Cientistas identificam microrganismos na névoa da Amazônia
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Uma pesquisa científica divulgada em 21 de abril de 2026 identificou microrganismos vivos na névoa da Amazônia. O estudo foi realizado a partir de coletas feitas no Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), utilizando uma estrutura de 325 metros de altura. Os pesquisadores confirmaram a presença de bactérias e fungos ativos nas gotículas de neblina suspensas sobre a floresta. A descoberta indica que o nevoeiro atua como mecanismo de transporte biológico na atmosfera. O fenômeno amplia a compreensão sobre os processos ecológicos que sustentam o maior bioma tropical do planeta.

O estudo foi conduzido acima da copa das árvores, em área preservada da floresta amazônica, onde cientistas coletaram amostras de neblina diretamente na atmosfera. As análises identificaram microrganismos vivos capazes de sobreviver em suspensão, incluindo espécies como a bactéria Serratia marcescens e o fungo Aspergillus niger, conhecidos por seu papel na decomposição de matéria orgânica. Esses organismos são fundamentais para a reciclagem de nutrientes, processo essencial para a manutenção da fertilidade do solo e do crescimento vegetal na floresta.
A presença desses microrganismos na névoa representa um avanço no entendimento científico, já que, embora a existência de vida em nuvens e partículas atmosféricas já fosse conhecida, esta é uma das primeiras evidências específicas de atividade biológica no nevoeiro amazônico. O estudo demonstra que essas formas de vida não apenas sobrevivem, mas permanecem ativas durante o transporte atmosférico.
Os pesquisadores identificaram que o fenômeno ocorre principalmente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. Nesse período, o ar úmido da floresta se resfria, formando a neblina próxima ao solo. Com o nascer do sol, correntes ascendentes elevam as gotículas de água, carregando consigo os microrganismos para camadas mais altas da atmosfera. Esse mecanismo foi descrito como um “elevador biológico”, capaz de redistribuir vida microscópica por diferentes regiões da floresta.
Além do transporte, a própria névoa oferece condições favoráveis para a sobrevivência desses organismos. As gotículas de água funcionam como barreiras naturais contra radiação ultravioleta e evitam a desidratação, criando um microambiente temporário que permite a atividade biológica durante o deslocamento.
Os dados indicam que esse processo pode desempenhar papel relevante na regeneração da Amazônia. Ao serem dispersos pela névoa, os microrganismos podem colonizar novas áreas, contribuindo para a decomposição de matéria orgânica e a redistribuição de nutrientes. Esses processos sustentam ciclos ecológicos fundamentais em um bioma que enfrenta pressões crescentes decorrentes da exploração econômica, da expansão agropecuária e da degradação ambiental.
A descoberta também reforça a complexidade dos sistemas naturais amazônicos, frequentemente reduzidos a discursos utilitaristas que ignoram sua dinâmica biológica profunda. Ao evidenciar que até mesmo a névoa atua como agente ativo na circulação de vida, o estudo amplia o debate sobre a importância estratégica da preservação da floresta em um contexto global marcado por interesses econômicos e pressões externas sobre seus recursos naturais.



































