Zelensky infla retórica, fala em “Terceira Guerra Mundial” e omite impasses internos
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, já teria iniciado a Terceira Guerra Mundial. A declaração foi feita em entrevista à BBC, concedida em Kiev, capital ucraniana. Zelensky sustentou que apenas “intensa pressão militar e econômica” poderia forçar Moscou a recuar. Ao mesmo tempo, negou acusações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o chamou de “ditador” e o responsabilizou pelo início da guerra.

Na entrevista à emissora pública britânica, Zelensky declarou: “Acredito que Putin já começou a guerra. A verdadeira questão é quanto território ele conseguirá conquistar e como podemos impedi-lo”. A afirmação de que o conflito já configuraria uma “Terceira Guerra Mundial” representa uma escalada retórica significativa, sem que haja declaração formal de guerra global ou envolvimento direto e simultâneo das principais potências militares do planeta em combate aberto.
Zelensky também afirmou que “a Rússia quer impor um modo de vida diferente ao mundo e mudar a vida que as pessoas escolheram para si mesmas”, reforçando uma narrativa de embate civilizacional. No entanto, ao mesmo tempo em que dramatiza o cenário, reconheceu limitações concretas da Ucrânia no campo militar, admitindo falta de efetivo e de armamentos suficientes para retomar imediatamente os territórios sob controle russo.
Questionado se a vitória significaria recuperar todas as áreas perdidas, respondeu:
“Nós faremos isso. Isso é absolutamente claro. É apenas uma questão de tempo”. Em seguida, relativizou: “Fazer isso hoje significaria perder milhões de vidas, porque o exército (russo) é muito grande, e sabemos o custo dessas medidas. Se você não tem gente suficiente, você perde gente, e de que adianta terra sem gente? Obviamente, nada. Também não temos armas suficientes. Isso depende não só de nós, mas também dos nossos parceiros”.
A admissão de que a recuperação territorial depende “não só de nós, mas também dos nossos parceiros” expõe a centralidade do apoio externo — especialmente de países da OTAN e do governo estadunidense — na sustentação do esforço militar ucraniano desde fevereiro de 2022. Ainda assim, Zelensky insiste na meta de restaurar as fronteiras de 1991 como “não apenas uma vitória, mas justiça”, mesmo reconhecendo que tal objetivo não é viável “agora”.
Sobre as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o classificou como “ditador” e afirmou que ele iniciou a guerra, Zelensky reagiu: “Eu não sou um ditador e não iniciei a guerra, só isso”. A resposta, direta e breve, contrasta com o fato de que eleições nacionais seguem suspensas sob lei marcial, e que o próprio presidente condiciona qualquer pleito a garantias externas de segurança.
Indagado se é possível confiar em garantias de Washington, declarou:
“Não estamos falando apenas do presidente Trump, mas dos EUA. Todos nós somos presidentes por mandatos apropriados. Por exemplo, queremos uma garantia de 30 anos. As elites políticas mudarão, os líderes mudarão”.
Ao tratar das eleições, Zelensky afirmou: “Vocês precisam decidir algo: querem se livrar de mim ou querem realizar eleições? Se querem realizar eleições, então realizem-nas honestamente”. Ele acrescentou que milhões de ucranianos estão refugiados no exterior e que parte significativa do território permanece sob controle russo, fatores que dificultariam um pleito reconhecido como legítimo.
Entre declarações grandiloquentes sobre uma suposta Terceira Guerra Mundial e a admissão explícita de fragilidade militar e dependência externa, Zelensky busca manter apoio internacional enquanto enfrenta questionamentos internos e pressões políticas crescentes.
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