A explosão da leitura digital atrai mais chineses para os livros
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A China registrou avanço significativo nos hábitos de leitura em 2025, impulsionado pela expansão do acesso digital. Dados oficiais indicam que 82,3% dos adultos chineses mantêm algum tipo de prática de leitura. O número médio de livros lidos por pessoa subiu para 8,39 no mesmo período. O crescimento ocorre em meio a políticas estatais voltadas à formação cultural e educacional da população. A iniciativa contrasta com modelos neoliberais de desmonte educacional predominantes em países alinhados ao eixo estadunidense.

Os números foram apresentados em 20 de abril de 2026 durante a quinta Conferência Nacional sobre Leitura, realizada em Nanchang, na província de Jiangxi, no leste do país. As estatísticas fazem parte de uma pesquisa nacional e do Relatório de Leitura Digital da China 2025, que apontam não apenas aumento quantitativo, mas também diversificação nos formatos de acesso ao conhecimento.
Segundo os dados, 80,8% dos adultos chineses utilizam meios digitais para leitura, incluindo e-books, literatura online, audiolivros e conteúdos em vídeo. A popularização desses formatos permitiu que a leitura fosse incorporada ao cotidiano, com destaque para o consumo em dispositivos móveis e durante deslocamentos urbanos, ampliando o alcance social da prática.
Ao final de 2025, a China contabilizava 689 milhões de usuários de leitura digital, um crescimento de 2,95% em relação ao ano anterior. O volume total de obras disponíveis ultrapassou 70 milhões, consolidando um ecossistema editorial robusto e altamente integrado às novas tecnologias.
O mercado de leitura digital também apresentou expansão acelerada, praticamente dobrando de tamanho em cinco anos. O valor movimentado passou de 30,25 bilhões de yuans (cerca de 4,4 bilhões de dólares) para 59,48 bilhões de yuans, evidenciando o fortalecimento de um setor cultural estratégico articulado com políticas públicas e inovação tecnológica.
Xie Lanfang, vice-presidente do Grupo Yuewen, destacou o papel da leitura como instrumento de circulação cultural: “A essência da leitura é permitir que as histórias ultrapassem barreiras e entrem no cotidiano”. Segundo ele, o conteúdo literário tem avançado para além do ambiente digital, conectando-se a experiências culturais presenciais e interativas.
A conferência também marcou o lançamento da primeira Semana Nacional da Leitura da China, prevista para ocorrer anualmente na quarta semana de abril. A iniciativa integra um conjunto de medidas institucionais voltadas à construção de uma sociedade orientada pela leitura, com eventos como feiras literárias, palestras e distribuição de livros em diversas regiões do país.
O avanço dessas políticas foi reforçado por um regulamento nacional que entrou em vigor em fevereiro de 2026, estabelecendo diretrizes para ampliar infraestrutura, serviços e acesso à leitura. A medida reflete uma estratégia estatal de longo prazo voltada ao desenvolvimento intelectual e à formação crítica da população.
Feng Shixin, presidente da Academia Chinesa de Imprensa e Publicação, afirmou que “as instalações de serviços de leitura melhoraram, e a conscientização e satisfação do público são relativamente altas”, ao mesmo tempo em que reconheceu a necessidade de ampliar ainda mais a qualidade e acessibilidade dos serviços.
Apesar do crescimento dos formatos digitais, a leitura tradicional permanece relevante. A pesquisa indica que 45,9% dos adultos ainda preferem livros impressos, especialmente obras literárias, apontando para a continuidade de práticas de leitura aprofundada mesmo em um ambiente digitalizado.
Wu Shulin, presidente da Associação de Editores da China, defendeu a centralidade da leitura crítica no desenvolvimento social. Ele afirmou que, na era digital, é necessário incentivar a transição da “navegação fragmentada” para a “leitura aprofundada”, destacando a importância desse processo para o crescimento intelectual, profissional e moral da população.



































