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A DOUTRINA DO SAQUE: O SEQUESTRO DE MADURO E A RECONQUISTA IMPERIALISTA DO PETRÓLEO

ARTIGO DE OPINIÃO

Por: Rafael Medeiros


O que o mundo testemunhou no último sábado, 3 de janeiro de 2026, não foi uma "operação de libertação", mas o ápice de um processo secular de expropriação. O sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores por forças especiais dos EUA em Caracas transportados como troféus de guerra para o navio militar USS Iwo Jima e posteriormente fichados em Nova York é o desfecho violento de uma estratégia desenhada não em tribunais, mas em salas de conselhos de administração das gigantes petrolíferas.


Sob a ótica do materialismo histórico, a queda de Maduro não é um evento isolado de "justiça". É a remoção de um obstáculo político à necessidade vital do capital financeiro estadunidense: o controle direto sobre as maiores reservas provadas de petróleo do mundo.


"Tiros disparados no comício de Donald Trump" em Butler, Pensilvânia
"Tiros disparados no comício de Donald Trump" em Butler, Pensilvânia

A Cronologia da Estrangulação


De 2017 ao "Big Stick" de 2026

A ofensiva final começou muito antes das bombas de janeiro. Ela foi pavimentada por um cerco econômico que visou paralisar as forças produtivas venezuelanas:


2017-2024: A Guerra Silenciosa das Sanções

Dados recentes apontam que a Venezuela perdeu aproximadamente US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas devido ao bloqueio. Entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024, a perda foi equivalente a 213% do PIB do país. Não foram medidas "corretivas", mas uma tática de terra arrasada para forçar o colapso da PDVSA.


A Pirataria Institucionalizada

O sequestro da CITGO e o bloqueio de diluentes essenciais transformaram a infraestrutura venezuelana em refém. Sem peças de reposição (capital constante) e sem o mercado americano, a produção despencou de 2 milhões para menos de 1 milhão de barris por dia, criando a narrativa de "incapacidade estatal" que agora justifica a privatização forçada.


3 de Janeiro de 2026: A Expropriação Direta

O pronunciamento de Donald Trump após o sequestro deixou a máscara cair. Ao invocar a Doutrina Monroe e declarar que "as grandes petrolíferas americanas irão consertar o que foi quebrado", Trump escancarou o objetivo: o retorno ao regime de 1957, onde 12% do produto interno da Venezuela fluía diretamente para investidores estrangeiros.


A Dialética do Petróleo:


303 Bilhões de Motivos

O centro da questão é a renda da terra. A Venezuela possui 303 bilhões de barris de reserva. Para o imperialismo, o controle dessas reservas é um pilar de sustentação da hegemonia do dólar e da segurança energética do Norte Global.


O Período da Exploração (Anos 50):


O país era como uma fazenda de petróleo dos Estados Unidos e da Inglaterra. As empresas estrangeiras mandavam em tudo e levavam embora 12% de toda a riqueza produzida no país. O lucro ia para fora, e a pobreza ficava dentro.


O Período da Soberania (A partir dos anos 70):


A Venezuela decidiu que o petróleo era dela. Criou a estatal PDVSA e passou a usar o dinheiro das vendas para financiar hospitais, escolas e programas sociais. O país deixou de ser apenas um fornecedor e passou a ter voz no mundo através da OPEP.


O Plano de "Reconquista" (2026):


O que vemos hoje é uma tentativa de "voltar no tempo". Através de sanções e da derrubada do governo, o objetivo é privatizar o petróleo novamente. Assim, as empresas americanas retomam o controle das reservas, garantem combustível barato para os EUA e transformam a Venezuela, de novo, em uma colônia que apenas entrega sua riqueza.


Em resumo: A briga não é por "democracia", mas sobre quem fica com a chave do cofre das maiores reservas de petróleo do planeta.


A História se Repete como Tragédia e Farsa

A prisão de Maduro e a imposição de um governo interino sob a sombra do Pentágono marcam o retorno da política do Big Stick (Grande Porrete). O desejo de Trump de "ser reembolsado" pelos investimentos que as petroleiras farão na infraestrutura destruída pelas suas próprias sanções é a lógica circular da exploração imperialista.


A resistência venezuelana, agora liderada interinamente por Delcy Rodríguez, enfrenta não apenas uma crise política, mas uma tentativa de apagamento histórico. A "liberdade" oferecida por Washington tem cheiro de óleo bruto e o preço da soberania nacional.


Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada | Jornal Clandestino

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