top of page
  • LOGO CLD_00000

ONU: Líbia alimentou a guerra no Sudão com mercenários e equipamentos colombianos

Um relatório das Nações Unidas revelou que um grupo armado líbio enviou mercenários colombianos, armas e combustível para apoiar as Forças de Apoio Rápido no Sudão. O documento foi divulgado em 20 de abril de 2026, dias após o terceiro aniversário do início da guerra, iniciada em 15 de abril de 2023. Segundo o painel, a operação foi facilitada pelo Batalhão Subul al-Salam, ligado ao aparato militar que controla o leste da Líbia. A transferência de combatentes e recursos ampliou a capacidade militar das RSF e agravou a crise humanitária no país africano. O conflito já deixou ao menos 59 mil mortos, segundo o Armed Conflict Location & Event Data Project.


ARQUIVO
ARQUIVO

O relatório do painel de especialistas da Nações Unidas, que cobre o período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2026, detalha como o Batalhão Subul al-Salam atuou como peça logística central na guerra sudanesa. A unidade integra o autodenominado Exército Nacional Líbio, comandado pelo general Khalifa Haftar, figura-chave na fragmentação política da Líbia após a intervenção militar liderada por potências da OTAN em 2011. A atuação do grupo se concentra na cidade de Kufra, no sul do país, região estratégica que faz fronteira com Sudão, Chade e Egito.


Segundo os especialistas, Kufra se tornou um hub logístico para a guerra sudanesa, com controle de infraestrutura crítica, incluindo um aeroporto utilizado para o transporte de armas, combustível e combatentes estrangeiros. O relatório afirma que o batalhão “facilitou a transferência de recrutas, incluindo mercenários colombianos, armas e combustível através da fronteira”, consolidando uma retaguarda operacional para as RSF a cerca de 75 quilômetros a sudoeste da cidade.


O documento aponta ainda que combatentes colombianos foram utilizados como força auxiliar nas operações paramilitares, sendo transportados via território líbio e integrados às ofensivas das RSF. Além disso, instalações em Kufra foram usadas para modificar veículos importados, adaptando-os para uso militar no teatro de guerra sudanês. O apoio incluiu também escolta armada dentro do território líbio e fornecimento contínuo de combustível e peças de reposição.


Em junho de 2025, segundo o relatório, o Batalhão Subul al-Salam enviou unidades diretamente ao campo de batalha, apoiando a expansão territorial das RSF na região de Uwaynat, área estratégica onde convergem as fronteiras de Sudão, Egito e Líbia. Essa intervenção permitiu avanços táticos das forças paramilitares, ao mesmo tempo em que “enfraqueceu a segurança de fronteira no sul da Líbia”, conforme registrado pelos especialistas.


As RSF afirmaram em junho de 2025 que haviam assumido o controle da zona triangular, enquanto o exército sudanês declarou ter evacuado a área como parte de “arranjos defensivos para repelir agressão”. Autoridades militares sudanesas acusaram diretamente as forças de Haftar de apoiarem o ataque, acusação negada pelo comandante líbio.


O relatório também menciona que tanto as forças de Haftar quanto as RSF receberam apoio dos Emirados Árabes Unidos, apesar das repetidas negativas oficiais de Abu Dhabi. Esse fluxo de apoio externo evidencia a internacionalização do conflito sudanês, inserido em uma dinâmica mais ampla de disputas geopolíticas e interesses estratégicos na região do Sahel e do Chifre da África.


Nos meses recentes, o exército sudanês tentou interromper as rotas de abastecimento que partem da Líbia. Em novembro de 2025, lançou ataques aéreos contra comboios dentro do território líbio, visando veículos e combatentes estrangeiros em trânsito para as RSF, segundo o próprio relatório da ONU.


Paralelamente, os Estados Unidos impuseram sanções a empresas e indivíduos colombianos acusados de envolvimento no envio de ex-militares para o conflito. Essas medidas foram anunciadas em meio ao agravamento da crise humanitária no Sudão, que já é descrita como a maior do mundo, com fome generalizada e colapso de infraestrutura básica, impulsionados por uma guerra alimentada por redes transnacionais de mercenarismo e fluxos de armas que operam à sombra de interesses externos.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page