam-se ao lado de seu abrigo em Goudebou, um campo que acolhe mais de 11 mil refugiados malinenses no norte de Burkina Faso em 20 de junho de 2021. Foto: OLYMPIA DE MAISMONT/AFP Getty Images O levantamento do Acnur analisou registros acumulados entre 2001 e 2025 e concluiu que os deslocamentos forçados na região tendem a se estender por anos e, em muitos casos, por décadas. O estudo indica que três em cada quatro refugiados continuam fora de seus países de origem mesmo após cinco anos do início da emergência que provocou sua saída. A maior parte desses deslocamentos está associada a conflitos armados, crises políticas e perseguições registradas em países como Sudão, Sudão do Sul e Somália. Em diversos casos, as condições que motivaram a fuga permanecem sem solução, impedindo o retorno seguro das populações afetadas. O diretor regional do Acnur para a África Oriental e Austral, Mamadou Dian Balde, afirmou que a permanência prolongada dos refugiados exige respostas que ultrapassem a assistência humanitária emergencial. Segundo Balde, pessoas que vivem anos ou décadas em exílio necessitam de acesso a oportunidades que permitam reconstruir suas vidas. Ele defendeu que o retorno aos países de origem seja apoiado quando existirem condições de segurança e que, nos demais casos, sejam garantidos meios de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Os dados reunidos pelo Acnur apontam que crianças e jovens estão entre os grupos mais afetados pelos deslocamentos prolongados. O relatório registra que refugiados cadastrados antes dos cinco anos de idade permanecem em situação de asilo por uma média superior a 18 anos. A agência das Nações Unidas destaca que os impactos sociais e econômicos sobre mulheres e crianças podem atravessar gerações. A permanência prolongada em campos de refugiados ou em condições de dependência da assistência humanitária tende a criar ciclos sucessivos de vulnerabilidade entre famílias deslocadas. O estudo também analisou situações envolvendo refugiados originários de Angola e Moçambique. Os dados mostram períodos de deslocamento inferiores aos observados em outras nacionalidades da região. Entre os angolanos refugiados na Namíbia, o tempo médio de permanência em situação de asilo é de 3,5 anos. No caso dos angolanos acolhidos pela Zâmbia, a média registrada é de 1,2 ano. Já os refugiados moçambicanos instalados no Malawi permanecem em situação de asilo por cerca de 2,4 anos, segundo o levantamento. Esses períodos contrastam com os registrados para outras populações deslocadas da região. O relatório cita o caso de refugiados somalis acolhidos na Eritreia, cuja permanência em exílio pode alcançar quase uma década. De acordo com a análise do Acnur, os períodos menores observados entre refugiados angolanos e moçambicanos estão relacionados a processos de estabilização política e acordos que permitiram o retorno de parte dessas populações aos seus países de origem após ciclos de conflito registrados em décadas anteriores. O relatório também destaca que países da África Oriental e Austral continuam recebendo populações deslocadas apesar das pressões econômicas, sociais e estruturais enfrentadas pelos próprios Estados anfitriões. Segundo o Acnur, o desafio atual consiste em transformar a proteção oferecida pelos países de acolhimento em políticas capazes de garantir condições permanentes para a integração dos refugiados. A agência defende que governos, instituições financiadoras e o setor privado ampliem investimentos em educação, qualificação profissional, acesso ao emprego e inclusão social para populações deslocadas, permitindo que refugiados possam reconstruir suas vidas nos locais onde vivem enquanto não existem condições para o retorno aos seus países de origem.
- Alcolumbre freia proposta do fim da escala 6×1
A proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6×1 continua sem tramitação no Senado Federal. A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados no final de maio e permanece na Mesa Diretora da Casa, sem encaminhamento para a Comissão de Constituição e Justiça. O impasse ocorre em meio a disputas políticas entre o governo federal, a presidência do Senado e setores empresariais mobilizados contra a proposta. Crédito: O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) - Foto: Carlos Moura/Agência Senado O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, tem mantido a PEC sem despacho formal para a Comissão de Constituição e Justiça. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil em 10 de junho, Alcolumbre comunicou a interlocutores que pretende discutir o avanço da proposta apenas após uma reunião com o presidente Lula. O encontro ainda não possui data definida. De acordo com a apuração da CNN, a conversa teria como objetivo discutir a agenda legislativa do Congresso Nacional e a tramitação de temas considerados prioritários pelo Executivo e pelo Senado. A relação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto atravessa um período de tensão desde a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, o presidente do Senado atribui parte da pressão pela tramitação da PEC a mobilizações realizadas nas redes sociais por apoiadores do governo. A proposta aprovada pela Câmara altera um dos principais pilares da organização do trabalho no país. Atualmente, milhões de trabalhadores estão submetidos à escala 6×1, modelo que estabelece seis dias consecutivos de trabalho para apenas um dia de descanso. Apesar da aprovação por ampla maioria entre os deputados federais, a matéria não avançou para a fase seguinte da tramitação legislativa. Sem o despacho da presidência do Senado, a proposta permanece impedida de iniciar sua análise na Comissão de Constituição e Justiça. A demora provocou atritos dentro da própria estrutura da Casa. O senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, demonstrou insatisfação após o cancelamento de uma reunião que teria com Alcolumbre em 9 de junho para discutir o tema. “Eu saí do aeroporto, chegando no meio do caminho ele ligou. Aliás, não foi nem ele que ligou, foi a secretária dele, que disse que depois ele falava comigo. E eu disse tá bom, diga a ele que quando ele quiser falar comigo, ele fala”, declarou Otto Alencar ao portal Metrópoles. Enquanto mantém a PEC do fim da escala 6×1 sem encaminhamento, Alcolumbre enviou à Comissão de Constituição e Justiça uma proposta apresentada pela oposição que prevê a ampliação da livre negociação entre empregadores e trabalhadores. Nos corredores do Congresso, essa iniciativa é tratada como alternativa para impedir ou modificar a proposta aprovada pela Câmara. A disputa em torno da jornada de trabalho tornou-se um dos principais embates sociais em curso no Legislativo. De um lado estão parlamentares, sindicatos e movimentos que defendem a redução da jornada sem redução salarial. De outro, entidades empresariais e setores conservadores do Congresso que argumentam contra mudanças na legislação trabalhista. Paralelamente à tramitação da PEC, o governo federal mantém a urgência constitucional de um projeto relacionado ao mesmo tema. Esse mecanismo impede o avanço de outras votações na Câmara dos Deputados até que a matéria receba deliberação, preservando a discussão sobre jornada de trabalho entre os assuntos prioritários do Congresso Nacional. A deputada federal Daiana Santos, do PCdoB do Rio Grande do Sul, afirmou que a posição adotada por Alcolumbre demonstra resistência à tramitação da proposta aprovada pelos deputados. “Ele disse que ou coloca em pauta ‘todas as PECs’ ou não coloca nenhuma. Ou seja, um projeto que mudará a vida de 34 milhões de pessoas está sendo tratado sem nenhuma urgência na Casa. É absurda essa postura. Não podemos aceitar que o lobby dos empresários terá mais força que a vontade da população brasileira”, declarou. Daiana Santos é autora de uma proposta que prevê a redução da jornada semanal para 40 horas e a adoção da escala 5×2, modelo que estabelece cinco dias de trabalho e dois dias de descanso. Segundo a parlamentar, a mudança busca alterar a distribuição do tempo de trabalho e descanso para milhões de trabalhadores submetidos à escala atualmente vigente.
- O bloqueio imposto pelos EUA a Cuba impede intervenções cirúrgicas em mais de 100 mil pacientes
Mais de 100 mil cubanos aguardam procedimentos cirúrgicos em meio às restrições impostas pelo bloqueio econômico mantido pelos Estados Unidos contra Cuba. Dados divulgados em 10 de junho pela vice-ministra da Saúde Pública, Carilda Peña, apontam impactos diretos sobre a capacidade do sistema de saúde de adquirir insumos, equipamentos e recursos necessários para tratamentos médicos. A situação também afeta serviços de hemodiálise e o funcionamento de unidades hospitalares em diferentes regiões do país. Crédito: Médicos auxiliam em um parto na maternidade Ramón González Coro, Havana, Cuba. ©Ramón Espinosa/AP Durante participação no programa Mesa Redonda, transmitido pela televisão cubana, Carilda Peña informou que, ao final da semana anterior, 95.555 pacientes permaneciam na fila por cirurgias gerais. Outros 5.152 aguardavam procedimentos oncológicos. Segundo a vice-ministra, o sistema de saúde cubano continua realizando operações e tratamentos, mas enfrenta limitações relacionadas à obtenção de recursos médicos e tecnológicos. “Não podemos dizer que estamos em zero, porque enormes esforços estão sendo feitos, mas todos esses pacientes estão aguardando cirurgia”, declarou. Os números apresentados pelo Ministério da Saúde Pública revelam que mais de 100.700 pessoas dependem de intervenções médicas que ainda não puderam ser realizadas. Entre os pacientes estão pessoas que aguardam cirurgias para tratar doenças crônicas, condições oncológicas e outras enfermidades que exigem procedimentos hospitalares. Carilda Peña afirmou que a impossibilidade de acesso aos tratamentos afeta diretamente a vida dos pacientes. Segundo ela, muitas pessoas convivem diariamente com a necessidade de uma intervenção médica sem que o sistema consiga responder à demanda acumulada. A vice-ministra também destacou as dificuldades enfrentadas pelos serviços de hemodiálise, área que depende do fornecimento contínuo de materiais especializados, equipamentos, sistemas de purificação de água e manutenção técnica. Atualmente, 2.888 cubanos recebem tratamento de hemodiálise. O procedimento é indispensável para pacientes com insuficiência renal e exige infraestrutura permanente para garantir seu funcionamento. De acordo com Peña, a escassez de insumos levou as autoridades sanitárias a ampliar a reutilização de dialisadores, dispositivos empregados durante as sessões de hemodiálise. A medida busca manter a continuidade dos tratamentos diante das restrições de abastecimento. A responsável pelo Ministério da Saúde Pública explicou que esse processo exige etapas adicionais de processamento, controle técnico e monitoramento especializado. “Entre as medidas adotadas para garantir o tratamento está o aumento da reutilização de dialisadores”, afirmou a vice-ministra ao abordar as estratégias utilizadas para preservar o atendimento aos pacientes renais. O cenário também afeta moradores de regiões afastadas dos centros de tratamento. Segundo Peña, parte dos pacientes precisa ser hospitalizada porque a falta de transporte dificulta os deslocamentos necessários para a realização das sessões de hemodiálise. A situação ocorre em um contexto de limitações sobre importações de equipamentos médicos, peças de reposição, medicamentos e insumos hospitalares. As autoridades cubanas atribuem essas dificuldades ao bloqueio econômico, comercial e financeiro mantido por Washington contra a ilha há mais de seis décadas. Durante a entrevista, a vice-ministra também relacionou os desafios enfrentados pelas unidades de saúde aos problemas de infraestrutura que afetam o funcionamento dos serviços médicos. “Além das limitações no fornecimento, há os efeitos causados pelos cortes de energia e dificuldades no abastecimento de água e outros elementos essenciais para garantir o funcionamento das unidades de hemodiálise”, argumentou Peña. As declarações foram divulgadas pela agência Prensa Latina em 10 de junho de 2026, a partir das informações apresentadas pela vice-ministra da Saúde Pública de Cuba durante sua participação no programa Mesa Redonda.
- Bill Gates afirma que Epstein queria um relacionamento pessoal, mas "nunca retribuiu"
O bilionário Bill Gates afirmou em 10 de junho, diante do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que encerrou sua relação com Jeffrey Epstein após concluir que o financista não entregaria os recursos prometidos para projetos filantrópicos. O depoimento ocorreu em sessão fechada em Washington e integrou uma investigação parlamentar sobre a rede de relações construída por Epstein com figuras do poder econômico e político estadunidense. Gates também declarou que Epstein utilizou informações sobre suas infidelidades conjugais para pressioná-lo a restabelecer contato. Bill Gates O fundador da Microsoft compareceu voluntariamente perante o comitê bipartidário, que já ouviu diversas personalidades ligadas ao caso Epstein. Durante sua declaração inicial, Gates procurou afastar suspeitas de envolvimento em atividades criminosas e negou ter testemunhado qualquer crime praticado por Epstein durante os anos em que manteve contato com ele. “Eu nunca fui à ilha dele, ao rancho dele ou à casa dele na Flórida. Nunca vitimizei ninguém”, afirmou Gates. “Embora ele possa ter tentado cultivar um relacionamento pessoal, eu nunca estive interessado nisso e nunca retribuí.” Gates também declarou esperar que “os sobreviventes dos crimes de Epstein possam obter a justiça que merecem”. O depoimento ocorre anos após a morte de Jeffrey Epstein em uma prisão estadunidense em 2019, quando aguardava julgamento por acusações relacionadas ao tráfico sexual. Sua associada Ghislaine Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão. Em fevereiro deste ano, Maxwell participou virtualmente de uma audiência do mesmo comitê, mas utilizou seu direito constitucional de não responder às perguntas formuladas pelos parlamentares. A investigação ganhou novo impulso após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar, em janeiro de 2026, milhões de páginas de documentos relacionados ao caso. Entre os registros aparecem milhares de menções a Gates, além de fotografias que mostram encontros entre os dois homens ao longo da década passada. Em sua fala ao Congresso, Gates repetiu declarações concedidas anteriormente à imprensa, afirmando que lamenta ter mantido contato com Epstein. Segundo ele, os encontros ocorreram em um contexto relacionado à busca por financiamento para iniciativas de saúde global vinculadas à sua fundação. Uma das imagens divulgadas pelo Departamento de Justiça mostra Gates próximo a uma aeronave associada a Epstein. O empresário confirmou ter realizado viagens em jatos particulares ligados ao financista. Os documentos tornados públicos também incluem rascunhos de mensagens atribuídas a Epstein contendo acusações sobre a vida privada de Gates. Entre elas estão alegações de que Epstein teria facilitado encontros extraconjugais, intermediado contatos com mulheres russas, fornecido drogas e auxiliado em situações relacionadas a uma infecção sexualmente transmissível. Gates negou todas essas acusações. Outro documento atribuído a Epstein sustenta que Gates teria tentado fornecer antibióticos à então esposa, Melinda Gates, sem seu conhecimento. O empresário rejeitou essa alegação, mas reconheceu ter mantido relacionamentos extraconjugais com duas mulheres russas. “Epstein estava tentando usar informações sobre minhas infidelidades - além de muitas mentiras que ele acrescentou - para me pressionar a retomar o relacionamento com ele”, declarou. Segundo Gates, a relação entre ambos começou em 2011, três anos após a condenação de Epstein na Flórida por acusações relacionadas à solicitação de prostituição. O empresário afirmou que as reuniões tinham como foco discussões sobre possíveis doações para programas de saúde internacional mantidos por sua fundação. De acordo com seu depoimento, desde o início ficou estabelecido que Epstein não teria qualquer função dentro da fundação nem receberia remuneração vinculada a seus projetos. O deputado democrata Robert Garcia afirmou aos jornalistas que o depoimento demonstrou que Gates tinha conhecimento do histórico criminal de Epstein e, mesmo assim, continuou mantendo contato com ele na tentativa de obter apoio financeiro para atividades filantrópicas. Durante a audiência, Gates relatou que rompeu definitivamente a relação em 2014. Segundo ele, Epstein reuniu um grupo de pessoas apresentadas como potenciais doadores para a fundação, mas nenhuma delas demonstrou interesse em financiar os projetos discutidos. “Percebi que nossas discussões anteriores - que deveriam ter se traduzido em um apoio filantrópico significativo - eram um beco sem saída”, afirmou. “Naquele momento, concluí que Epstein jamais cumpriria suas promessas. Disse-lhe que não iríamos mais longe e parei de me comunicar ou me encontrar com ele.” Parlamentares democratas informaram que Gates forneceu à comissão os nomes de pessoas reunidas por Epstein durante as tentativas de arrecadação de recursos. Os nomes não foram divulgados publicamente. O deputado republicano Tim Burchett afirmou que o depoimento foi marcado por questionamentos detalhados e avaliou que Epstein construía relações com figuras influentes para ampliar sua presença em círculos de poder. “Para mim, está bem claro que Epstein era um colecionador de amigos. Ele gostava de ter por perto pessoas importantes, tirar fotos com elas e passar tempo com elas, e acho que era assim que ele as conquistava”, declarou Burchett. O parlamentar também afirmou que Gates demonstrou desconforto durante a audiência. Outros integrantes da comissão disseram que Gates respondeu perguntas sobre os documentos atribuídos a Epstein e insistiu que jamais foi apresentado a meninas, mulheres ou menores de idade por intermédio do financista. A deputada democrata Emily Randall afirmou que parte das respostas fornecidas por Gates levanta questionamentos sobre o comportamento de homens influentes que mantiveram relações com Epstein ao longo dos anos. “Algumas de suas respostas mostram que muitos dos homens que interagiram com Jeffrey Epstein só viram o que queriam ver nessas interações”, declarou Randall. Em fevereiro de 2026, Gates já havia informado funcionários de sua fundação que tinha conhecimento de restrições que haviam limitado as viagens de Epstein durante um período de aproximadamente 18 meses. Segundo ele, não realizou verificações suficientes sobre o histórico do financista antes de iniciar os encontros. Os parlamentares também questionaram a alegação de desconhecimento apresentada por Gates, observando que informações sobre a condenação e o passado de Epstein já circulavam publicamente durante os anos em que ambos mantiveram contato.











