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Celular na infância: pesquisa revela impacto negativo da exposição prematura à saúde

A introdução precoce de smartphones na vida de crianças e adolescentes está diretamente associada ao aumento de problemas de saúde física e mental, segundo pesquisa publicada na revista Pediatrics. O estudo analisou dados de mais de 10 mil jovens acompanhados por até seis anos e identificou que a idade de aquisição do primeiro aparelho influencia diretamente os riscos à saúde. Crianças que já possuem smartphone aos 12 anos apresentam mais sintomas depressivos, maior risco de obesidade e menor duração do sono. Os dados mostram que 64% dos adolescentes já tinham celular aos 12 anos e 89% aos 14, com idade mediana de aquisição aos 11 anos. A tendência acompanha a expansão global de plataformas digitais e a normalização do acesso irrestrito às telas, inclusive em idades cada vez mais precoces.


Celular na infância - _arquivo
Celular na infância - _arquivo

A pesquisa indica que adolescentes expostos mais cedo ao smartphone têm até 30% mais risco de depressão e 40% mais probabilidade de obesidade em comparação aos que não possuem o aparelho, segundo levantamento divulgado pela Agência Einstein e replicado por veículos como R7. Esses efeitos não se restringem ao tempo de uso, mas ao momento em que o dispositivo passa a integrar a rotina da criança, indicando impacto estrutural na formação de hábitos, no sono e no comportamento.


A disseminação desses dispositivos ocorre em paralelo à expansão de grandes plataformas digitais que estruturam seus modelos de negócio na captação de atenção contínua — inclusive de crianças. Ao mesmo tempo em que a indústria tecnológica amplia sua base de usuários cada vez mais jovens, os custos sociais e sanitários recaem sobre famílias e sistemas públicos de saúde, que lidam com o resultante aumento de ansiedade, distúrbios do sono e sedentarismo.


A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda limitar o tempo de tela e reforçar a supervisão adulta, mas o avanço da digitalização precoce ocorre em ritmo mais acelerado que as políticas públicas de proteção à infância. O resultado é um cenário em que a infância se torna território de disputa entre o cuidado e a lógica de mercado, com impactos que se acumulam ao longo dos anos de desenvolvimento.


A pesquisa publicada na Pediatrics reforça que a discussão não é apenas comportamental ou doméstica, mas estrutural: envolve a forma como a economia digital globaliza hábitos, padroniza comportamentos e transforma crianças em consumidores desde cedo. Nesse cenário, a antecipação do primeiro smartphone deixa de ser uma escolha isolada das famílias e passa a refletir uma engrenagem mais ampla de interesses econômicos e tecnológicos que operam sem regulação proporcional aos danos já evidenciados.

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