Veteranos são presos nos EUA durante protesto contra guerra no Irã
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Mais de 60 pessoas foram presas pela polícia estadunidense durante um protesto contra a guerra no Irã em Washington, D.C. O ato ocorreu na segunda-feira dentro do Edifício Cannon da Câmara dos Representantes. Entre os detidos estavam dezenas de veteranos do Exército e familiares que exigiam o fim da ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã desde o final de fevereiro. O governo do presidente Donald Trump mantém a condução do conflito em meio a crescente contestação interna. O episódio expôs uma fissura direta entre militares veteranos e a política externa estadunidense no Oriente Médio.

O protesto reuniu grupos como About Face, Center for Awareness and War (CCW), Veterans for Peace, Common Defense, Fayetteville Resistance Coalition, Military Families Speak Out e 50501 Veterans. Os manifestantes ocuparam o prédio legislativo portando faixas com a inscrição “Fim da guerra contra o Irã” e entoando palavras de ordem contra a escalada militar. Tulipas vermelhas foram carregadas em homenagem aos cerca de 3.500 iranianos mortos durante ataques no contexto do conflito recente, incluindo número significativo de crianças. Parte do grupo também prestou homenagem a soldados estadunidenses mortos na guerra antes da intervenção policial que dispersou o ato e retirou os manifestantes do local.
Os organizadores exigiam reunião com o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, além da entrega de uma bandeira dobrada e um compromisso formal de interromper o financiamento da guerra. O objetivo declarado era pressionar o governo do presidente Donald Trump a encerrar a ofensiva militar. Vídeos divulgados em redes sociais registraram a retirada forçada dos manifestantes pela polícia estadunidense.
Entre os detidos estava o diretor executivo do CCW, o veterano da Guerra do Iraque Mike Prysner. Ele classificou o conflito como “profundamente impopular” e como uma crise política para o governo Trump, comparando a ofensiva atual à invasão do Iraque em 2003. Em declaração divulgada pelo CCW, Prysner afirmou: “A guerra à qual fui enviado custou inutilmente a vida de milhares de estadunidenses e um milhão de iraquianos”. Ele também declarou que “a objeção de consciência é um direito legal” e afirmou que a guerra contra o Irã é baseada em mentiras e atinge civis inocentes.
Prysner acrescentou que mais de 100 membros das Forças Armadas estadunidenses já solicitaram objeção de consciência e que o aumento dessas recusas poderia agravar a crise política do governo Trump. O movimento de veteranos também registrou falas direcionadas às tropas, incentivando a recusa de participação no conflito.
O grupo About Face publicou declaração em sua conta na rede social X denunciando décadas de intervenções militares dos Estados Unidos para derrubar governos considerados adversários e apoiar regimes aliados. A organização afirmou que veteranos carregam “as feridas de décadas de guerras devastadoras por lucro e mudança de regime que mataram milhões e aumentaram a instabilidade”, defendendo o direito do povo iraniano à autodeterminação e afirmando que uma guerra liderada pelos Estados Unidos não garante esse resultado.
O protesto ocorreu às vésperas do término de uma trégua de duas semanas entre Estados Unidos, Israel e Irã. Donald Trump rejeitou prorrogar o cessar-fogo e exigiu que Teerã aceite um acordo sob ameaça de destruição total. O governo iraniano rejeitou as exigências, denunciando a pressão estadunidense e afirmando que não aceitará imposições coercitivas.



































