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ONU dá início às apresentações formais para escolha de secretário-geral

As Nações Unidas iniciaram em 21 de abril de 2026 as apresentações formais dos candidatos ao cargo de secretário-geral. O processo definirá quem assumirá a chefia da organização a partir de 1º de janeiro de 2027, sucedendo António Guterres. Quatro nomes foram oficialmente indicados: Michelle Bachelet, Rafael Mariano Grossi, Rebeca Grynspan e Macky Sall. As sabatinas ocorrem em diálogos interativos com Estados-membros e sociedade civil, transmitidos diretamente da sede da ONU. A disputa ocorre em meio a impasses globais e revela os limites estruturais do sistema multilateral sob influência das grandes potências.


Foto da ONULoey Felipe | O secretário-geral da ONU dirige-se regularmente ao Conselho de Segurança
Foto da ONULoey Felipe | O secretário-geral da ONU dirige-se regularmente ao Conselho de Segurança

De acordo com informações oficiais da ONU News, as primeiras apresentações ocorreram em 21 de abril, com Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile, e Rafael Mariano Grossi, diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica. No dia 22 de abril, será a vez de Rebeca Grynspan, da Costa Rica, e Macky Sall, ex-presidente do Senegal. O processo inclui questionamentos públicos conduzidos por representantes de Estados e organizações da sociedade civil, em um formato que busca conferir transparência a uma escolha historicamente marcada por negociações fechadas.


O cargo de secretário-geral concentra funções administrativas e políticas centrais, incluindo a liderança do Secretariado da ONU, a mediação de crises internacionais e a apresentação de temas ao Conselho de Segurança. Na prática, o ocupante do posto atua como porta-voz diplomático global, mas opera sob limites rígidos impostos pelos interesses das potências que controlam os mecanismos decisórios da organização.


O cronograma do processo começou em novembro de 2025, quando os Estados-membros foram convidados a indicar candidatos até 1º de abril de 2026, prazo considerado flexível. Após as audiências públicas de abril, o Conselho de Segurança deve iniciar discussões a portas fechadas até o final de julho. A etapa decisiva ocorre quando o Conselho, composto por 15 membros, define um nome para encaminhar à Assembleia Geral, que formaliza a escolha até o fim de 2026. O novo secretário-geral assume o cargo em janeiro de 2027.


Apesar da aparência institucional, o processo é profundamente condicionado pelo poder dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos — que possuem direito de veto. Para ser aprovado, um candidato precisa obter maioria no Conselho e, ao mesmo tempo, evitar o veto de qualquer uma dessas potências. Esse mecanismo consolida uma estrutura de poder herdada do pós-Segunda Guerra Mundial, frequentemente criticada por reproduzir desigualdades geopolíticas e limitar a autonomia da organização.


A lista atual de candidatos reflete, em parte, pressões regionais e disputas por representação. Três dos quatro nomes são da América Latina — Bachelet, Grossi e Grynspan — alimentando a expectativa informal de que a região possa assumir o posto pela primeira vez desde Javier Pérez de Cuéllar, que ocupou o cargo entre 1982 e 1991. Macky Sall representa o continente africano, historicamente sub-representado nas estruturas de poder global.


Outro elemento em debate é a possibilidade de eleição da primeira mulher para o cargo em mais de 80 anos de existência da ONU. Desde 1946, nove secretários-gerais foram nomeados, todos homens. Embora não exista critério formal de gênero, a própria ONU afirma incentivar a indicação de mulheres, alinhando-se ao Objetivo 5 de Desenvolvimento Sustentável, que prevê igualdade de gênero. Ainda assim, a decisão final permanece subordinada à dinâmica de poder entre os membros permanentes.


O processo ocorre em um contexto de fragmentação internacional e paralisia decisória dentro do Conselho de Segurança, evidenciada em crises recentes, incluindo o genocídio em Gaza, a guerra na Ucrânia e tensões envolvendo o Irã. A incapacidade de resposta efetiva da ONU nesses cenários expõe os limites do modelo multilateral vigente, frequentemente condicionado pelos interesses estratégicos das potências, em especial dos Estados centrais e de seus aliados.


Historicamente, o cargo foi ocupado por figuras como António Guterres (Portugal, desde 2017), Ban Ki-moon (Coreia do Sul, 2007–2016), Kofi Annan (Gana, 1997–2006) e Boutros Boutros-Ghali (Egito, 1992–1996), além de outros nomes que refletiram, em diferentes momentos, o equilíbrio de forças do sistema internacional. O primeiro secretário-geral foi Trygve Lie, da Noruega, entre 1946 e 1952.


As votações informais no Conselho de Segurança, conhecidas como “straw polls”, seguem ocorrendo até que um candidato reúna apoio majoritário sem enfrentar veto. Esse processo, embora não oficial, funciona como mecanismo decisivo para filtrar nomes antes da recomendação formal à Assembleia Geral.

 
 

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