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África precisa de reforçar o investimento em água e saneamento, diz ONU

Mais de 400 milhões de pessoas na África vivem sem acesso à água potável básica e mais de 700 milhões não dispõem de serviços de saneamento seguro. O alerta foi apresentado em 29 de maio pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a África durante as Reuniões Anuais de 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento. A entidade afirma que o investimento anual destinado ao setor permanece abaixo do necessário para cumprir as metas internacionais relacionadas ao acesso à água e ao saneamento.


O número de pessoas sem acesso a água potável na Etiópia, Quénia e Somália aumentou de 9,5 milhões para 16,2 milhões em apenas cinco meses, alertou hoje a Unicef ©UNICEF
O número de pessoas sem acesso a água potável na Etiópia, Quénia e Somália aumentou de 9,5 milhões para 16,2 milhões em apenas cinco meses, alertou hoje a Unicef ©UNICEF

O secretário-executivo da Comissão Econômica para a África, Claver Gatete, declarou que os governos africanos precisarão ampliar os recursos destinados à infraestrutura hídrica e sanitária para atingir os compromissos assumidos na Agenda 2030 das Nações Unidas e na Visão Africana da Água 2063. A estratégia continental busca garantir segurança hídrica e acesso ao saneamento para a população africana nas próximas décadas.


Segundo dados apresentados pela comissão, o continente necessita de mais de US$ 50 bilhões por ano para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, meta das Nações Unidas voltada ao acesso universal à água potável e ao saneamento. O volume atual de investimentos situa-se entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões anuais, valor inferior ao montante apontado como necessário pelas instituições envolvidas no planejamento do setor.


Os números expõem uma realidade marcada por limitações estruturais acumuladas ao longo de décadas. Em diversas regiões africanas, a expansão de redes de abastecimento, sistemas de tratamento de água e instalações sanitárias ocorre em ritmo inferior ao crescimento populacional, enquanto países continuam enfrentando restrições financeiras, dependência de financiamento externo e impactos associados a eventos climáticos.


Durante sua intervenção, Claver Gatete defendeu uma mudança na forma como os recursos hídricos são incorporados às estratégias econômicas nacionais. Segundo ele, a água não deve ser tratada apenas como serviço público, mas como componente ligado à produção de alimentos, à geração de energia, à saúde pública e à preservação dos ecossistemas.


A Comissão Econômica para a África sustenta que a gestão dos recursos hídricos precisa ser integrada aos planos nacionais de desenvolvimento, aos orçamentos públicos e às estratégias de investimento adotadas pelos governos. O organismo argumenta que a ampliação da infraestrutura relacionada à água pode influenciar indicadores ligados à produção agrícola, à segurança alimentar, ao emprego e à capacidade de adaptação diante de alterações climáticas.

Outro ponto destacado pela comissão envolve o potencial da chamada economia azul africana, conceito utilizado para definir atividades econômicas associadas a rios, lagos, oceanos e demais recursos hídricos. Segundo a entidade, a água deve ser considerada um ativo econômico capaz de gerar crescimento produtivo, renda e postos de trabalho quando associada a investimentos em infraestrutura e planejamento de longo prazo.


As declarações ocorreram durante as Reuniões Anuais de 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento, encontro que reuniu representantes governamentais, instituições financeiras e organismos multilaterais para discutir financiamento ao desenvolvimento no continente. O debate sobre água e saneamento ocupou posição central diante da distância existente entre os compromissos assumidos pelos países africanos e os recursos atualmente disponíveis.


Claver Gatete reafirmou a disposição da Comissão Econômica para a África de atuar em conjunto com o Banco Africano de Desenvolvimento, a Comissão da União Africana, as Comunidades Econômicas Regionais e outras instituições envolvidas na implementação da Visão Africana da Água 2063.


Ao encerrar sua participação, o secretário-executivo reiterou o apelo por cooperação entre governos e organismos continentais para ampliar os investimentos destinados ao setor. “Juntos, podemos cumprir este objetivo para África”, afirmou.

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