O verdadeiro motivo pelo qual Tucker Carlson está se voltando contra Trump
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O comentarista Tucker Carlson pediu desculpas públicas por anos de apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita em 21 de abril de 2026 durante seu podcast The Tucker Carlson Show. Carlson afirmou que “quer pedir desculpas por enganar as pessoas” ao promover Trump politicamente. O episódio contou com a participação de seu irmão, Buckley Carlson, ligado à campanha de 2015. A mudança de discurso ocorre após a recente escalada militar estadunidense contra o Irã.

Durante o programa, Carlson afirmou que sua atuação anterior não pode ser resolvida com um simples recuo retórico. “Não basta dizer ‘mudei de ideia’ ou ‘isso é ruim, estou fora’”, declarou, acrescentando que será “atormentado por muito tempo” por ter promovido Trump durante sua ascensão política. Apesar disso, sustentou que seu apoio “não foi intencional”, uma alegação que contrasta com seu histórico de atuação midiática.
Ao longo de anos na Fox News, Carlson construiu uma audiência massiva, atingindo mais de 3,5 milhões de telespectadores regulares e ultrapassando 5 milhões durante o período que antecedeu as eleições de 2020. Nesse intervalo, atuou como um dos principais amplificadores da agenda política de Trump, incluindo a disseminação de alegações não comprovadas de “fraude eleitoral significativa” no estado da Geórgia após o pleito.
O comentarista também foi responsável por reiterar discursos racistas e anti-imigração, incluindo a promoção da teoria conspiratória conhecida como “grande substituição”, que sustenta a narrativa de que populações não brancas estariam sendo deliberadamente incentivadas a migrar para os Estados Unidos para substituir eleitores brancos e alterar a base política do Partido Republicano.
Segundo Carlson, o ponto de ruptura com o presidente estadunidense ocorreu após a ofensiva militar contra o Irã no início de abril de 2026. Ele também criticou publicações de Trump na plataforma Truth Social, que classificou como uma “zombaria do cristianismo”. A escalada retórica incluiu ataques de Trump ao Papa Leão XIV, que havia questionado o papel dos Estados Unidos na ofensiva contra o país persa.
Em 15 de abril de 2026, Carlson já havia sinalizado seu afastamento ao declarar em seu programa: “Será que este é o anticristo? Bem, quem sabe? Pelo menos essa é minha conclusão”. A fala marcou uma inflexão pública no posicionamento do comentarista, até então alinhado com o núcleo ideológico do trumpismo.
O movimento de Carlson ocorre em paralelo ao reposicionamento de outros nomes da direita estadunidense, como Marjorie Taylor Greene, Candace Owens, Alex Jones e Megyn Kelly, que passaram a adotar um tom crítico em relação a Trump. Esse deslocamento coincide com sinais de fragmentação da base política associada ao movimento MAGA, especialmente diante de decisões militares e políticas externas que ampliam tensões internacionais.
A reconfiguração discursiva desses comentaristas ocorre em meio a disputas por influência sobre a audiência conservadora, tradicionalmente mobilizada por pautas nacionalistas e anti-imigração. O reposicionamento também reflete a tentativa de preservar relevância política e econômica em um cenário de desgaste do projeto político associado à liderança de Trump.


































