Cuba acelera transição energética com expansão da energia solar
- www.jornalclandestino.org

- 21 de abr.
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Cuba avança em sua estratégia de transição energética com foco na soberania elétrica e redução da dependência de importações. Segundo a agência Prensa Latina, o plano foi detalhado em 1º de abril de 2026 por Ramsés Montes, diretor de Política e Estratégia Nacional de Energia do Ministério de Energia e Minas. O país enfrenta um déficit energético superior a 50%, agravado pelo bloqueio estadunidense e restrições à importação de combustíveis. Mesmo assim, autoridades afirmam que a geração solar já atinge cerca de 18% da eletricidade em 24 horas e até 50% no horário de pico ao meio-dia. A meta oficial prevê alcançar 24% de fontes renováveis até 2030 e 100% até 2050.

De acordo com Montes, a política energética cubana está estruturada na Estratégia Nacional para a Transição Energética, aprovada em setembro de 2024, que atualiza diretrizes anteriores de 2014 e antecede a criação de uma lei específica inédita no país. O plano é dividido em três etapas: atingir 24% de fontes renováveis até 2030, 40% até 2035 e, finalmente, alcançar a totalidade da geração elétrica combinando combustíveis fósseis nacionais e energias renováveis até 2050.
O objetivo central é garantir soberania energética por meio da utilização de recursos internos, reduzindo a exposição às sanções e ao mercado internacional controlado por potências centrais. Segundo o diretor do ministério, a proposta prevê que cerca de 50% da geração venha do petróleo nacional e do gás associado, enquanto o restante será composto majoritariamente por energia solar fotovoltaica, com possibilidade de consolidação ainda na década de 2030.
Dados apresentados à Prensa Latina indicam que Cuba já registra avanços significativos: durante o dia, a energia solar alcança quase 20% da matriz, com picos de até 50% ao meio-dia. Isso demonstra, segundo o governo, a viabilidade técnica de reduzir drasticamente a dependência de combustíveis importados. Paralelamente, há um programa para ampliar a produção de petróleo nacional voltado às usinas termelétricas, além do aproveitamento de gás associado pela empresa Energas.
Apesar desses avanços, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos continua sendo um fator estrutural de limitação. O déficit energético persiste justamente pela impossibilidade de adquirir combustível em volume suficiente, com restrições que afetam mais de metade da geração distribuída. Ainda assim, Montes afirmou que o sistema elétrico nacional consegue operar parcialmente sem combustíveis importados graças à expansão da energia solar.
No campo da infraestrutura, Cuba implementa um programa acelerado de instalação de parques solares fotovoltaicos. Em 2025, dois acordos estratégicos impulsionaram o setor, permitindo a instalação de unidades com capacidade de 21,8 megawatts (MW). Até o momento, 45 parques já estão em operação, somando cerca de 984 MW, que se adicionam aos 265 MW previamente existentes. Além disso, sete parques adicionais de 5 MW cada estão em construção com apoio da China.
No total, o país já conta com aproximadamente 1.284 MW instalados em energia solar. A evolução é significativa: anteriormente, essa fonte representava apenas 2% da geração elétrica, com picos entre 4% e 5% ao meio-dia. Atualmente, o salto para 18% em média diária e cerca de 50% no pico representa uma mudança estrutural na matriz energética nacional.
Segundo dados apresentados por Montes, Cuba lidera globalmente o avanço relativo na adoção de energia solar fotovoltaica quando comparado ao tamanho de seu sistema elétrico. Esse crescimento, no entanto, não é plenamente percebido pela população devido à continuidade das interrupções de energia, diretamente associadas à escassez de combustível, agravada pelas sanções estadunidenses.
O dirigente afirmou que “a transição energética em Cuba não é uma moda passageira, não é porque o mundo está fazendo isso, é uma questão de segurança nacional”. Ele acrescentou que o uso de fontes renováveis é a única alternativa sustentável para garantir eletricidade sem comprometer o meio ambiente nem depender de importações vulneráveis a pressões externas.
O modelo cubano também envolve a participação do setor empresarial, tanto estatal quanto privado, além de consumidores individuais, ampliando o alcance da transição energética para além do sistema centralizado.
A expansão da energia solar traz desafios técnicos adicionais. Montes reconheceu que a variabilidade climática, especialmente a cobertura de nuvens, pode gerar instabilidade na frequência elétrica, resultando em desligamentos automáticos. Para enfrentar esse problema, o país investe em sistemas de armazenamento com baterias capazes de simular o funcionamento contínuo das usinas termelétricas.
Ao comentar o ritmo da transição, o dirigente afirmou que Cuba “alcançou algo heroico: bloqueada, sem dinheiro e sem recursos, avançou no ESF como nenhum outro país”. Ele destacou que, se o crescimento de mil megawatts anuais for mantido com suporte de armazenamento energético, a ilha poderá eliminar a dependência de combustíveis fósseis antes de 2030.
As restrições impostas pelas medidas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos continuam afetando diretamente a economia cubana, dificultando investimentos, importações e logística interna. Ainda assim, o governo sustenta que a estratégia energética atual é a única alternativa viável diante das limitações impostas pelo cenário internacional.
Montes afirmou que a compra de combustível no mercado externo “não será possível nem sustentável”, mesmo quando disponível, devido ao aumento de custos associado ao risco político gerado pelo bloqueio estadunidense.



































