20 minutos de pura baboseira: desmentindo o discurso derrotista de Trump
- www.jornalclandestino.org

- há 1 dia
- 3 min de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a ofensiva contra o Irã em discurso realizado na quinta-feira, 2 de abril de 2026. A fala, com cerca de 20 minutos, foi marcada pela repetição de baboseiras já amplamente contestadas por dados concretos e pelo próprio desenrolar do conflito. Apesar de sinalizações anteriores de possível recuo ou escalada, nenhuma mudança substancial foi anunciada.

Trump afirmou que as forças militares estadunidenses estão próximas de concluir seus objetivos no Irã, mas os próprios fatos no terreno indicam o contrário. Desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro de 2026, objetivos declarados como “mudança de regime”, contenção do programa de mísseis, desmantelamento nuclear e reabertura do Estreito de Ormuz não foram alcançados. A estrutura política iraniana permanece funcional, com substituição imediata de lideranças após assassinatos promovidos pela ofensiva, repetindo padrões já observados em conflitos anteriores. As capacidades militares também seguem ativas, com operações contínuas contra alvos estadunidenses e israelenses na região.
Ao alegar que Washington está “desmantelando sistematicamente” a capacidade iraniana, Trump ignora o histórico do próprio conflito. A escalada atual teve início com ataques coordenados entre Israel e forças estadunidenses, incluindo assassinatos de lideranças políticas, militares e científicas iranianas. Em resposta, o Irã lançou operações como Promessa Verdadeira 3 e 4, atingindo bases militares e infraestruturas estratégicas na região. A dinâmica evidencia um padrão de ação e reação, no qual a iniciativa parte do eixo militar Israel–Estados Unidos, apesar do discurso oficial inverso.
A afirmação de que as capacidades militares e nucleares iranianas foram “dizimadas” também não encontra respaldo. Até o momento, já foram registradas 90 ondas de ataques com mísseis e drones no âmbito da Operação Promessa Verdadeira 4, indicando manutenção plena da capacidade ofensiva. O programa nuclear iraniano, reiteradamente descrito por Teerã como pacífico, permanece operacional, mesmo após ataques a instalações e assassinatos de cientistas. Autoridades iranianas insistem que “a tecnologia não pode ser eliminada com ataques físicos”, destacando a resiliência estrutural do setor.
Trump também declarou que a marinha e a força aérea iranianas foram destruídas, enquanto dados operacionais indicam atividade intensa dessas forças. Nos últimos dias, mais de 100 mísseis pesados, drones e cerca de 200 foguetes foram lançados em uma única operação, atingindo alvos em cidades como Tel Aviv, Eilat e Bnei Brak, além de posições militares no Bahrein. Um esconderijo de forças estadunidenses em Manama, com cerca de 80 pessoas, foi atingido por um míssil de precisão. Relatos de campo indicam transferência de oficiais feridos para hospitais locais após ataques a instalações fora do perímetro da Quinta Frota.
No campo político, a alegação de “mudança de regime” foi amplamente ridicularizada, inclusive dentro do próprio ambiente digital estadunidense. Após o assassinato do aiatolá Seyyed Ali Khamenei, um novo líder foi rapidamente estabelecido, mantendo a continuidade institucional. Declarações anteriores de Trump, como “quando terminarmos, assumam o governo”, revelam a intenção explícita de intervenção direta, inclusive com possibilidade de tropas em solo iraniano. A estratégia remete a tentativas anteriores de ingerência em países como a Venezuela, adaptadas agora a um cenário de maior escala militar.
No que diz respeito ao programa nuclear, Trump voltou a afirmar que o Irã estaria próximo de desenvolver armas nucleares. No entanto, o próprio histórico recente contradiz essa narrativa: foi o governo Trump que abandonou unilateralmente o acordo nuclear de 2015 em maio de 2018, reimpondo sanções e elevando tensões. O Irã permanece signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e continua permitindo inspeções internacionais, sem evidências comprovadas de militarização do programa.
A retórica de que a guerra seria um “investimento” para o futuro também enfrenta rejeição interna. Pesquisas Reuters/Ipsos indicam queda da aprovação de Trump para 36%, enquanto levantamento da Fox News aponta 59% de desaprovação. No fim de semana anterior, mais de sete milhões de pessoas participaram de manifestações “Sem Reis” em todos os 50 estados, com mais de 3.200 atos registrados — descritos pelos organizadores como o maior dia de mobilização não violenta da história recente dos Estados Unidos.
No campo econômico, a tentativa de minimizar a importância do Estreito de Ormuz também não se sustenta. Dados da Administração de Informação Energética dos EUA mostram que, em 2024, o país importou cerca de 500 mil barris diários pela rota, equivalente a 7% das importações de petróleo bruto. O bloqueio atual elevou o preço do Brent a níveis recordes, com projeções de até US$ 200 por barril. Nos Estados Unidos, o impacto já é direto: gasolina acima de US$ 4 por galão e diesel próximo de US$ 6 em diversos estados.
A insistência de Trump em sustentar uma narrativa de sucesso militar contrasta com a realidade de um conflito prolongado, caro e sem resultados estratégicos claros. Ao repetir justificativas já desgastadas, o governo estadunidense reforça um padrão histórico de intervenções baseadas em premissas frágeis, cujos custos recaem tanto sobre a população atingida no exterior quanto sobre a própria sociedade estadunidense.



































