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Analista iraquiano: Qualquer guerra com o Irã será regional e envolverá múltiplas frentes

As ameaças do presidente estadunidense Donald Trump contra o Irã ampliaram o risco de uma guerra regional envolvendo múltiplas frentes militares no Oriente Médio. A avaliação foi apresentada em 20 de maio pelo analista iraquiano Mohammed Ali Al-Hakim em declarações à agência Al-Maaloumah reproduzidas pela IRNA. O especialista afirmou que Washington utiliza pressão militar, econômica e psicológica para forçar Teerã a aceitar concessões sobre o programa nuclear e sua presença regional.


Soldados iranianos
Soldados iranianos

Mohammed Ali Al-Hakim declarou que qualquer confronto militar contra o Irã ultrapassaria os limites de uma operação convencional e atingiria toda a região do Golfo Pérsico e da Ásia Ocidental. Segundo ele, Washington compreende que uma guerra contra Teerã não seria “uma guerra clássica de curta duração”, mas “um conflito regional em múltiplas frentes”.


O analista iraquiano afirmou que as ameaças de Donald Trump possuem caráter político e coercitivo. “As ameaças de Trump contra o Irã são usadas mais como ferramenta de pressão política e dissuasão estratégica do que como declaração oficial de guerra iminente”, disse Al-Hakim, segundo a agência Al-Maaloumah.


A análise sustenta que o governo estadunidense busca pressionar Teerã nas negociações nucleares ao insistir na política de “enriquecimento zero”. Para Al-Hakim, Washington tenta reduzir a influência regional iraniana por meio de ameaças militares, sanções econômicas e demonstrações de força naval no Golfo.


O especialista afirmou que os centros de poder estadunidenses conhecem os custos de uma guerra direta contra o Irã. Segundo ele, qualquer escalada produziria impactos econômicos e militares para os Estados Unidos e seus aliados regionais. Al-Hakim também destacou que o Irã possui meios de resposta “não convencionais” por meio de seus aliados regionais e de suas capacidades de mísseis.


As declarações ocorreram em meio à escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã após operações militares e ataques contra infraestrutura regional. O cenário inclui tensões no Estreito de Ormuz, presença militar naval estadunidense no Golfo Pérsico e ameaças públicas emitidas por Washington e Tel Aviv.

Na terça-feira, Matt Duss, vice-presidente executivo do Center for International Policy, também criticou a posição da Casa Branca nas negociações com Teerã. Segundo Duss, a exigência de “enriquecimento zero” inviabiliza qualquer acordo diplomático e aproxima Washington de um confronto militar direto.


Duss afirmou que a exigência foi imposta ao governo Trump pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e por setores políticos em Washington favoráveis à guerra. “Eles não queriam um acordo; eles queriam uma guerra”, declarou o dirigente do centro de política internacional.


O analista estadunidense acrescentou que um entendimento diplomático só será possível caso Trump abandone essa exigência. “Um acordo só será possível quando Trump reverter esse erro”, afirmou.


As declarações ocorreram no mesmo dia em que autoridades iranianas ampliaram os alertas sobre uma resposta regional caso ataques contra o país sejam retomados. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica declarou em 20 de maio que poderá levar o confronto “para além da região” em caso de nova agressão militar.


Também em 20 de maio, a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou que as travessias no Estreito de Ormuz passaram a ocorrer sob coordenação iraniana. O governo iraniano informou ainda que mantém o fornecimento interno de combustível durante o período de confrontos e mobilização militar.


O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou no mesmo dia que “métodos antigos” não conseguem responder aos desafios enfrentados pelo Irã diante da pressão militar e econômica externa. Já Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que “o inimigo lamentará qualquer nova agressão contra o Irã”.


A IRNA também publicou declarações de representantes iranianos denunciando que sanções econômicas e ameaças militares fazem parte da mesma política de pressão conduzida pelos Estados Unidos contra países que rejeitam alinhamento com Washington.

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