Haddad defende a 'taxa das blusinhas' mesmo após recuo de Lula
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Fernando Haddad afirmou que não mudou sua posição sobre a cobrança de imposto federal em compras internacionais de até US$ 50, medida revogada em 2026. Em entrevista à BBC News Brasil publicada em 1º de junho, o ex-ministro da Fazenda sustentou que o comércio físico não deve arcar com carga tributária superior à das plataformas de venda pela internet. A declaração ocorre enquanto o petista intensifica sua pré-campanha ao governo de São Paulo e discute os rumos da sucessão presidencial no PT após Lula.

Em entrevista concedida à BBC News Brasil, Haddad declarou que continua defendendo os fundamentos da chamada "taxa das blusinhas", criada em 2024 e revogada neste ano. O tema voltou ao debate após o presidente Lula relatar, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad considerava a medida positiva por seu efeito de proteção à indústria instalada no país.
Questionado se havia cometido um erro de avaliação ao defender a cobrança, Haddad respondeu: "Não mudei de opinião". O ex-ministro argumentou que empresas com estabelecimentos físicos não podem enfrentar tributação superior à aplicada ao comércio eletrônico internacional.
"Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", afirmou.
Ao justificar sua posição, Haddad citou o fato de os governos estaduais terem mantido a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre compras internacionais. O petista também mencionou a posição da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que declarou em abril que a política tributária relacionada às importações preservou 135 mil empregos enquanto esteve em vigor.
Durante a entrevista, Haddad direcionou críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o ex-ministro, os governadores continuam arrecadando por meio do ICMS incidente sobre essas compras.
"Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando", declarou.
A referência ao governador aparece no contexto da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Haddad vem realizando viagens pelo interior paulista e promovendo encontros em universidades enquanto busca ampliar sua presença eleitoral antes do início oficial da campanha.
Pesquisa Quaest divulgada no fim de abril apontou Tarcísio de Freitas com até 38% das intenções de voto em cenários de reeleição. Haddad registrou até 26%, conforme a composição testada pelo levantamento.
O ex-ministro informou que ainda não existe definição sobre a composição da chapa para a disputa estadual. Segundo ele, a escolha do candidato a vice deverá ocorrer "até dia 10, 15 de junho".
Além da eleição paulista, Haddad abordou o debate interno do PT sobre o futuro da legenda após Lula. O dirigente afirmou que ainda não há definição sobre o processo que escolherá o nome responsável por representar o partido em uma sucessão presidencial.
Questionado sobre a possibilidade de assumir futuramente o papel político exercido por Lula dentro do partido, Haddad respondeu: "Não dá para planejar desse jeito". Em seguida, acrescentou: "Tem muita coisa para acontecer no Brasil."
Ao tratar dos mecanismos internos de escolha de candidaturas, Haddad levantou a hipótese de realização de prévias partidárias para a definição do futuro candidato presidencial petista.
"Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo", afirmou.
O PT realiza consultas internas entre filiados para definir candidaturas municipais e, em alguns casos, estaduais. Em sua história de 46 anos, o partido realizou uma prévia presidencial apenas uma vez, em 2002. Na ocasião, Eduardo Suplicy manteve sua pré-candidatura e disputou uma eleição interna contra Lula. O então líder petista venceu com 84% dos votos, enquanto Suplicy obteve 15%, tornando-se posteriormente presidente da República naquele mesmo ano.
"Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter -, poderia ser um negócio muito bonito", declarou Haddad à BBC News Brasil.



































