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Angola deixa mediação no conflito da RD Congo para focar na União Africana

O presidente de Angola, João Lourenço, deixará o papel de mediador no conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) para se concentrar em sua nova função como líder da União Africana (UA). A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (25) pelo governo angolano.


Lourenço atuava como facilitador nas negociações entre o governo congolês e o grupo rebelde M23, em uma tentativa de encerrar os confrontos que há décadas assolam a região. Os combates se intensificaram no início deste ano, resultando em milhares de mortes e no deslocamento de civis.


"Angola reconhece a necessidade de se eximir da responsabilidade de mediar este conflito no leste da RDC, de modo a focar nas prioridades gerais da União Africana, que incluem a promoção da paz e da segurança em todo o continente", declarou a presidência angolana em comunicado.



©Alvaro Ybarra
©Alvaro Ybarra


As negociações de paz deveriam ter sido retomadas na última terça-feira (19) em Luanda, capital de Angola, mas foram suspensas após o M23 recuar devido a sanções impostas pela União Europeia contra sua liderança. O processo de mediação já enfrentava dificuldades desde dezembro passado, quando Ruanda condicionou o diálogo ao envolvimento direto do governo congolês com os rebeldes – uma exigência rejeitada por Kinshasa, que acusa Kigali de apoiar o M23.


Na semana passada, no entanto, os presidentes Paul Kagame (Ruanda) e Félix Tshisekedi (RDC) sinalizaram disposição para reduzir as tensões durante uma reunião em Doha, no Catar, mediada pelo emir Tamim bin Hamad Al Thani. Em resposta, Angola reforçou a posição de que “os problemas africanos devem ser resolvidos pelos africanos”.


João Lourenço atribuiu o fracasso da sua mediação a uma combinação de fatores, incluindo interferências externas que teriam prejudicado o andamento das negociações. Segundo o governo angolano, um novo país mediador será definido nos próximos dias.


A saída de Angola do processo ocorre em um momento crítico, com a escalada do conflito no leste congolês. Na última quarta-feira (20), os rebeldes tomaram o controle da cidade de Walikale, uma importante região mineradora, após intensos combates com o exército da RDC e milícias locais. O M23 já havia conquistado outras cidades estratégicas, como Goma e Bukavu, ampliando a instabilidade na região.

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