Nova fase do El Niño ameaça a produção agrícola mundial
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Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alertou em 24 de junho de 2026 para a possibilidade de uma nova fase do fenômeno El Niño nas próximas semanas. O mapeamento aponta risco de impacto direto na produção agrícola em múltiplas regiões do planeta. A análise inclui dados de satélite acumulados ao longo de quatro décadas e projeções sobre secas em áreas agrícolas e de pastagem.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, divulgou em 24 de junho de 2026 uma avaliação baseada em imagens de satélite das últimas quatro décadas sobre padrões do El Niño e seus efeitos na agricultura global. O estudo identifica o Sahel, a África Austral, o Sul e Sudeste Asiático e o Corredor Seco da América Central e do Caribe como áreas de maior exposição a perdas agrícolas associadas ao fenômeno climático.
O relatório indica que algumas regiões agrícolas e de pastagem apresentam probabilidade superior a 50% de ocorrência de seca nos próximos meses. A FAO registra que episódios anteriores do El Niño em 2015–2016 e 2023–2024 resultaram em falhas de colheitas, perdas de rebanhos, aumento de endividamento de famílias rurais e deslocamentos populacionais em áreas atingidas.
A Organização Meteorológica Mundial, OMM, citada na análise da FAO, aponta expectativa de intensificação do ciclo do fenômeno em comparação com padrões anteriores. O cruzamento entre eventos climáticos, conflitos e pressões econômicas aparece no relatório conjunto da FAO e do Programa Mundial de Alimentos, WFP, como fator associado ao agravamento da insegurança alimentar em diferentes países.
O documento registra que regiões já classificadas como vulneráveis apresentam capacidade limitada de resposta a eventos climáticos extremos. A FAO relaciona esses territórios a cenários de fome aguda já monitorados em relatórios conjuntos com o WFP, com incidência de choques simultâneos entre clima e instabilidade política e econômica.
Jorge Alvar-Beltrán, responsável de recursos naturais da FAO, declarou que “o planeta está muito mais quente hoje e, com conflitos e insegurança alimentar generalizados, esta nova fase atingirá mais duramente os locais que já são vulneráveis e têm capacidade limitada de resposta”.
A análise técnica da FAO indica que ferramentas de monitoramento permitem identificar risco climático em escala de até um quilômetro quadrado. O documento afirma que esse nível de detalhamento depende da articulação entre serviços meteorológicos e hidrológicos, ministérios da agricultura e redes de extensão rural para transmissão de alertas a agricultores.
Riccardo Soldan, citado na análise da FAO, afirmou que “em vez de dispersar recursos, pode concentrar apoio nos pontos críticos, direcionando transferências monetárias, apoio à água e irrigação, alimentação animal e outros insumos essenciais”.












































