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Bloqueio de Trump contra Cuba atinge nível recorde em 2026

A política de bloqueio econômico, comercial e financeiro imposta pelos Estados Unidos contra Cuba alcançou em 2026 um novo patamar de sistematicidade e intensidade, segundo a agência Prensa Latina. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, medidas unilaterais foram ampliadas com o objetivo declarado de provocar ingovernabilidade e colapso econômico na ilha. A nova fase do cerco inclui sanções energéticas, perseguição financeira, restrições a remessas e endurecimento migratório, afetando diretamente a população cubana. Autoridades e pesquisadores denunciam que o conjunto das medidas constitui uma estratégia de estrangulamento econômico com impacto humanitário direto. O governo estadunidense sustenta as ações sob a justificativa de “emergência nacional” e suposta ameaça à segurança dos Estados Unidos.


Donald Trump
Donald Trump

A ofensiva mais recente foi consolidada pela Ordem Executiva de 29 de janeiro de 2026, que declarou um “estado de emergência nacional” sob a alegação de que Cuba representa uma “ameaça incomum e extraordinária” à política externa estadunidense. O decreto impôs tarifas punitivas e sanções secundárias contra países, empresas e companhias de navegação que exportem combustíveis à ilha, ampliando o alcance extraterritorial das restrições. O texto da medida ignora princípios do direito internacional ao atingir terceiros Estados que não participam de qualquer disputa bilateral. A Carta das Nações Unidas, em seu artigo 41, estabelece que apenas o Conselho de Segurança pode aplicar sanções, enquanto a Resolução 70/151 da Assembleia Geral orienta contra medidas coercitivas unilaterais. Ainda assim, a administração Trump mantém mecanismos de pressão e monitoramento sobre fornecedores de petróleo, evidenciando que o objetivo central não é jurídico, mas político: impedir o funcionamento da economia cubana ao cortar seu acesso à energia.


Apesar de decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos que declararam ilegais determinadas tarifas com base no abuso da International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), o governo estadunidense manteve a estrutura de sanções ativa. A estratégia de “máxima pressão” coordenada pela OFAC (Office of Foreign Assets Control) intensificou o bloqueio financeiro contra a ilha, com foco no sistema bancário internacional. Segundo a doutora em Ciências Jurídicas Seida Barrera, das 22 penalizações monetárias aplicadas recentemente contra empresas por violação do bloqueio, nove atingiram diretamente o setor bancário. O resultado é um bloqueio de transações, fechamento de contas e isolamento das representações cubanas no exterior, aprofundado pelo caráter extraterritorial das sanções.


A reinclusão de Cuba na lista estadunidense de Estados Patrocinadores do Terrorismo no mesmo dia da posse de Donald Trump reforçou o isolamento financeiro da ilha, dificultando acesso a crédito e financiamento internacional. No campo das remessas, o governo estadunidense restabeleceu, em 31 de janeiro de 2025, sanções contra a empresa Orbit S.A., responsável pela gestão de transferências, proibindo operações com companhias como a Western Union. As restrições incluem limite de mil dólares por trimestre e a proibição de remessas não familiares, eliminando canais formais de sustento para milhares de famílias cubanas e impactando também o setor privado emergente.


No setor de mobilidade, as medidas incluem a suspensão de voos charter para todo o país, exceto Havana, com frequências reduzidas, o fim das autorizações para cruzeiros, a eliminação da categoria “povo a povo” e a criação de uma lista com 422 estabelecimentos hoteleiros proibidos para cidadãos estadunidenses. Essas restrições atingem diretamente o turismo, uma das principais fontes de divisas da economia cubana. Paralelamente, o governo Trump eliminou o programa de parole humanitário, deixando mais de meio milhão de pessoas em situação migratória indefinida, e passou a utilizar a Base Naval de Guantánamo, território ocupado, como centro de detenção para migrantes.


A administração estadunidense também suspendeu vistos para intercâmbios culturais, esportivos e científicos, além de intensificar a perseguição a profissionais cubanos vinculados à cooperação médica internacional. O conjunto dessas medidas busca atingir não apenas a economia, mas também a projeção internacional da solidariedade médica cubana. Em paralelo, a ativação do Título III da Lei Helms-Burton, após 23 anos de suspensão, abriu espaço para 28 processos judiciais em tribunais estadunidenses contra entidades cubanas e estrangeiras acusadas de suposto “tráfico” de propriedades, ampliando a pressão jurídica extraterritorial.


A lista de entidades restritas já soma 231 empresas, incluindo a não renovação de licenças para redes hoteleiras como a Marriott, compondo um cerco econômico que paralisa investimentos e operações comerciais. A Resolução 70/151 da ONU condena o uso de listas unilaterais e acusações de terrorismo como instrumentos de coerção econômica, prática que, segundo denúncias citadas por Prensa Latina, atinge diretamente hospitais, escolas e serviços básicos na ilha. Nesse contexto, setores da sociedade cubana e organismos internacionais qualificam os efeitos acumulados do bloqueio como um ato de caráter genocida, ao produzir impactos diretos sobre direitos fundamentais como saúde, alimentação e desenvolvimento.


Diante da escalada das medidas, a posição oficial de Cuba permanece de recusa a negociações sob coerção e de defesa da continuidade de seu sistema político. Pesquisadores do Centro de Estudos Hemisféricos e dos Estados Unidos apontam que essa postura se ancora no pensamento histórico de José Martí e Fidel Castro, destacando a continuidade da resistência anti-imperialista. Em referência a Martí, recorda-se sua advertência sobre a expansão estadunidense na América Latina e a defesa de uma “Nossa América” soberana. Nesse contexto, a narrativa política cubana sustenta que a unidade interna e a organização social seguem como base da resistência diante do endurecimento do bloqueio.

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