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A China alerta sobre o destacamento de tropas japonesas na Ucrânia

A China reagiu ao anúncio do envio de militares japoneses para uma missão da OTAN relacionada à Ucrânia e afirmou que Tóquio avança em um processo de remilitarização. O posicionamento foi apresentado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês após o governo japonês confirmar o destacamento de quatro oficiais das Forças de Autodefesa para uma estrutura da aliança militar ocidental. A medida amplia a cooperação entre o Japão e a OTAN em meio às disputas estratégicas que envolvem a região Ásia-Pacífico e o conflito na Ucrânia.


Exército da China ©THE DIPLOMAT
Exército da China ©THE DIPLOMAT

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou em Pequim, na segunda-feira, que o governo chinês vê com preocupação o envio de integrantes das Forças de Autodefesa japonesas para a Organização de Assistência e Treinamento de Segurança da OTAN na Ucrânia.


A manifestação ocorreu após o Ministério da Defesa do Japão anunciar, na sexta-feira, que quatro oficiais japoneses serão enviados para a missão criada pela OTAN para coordenar apoio militar e treinamento às forças ucranianas.


“O Japão tem buscado a remilitarização a todo vapor, interagindo frequentemente com uma organização militar de fora da região, expandindo o escopo das atividades de suas Forças de Autodefesa e construindo um sistema operacional pronto para o combate”, afirmou Lin Jian.

O representante chinês sustentou que a iniciativa japonesa busca ampliar os limites estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial para o emprego das forças armadas do país.


“Este é o Japão tentando se libertar das restrições de sua Constituição, das leis nacionais e internacionais e de seu princípio exclusivamente voltado para a defesa”, declarou.

A missão da OTAN para a qual os oficiais japoneses serão enviados foi criada na Alemanha em 2024. A estrutura foi estabelecida após o início da operação militar russa na Ucrânia e tem como função coordenar o fornecimento de equipamentos militares e treinamento para as forças ucranianas.


A participação japonesa ocorre em um contexto de aproximação entre Tóquio e a aliança militar liderada por potências ocidentais. Nos últimos anos, o Japão ampliou sua presença em fóruns de segurança ligados à OTAN e elevou seus investimentos na área militar, movimento que tem sido acompanhado com atenção por Pequim.


Durante a coletiva de imprensa, Lin Jian associou a expansão das atividades militares japonesas a um processo de rearmamento do país.


“O surgimento malévolo do neomilitarismo no Japão está ameaçando a paz e a estabilidade regional. A comunidade internacional deve permanecer em alerta máximo e tomar medidas enérgicas para combater esse problema”, afirmou.

A troca de declarações entre autoridades chinesas e japonesas ganhou intensidade após o Diálogo de Shangri-La, realizado em Singapura durante o fim de semana.


O ministro da Defesa do Japão, Koizumi Shinjiro, defendeu a decisão de enviar militares para a missão da OTAN e afirmou que a participação contribuirá para o fortalecimento das capacidades defensivas japonesas.


Ao responder às observações feitas por Koizumi, Lin Jian retomou referências históricas ao papel desempenhado pelo militarismo japonês durante a Segunda Guerra Mundial.


Segundo o porta-voz chinês, os militaristas japoneses “cometeram crimes horrendos na Segunda Guerra Mundial e infligiram sofrimentos indizíveis aos seus vizinhos asiáticos e às nações aliadas”.


No domingo, durante o encontro em Singapura, Koizumi também fez referência ao debate sobre os investimentos militares na região. Sem mencionar diretamente a China, o ministro afirmou que existe um país que possui arsenal nuclear e bombardeiros estratégicos, enquanto o Japão não dispõe desses recursos, mas ainda assim é acusado de militarismo.


“Existe um país que possui um enorme arsenal de armas nucleares e bombardeiros estratégicos. O Japão não possui nenhuma dessas armas e, mesmo assim, é rotulado de neomilitarista”, declarou o ministro japonês.


Em resposta, Lin Jian apresentou dados sobre os gastos militares japoneses. Segundo ele, o orçamento de defesa do Japão ultrapassou 9 trilhões de ienes e atingiu um novo recorde pelo 14º ano consecutivo desde o fim da Segunda Guerra Mundial.


“O orçamento de defesa mais recente do Japão ultrapassou 9 trilhões de ienes, atingindo um recorde pelo 14º ano consecutivo desde a Segunda Guerra Mundial. Seus gastos com defesa per capita chegaram a ser três vezes maiores que os da China, e o gasto total com defesa subiu para 2% do PIB, com planos de aumentá-lo ainda mais para 3,5%”, afirmou.

O porta-voz chinês também rejeitou as declarações do ministro japonês e afirmou que os argumentos apresentados por Tóquio não alteram a percepção de Pequim sobre a expansão militar japonesa.


“As declarações do oficial japonês (Koizumi Shinjiro) não têm qualquer fundamento. Não possuem nenhuma autoridade diante da história, da lei, dos fatos e dos números. De forma alguma tais declarações ajudarão o Japão a conquistar a confiança de seus vizinhos asiáticos e da comunidade internacional”, declarou Lin Jian.

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