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340 crianças mortas e 52 milhões sem escola: o impacto real da guerra que os EUA e Israel causaram e não querem que você saiba

A escalada militar liderada por Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro de 2026 lançou milhões de crianças do Oriente Médio em uma crise humanitária de grandes proporções. Dados da Unicef indicam que mais de 340 crianças foram mortas e milhares ficaram feridas desde o início dos bombardeios contra o Irã e das retaliações regionais. O primeiro dia da ofensiva concentrou o episódio mais letal, quando um ataque de míssil estadunidense atingiu uma escola em Minab e matou ao menos 165 crianças e professores. Ao mesmo tempo, mais de 1,2 milhão de crianças foram deslocadas em diferentes países, com destaque para o Líbano. O cenário combina mortes em massa, deslocamentos forçados e até recrutamento infantil em operações militares.


Uma sala de aula simbólica é montada na Praça Vanak em memória dos estudantes que perderam a vida nos ataques realizados em 28 de fevereiro em Minab, na província de Hormozgan. Fotografias de alunas da Escola Primária Feminina Shajarat al-Tayyiba foram colocadas sobre as carteiras e a frase "Lição de hoje: defesa da pátria" foi escrita no quadro negro, destacando o impacto e as perdas causadas pelos ataques, em Teerã, capital do Irã, em 29 de março de 2026. (Foto de Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images)
Uma sala de aula simbólica é montada na Praça Vanak em memória dos estudantes que perderam a vida nos ataques realizados em 28 de fevereiro em Minab, na província de Hormozgan. Fotografias de alunas da Escola Primária Feminina Shajarat al-Tayyiba foram colocadas sobre as carteiras e a frase "Lição de hoje: defesa da pátria" foi escrita no quadro negro, destacando o impacto e as perdas causadas pelos ataques, em Teerã, capital do Irã, em 29 de março de 2026. (Foto de Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images)
Segundo a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, “as crianças da região estão sendo expostas a uma violência horrível, enquanto os próprios sistemas e serviços destinados a protegê-las estão sendo atacados”.


O dado sintetiza um quadro em que infraestrutura civil essencial, como escolas, hospitais e sistemas de saneamento, vem sendo sistematicamente atingida por bombardeios dos EUA e Israel, ampliando a vulnerabilidade infantil em toda a região.


No Líbano, a ofensiva israelense e as ordens de evacuação forçaram mais de 1,1 milhão de pessoas a deixarem suas casas, incluindo cerca de 400 mil crianças, conforme levantamento da Unicef. Aproximadamente 90% dessas pessoas vivem fora de abrigos formais, muitas em condições precárias nas ruas ou em acampamentos improvisados. Em Beirute, no bairro de Biel, o libanês Nidal Ahmed, de 52 anos, vive em uma barraca improvisada com seus filhos após ter sua casa em Tiro destruída por um ataque aéreo nos primeiros dias da guerra. “São 17h e não comemos nada hoje”, relatou, descrevendo a rotina de escassez em que as crianças sobrevivem com chá e pão. Ele acrescentou: “Não é adequado para uma criança tão pequena comer pão, mas o que podemos fazer?”, ao apontar para sua filha Zahraa, de oito meses.


Ahmed também relatou a deterioração das condições sanitárias e de abrigo, afirmando que sua família acorda diariamente com colchões encharcados devido à chuva que atravessa a lona improvisada. O acesso à higiene é limitado a uma vez por semana, quando conseguem se deslocar até a casa de conhecidos, enquanto centenas de famílias compartilham um único banheiro sem água corrente. O representante da Unicef no Líbano, Marcoluigi Corsi, alertou que


“este ciclo implacável de bombardeios e deslocamentos está agravando severamente suas cicatrizes psicológicas, enraizando um medo profundo e ameaçando causar danos emocionais profundos e de longo prazo”.

Na Palestina, o genocídio em curso na Faixa de Gaza continua a produzir vítimas mesmo após a formalização de um cessar-fogo em outubro de 2025. Autoridades de saúde locais relatam que pelo menos 50 palestinos foram mortos desde o início da guerra contra o Irã, incluindo crianças, como no ataque de 29 de março que matou ao menos seis pessoas, entre elas uma menina. Desde outubro de 2023, mais de 72 mil palestinos foram mortos, com mais de 20 mil crianças entre as vítimas, segundo a organização Save the Children. Até outubro do ano passado, a média indicava a morte de uma criança palestina por hora.


Estudante palestina Mine el-Hatib ©TRT
Estudante palestina Mine el-Hatib ©TRT

As restrições impostas à Faixa de Gaza durante a escalada regional interromperam o funcionamento de escolas e bloquearam a entrada de ajuda humanitária nos primeiros dias da guerra, agravando ainda mais a crise estrutural já existente. Na Cisjordânia ocupada, a violência também se intensificou, com pelo menos três crianças mortas desde o início da guerra contra o Irã. Em 15 de março, forças israelenses dispararam contra um carro em Tamoun, matando dois irmãos, Mohammed, de cinco anos, e Othman, de sete, além de seus pais. O sobrevivente Khaled, de 11 anos, relatou: “Matamos cachorros”, frase que disse ter ouvido de um policial após ser retirado dos destroços e agredido.


©Mahmoud Hamda
©Mahmoud Hamda

No Irã, além das vítimas diretas dos bombardeios, a destruição da infraestrutura educacional também se expandiu de forma significativa. O ataque estadunidense à escola primária em Minab, em 28 de fevereiro, considerado o episódio mais letal da guerra até o momento, foi classificado pela Unesco como uma grave violação do direito internacional. Dados da Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano indicam que 316 centros médicos e 763 escolas foram danificados ou destruídos por ataques israelenses apoiados pelos Estados Unidos.


HORMOZGAN, IRÃ - 20 DE MARÇO: Iranianos se reúnem em um cemitério para homenagear as vítimas, em sua maioria crianças, que foram mortas em um ataque dos EUA e Israel contra uma escola primária feminina em Minab, província de Hormozgan, Irã, em 20 de março de 2026. As vítimas perderam a vida em 28 de fevereiro, o primeiro dia de uma onda de ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, quando uma escola primária feminina na cidade foi alvo. ©Hassan Ghaedi/Anadolu via Getty Images
HORMOZGAN, IRÃ - 20 DE MARÇO: Iranianos se reúnem em um cemitério para homenagear as vítimas, em sua maioria crianças, que foram mortas em um ataque dos EUA e Israel contra uma escola primária feminina em Minab, província de Hormozgan, Irã, em 20 de março de 2026. As vítimas perderam a vida em 28 de fevereiro, o primeiro dia de uma onda de ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, quando uma escola primária feminina na cidade foi alvo. ©Hassan Ghaedi/Anadolu via Getty Images


O impacto direto dessas ações se reflete na paralisação da educação em escala regional. Segundo a Save the Children, pelo menos 52 milhões de crianças tiveram seus estudos interrompidos, seja pela destruição das escolas, seja pela migração forçada para ensino remoto ou pela completa ausência de acesso à educação. No Líbano, dos 669 abrigos coletivos existentes, 364 são escolas públicas convertidas em centros de acolhimento para deslocados.


Ahmad Alhendawi, diretor regional da Save the Children para Oriente Médio, Norte da África e Leste Europeu, afirmou: “Em todos os conflitos, as salas de aula costumam ser as primeiras a fechar e algumas das últimas a reabrir. Cada aula perdida aprofunda as cicatrizes da guerra”. Ele acrescentou que ataques a escolas podem constituir graves violações do direito internacional humanitário e que “as leis da guerra devem ser respeitadas”.


Além das perdas físicas e materiais, o impacto psicológico se aprofunda em toda a região. Crianças expostas continuamente a bombardeios, deslocamentos e perdas familiares apresentam sinais de trauma severo, com efeitos duradouros no desenvolvimento emocional e cognitivo. Mesmo sob restrições severas de comunicação no Irã, canais de televisão via satélite passaram a transmitir orientações para famílias lidarem com o medo e a ansiedade infantil.


Alhendawi sintetizou o cenário ao afirmar: “Toda guerra é uma guerra contra as crianças. As crianças vivem com medo, presas no fogo cruzado desta guerra de adultos”.

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