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Abu Ahmed al-Ghazali: Como uma das figuras mais reverenciadas do Islã ainda fala ao mundo moderno

A ocupação israelense intensificou restrições contra a Mesquita de Al-Aqsa enquanto autoridades israelenses e colonos ampliam ações para alterar o status histórico do local sagrado em Jerusalém Oriental. O ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, voltou a invadir o complexo religioso em maio de 2026 e declarou: “Sinto-me como o dono aqui”. Em paralelo, acadêmicos palestinos denunciaram ao Middle East Eye que o cerco israelense ameaça não apenas o acesso de muçulmanos ao local, mas também o patrimônio histórico e intelectual ligado ao estudioso Abu Hamid al-Ghazali.


Uma pintura não contemporânea retratando Abu Hamid al-Ghazali  | Chat GPT
Uma pintura não contemporânea retratando Abu Hamid al-Ghazali | Chat GPT

A reportagem publicada pelo Middle East Eye em 13 de maio de 2026 descreve o aumento do controle israelense sobre a Mesquita de Al-Aqsa, terceiro local sagrado do Islã, em meio ao aprofundamento da ocupação de Jerusalém Oriental. Jornalistas do veículo relataram revistas policiais, interrogatórios e restrições de entrada logo na chegada ao Portão dos Leões, um dos acessos ao complexo administrado pelo Departamento Islâmico de Waqf, órgão ligado à Jordânia.


Segundo o texto, o representante do Waqf responsável por receber os visitantes demonstrou irritação diante da interferência policial israelense contra convidados previamente autorizados pela administração islâmica. Mesmo com comunicação oficial ao aparato de segurança israelense, o grupo enfrentou demora e interrogatórios antes de conseguir entrar no local.


Dentro do complexo, o cenário descrito pelo Middle East Eye indicava presença reduzida de fiéis muçulmanos e concentração de forças israelenses e visitantes israelenses. A reportagem afirma que o ambiente da mesquita encontrava-se sob clima de tensão após semanas de fechamento imposto pelas autoridades israelenses.

O Middle East Eye recorda que os acordos históricos do chamado Status Quo, reconhecidos por decisões da Corte Internacional de Justiça, proíbem presença militar israelense dentro do complexo religioso. Apesar disso, Israel mantém uma delegacia policial dentro da área de Al-Aqsa.


A reportagem relata que as paredes da Mesquita Al-Qibli apresentam marcas de disparos efetuados por forças israelenses contra fiéis palestinos durante incursões anteriores. O texto sustenta que Israel controla reformas, acessos e funcionamento interno da mesquita sob vigilância militar permanente.


“Estou esperando há quatro anos pela autorização da polícia [israelense]. Se você fizer qualquer alteração sem permissão, será preso”, declarou um guia palestino de Al-Aqsa ao Middle East Eye, referindo-se às restrições impostas pelas autoridades israelenses até mesmo para manutenção básica de instalações do complexo.

A visita do veículo tinha como objetivo entrevistar Mustafa Abu Sway, vice-presidente do Conselho do Waqf e professor de filosofia e estudos islâmicos da Universidade Al-Quds. Dias antes, Abu Sway havia reagido às invasões conduzidas por Ben Gvir contra Al-Aqsa e declarou ao Middle East Eye que Israel “não deveria brincar” com o local sagrado.


Abu Sway ocupa a cátedra acadêmica Al-Ghazali em Al-Aqsa, criada pelo rei Abdullah II da Jordânia. O professor dedicou décadas ao estudo de Abu Hamid al-Ghazali, filósofo e teólogo persa nascido em Tus, no atual Irã, em 1058.


Segundo Abu Sway, Al-Ghazali exerceu papel central na tradição intelectual islâmica ao integrar teologia, jurisprudência e sufismo dentro do pensamento sunita. O estudioso lecionou na Universidade Nizamiyyah, em Bagdá, considerada uma das instituições acadêmicas centrais do Império Seljúcida.


“Havia centenas de estudantes e estudiosos assistindo às suas aulas”, afirmou Abu Sway. “Ele tornou-se parte da corte de Nizam al-Mulk, o vizir do império seljúcida. Seus livros eram celebrados e traduzidos.”


O professor relatou que Al-Ghazali abandonou sua posição acadêmica antes dos 40 anos após enfrentar crise espiritual. Segundo Abu Sway, o estudioso perdeu a capacidade de falar durante aulas e deixou Bagdá após romper com estruturas de prestígio e poder político.


“Ele tinha fama, poder e riqueza. Mas repudiou tudo isso”, declarou Abu Sway.


Trechos do livro A Treasury of Ghazali, citados pelo professor, registram o relato do próprio Al-Ghazali sobre o período de ruptura: “Por quase seis meses fui lançado entre os desejos mundanos e os impulsos da vida eterna... Allah secou minha língua e fui impedido de lecionar”.


Segundo Abu Sway, Al-Ghazali distribuiu sua riqueza, deixou Bagdá e passou a viver em isolamento espiritual em Damasco e Jerusalém. Parte de sua principal obra, A Revivificação das Ciências Religiosas, teria sido escrita em uma sala localizada acima do Portão Dourado de Al-Aqsa, conhecido como Bab al-Rahmah.


A reportagem afirma que o espaço associado ao estudioso encontra-se atualmente sob controle israelense. Acima da sala existem postos policiais israelenses, e o acesso à ala leste da mesquita é restringido durante invasões de colonos israelenses.


Abu Sway afirmou que os ensinamentos de Al-Ghazali confrontam a lógica de autopromoção das redes sociais contemporâneas. “O ensinamento de Ghazali é fazer o oposto das regras das redes sociais modernas, um mundo quase sem preocupação com os outros e obcecado consigo mesmo”, declarou.


O professor citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como exemplo dessa lógica de culto ao ego. “A plataforma Truth Social é uma extensão do ego dele. Sua assinatura grande é uma extensão do ego dele”, afirmou.


Ao discutir o legado intelectual islâmico, Abu Sway rejeitou acusações feitas por intelectuais ocidentais de que Al-Ghazali teria bloqueado o desenvolvimento científico no mundo islâmico. Segundo ele, a destruição da produção intelectual islâmica ocorreu por invasões militares estrangeiras.


“Em 1258 os mongóis destruíram Bagdá, centro da civilização islâmica no leste. Eles mataram políticos e estudiosos, destruíram escolas e bibliotecas. Não foi Ghazali. Foram os mongóis”, afirmou.


O professor também citou a destruição de Al-Andalus após a reconquista conduzida por Fernando e Isabel no século XV e o domínio cruzado sobre Jerusalém no século XII como fatores ligados ao desmonte das tradições intelectuais islâmicas.


“A ala oriental do Islã, a ala ocidental do Islã e o centro do Islã foram devastados por potências estrangeiras. Não é correto culpar um estudioso muçulmano”, declarou.


A reportagem recorda que a Mesquita de Al-Aqsa permaneceu fechada por cinco semanas sob ordens israelenses, período descrito como o maior bloqueio desde a tomada de Jerusalém pelos cruzados em 1099. Cronistas da época registraram massacres de muçulmanos e judeus após a invasão conduzida pelos exércitos cruzados.


O texto também menciona que o Secretário de Guerra estadunidense Pete Hegseth possui tatuada no braço a frase cruzada “Deus Vult” e uma cruz associada às campanhas militares cristãs medievais.


Segundo o Middle East Eye, movimentos israelenses ligados ao chamado Temple Mount defendem destruição da Cúpula da Rocha e da Mesquita de Al-Aqsa para construção de um terceiro templo judaico no local. A reportagem afirma que esses grupos recebem apoio de integrantes da administração Trump e contam com incentivo político de Itamar Ben Gvir.


O Middle East Eye encerra afirmando que, após 13 séculos de peregrinações islâmicas em Al-Aqsa, a ocupação israelense tornou difícil para muitos palestinos até mesmo entrar na mesquita para rezar.

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