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Papa denuncia tratamento dado a migrantes e refugiados "pior do que o de animais"

O Papa Leão XIII denunciou em 23 de abril de 2026 o tratamento dado a migrantes e refugiados em escala global. Em coletiva ao retornar a Roma após viagem por quatro países africanos, ele afirmou que essas populações são tratadas “pior do que animais de estimação”. A declaração ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias do governo estadunidense de Donald Trump. O pontífice também voltou a criticar a escalada militar promovida pelos Estados Unidos e seus aliados contra o Irã. As falas reforçam a tensão entre o Vaticano e a política externa estadunidense.


Papa Leão XIII: "Eles são seres humanos , e temos que tratar os seres humanos de forma humanitária..."
Papa Leão XIII: "Eles são seres humanos , e temos que tratar os seres humanos de forma humanitária..."

Durante a entrevista, o Papa afirmou de forma direta: “Eles são seres humanos, e temos que tratar os seres humanos de forma humanitária e não pior do que animais de estimação ou outros animais”. Sem mencionar países específicos nesse momento, a crítica foi interpretada no contexto das políticas migratórias adotadas por potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, que têm reforçado mecanismos de controle de fronteiras e restrição à entrada de refugiados.


Leão XIII já havia questionado publicamente se as políticas de imigração do governo estadunidense estariam alinhadas com os princípios da Igreja Católica. As declarações anteriores provocaram reação de setores conservadores nos Estados Unidos, evidenciando o choque entre a doutrina social da Igreja e a política de segurança nacional adotada por Washington. Ao retomar o tema, o Papa ampliou o debate ao questionar a responsabilidade das nações mais ricas na origem das crises migratórias.


“O que os países mais ricos estão fazendo para mudar a situação dos países mais pobres?”, perguntou o pontífice. Ele defendeu que os Estados têm direito de controlar suas fronteiras, mas ressaltou que isso não pode servir como justificativa para negligenciar as causas estruturais da migração, como desigualdade econômica, exploração histórica e intervenções externas. “Por que não podemos buscar mudar as situações nesses países?”, acrescentou, apontando para a responsabilidade sistêmica das potências globais.

As declarações ocorrem em um cenário internacional marcado por deslocamentos forçados em massa, frequentemente associados a guerras, sanções econômicas e intervenções militares lideradas por potências ocidentais. Nesse contexto, a crítica do Papa expõe uma contradição recorrente: os mesmos atores que influenciam ou desestabilizam regiões inteiras são, simultaneamente, os que erguem barreiras contra os fluxos migratórios resultantes dessas ações.


Além da questão migratória, Leão XIII também abordou a repressão a protestos no Irã, após ser cobrado publicamente pelo presidente estadunidense. Em resposta a uma pergunta sobre relatos de mortes de manifestantes em janeiro de 2026, o Papa declarou: “Condeno todas as ações injustas. Condeno o ato de tirar a vida das pessoas”. A fala veio após Trump atacá-lo nas redes sociais em 12 de abril, chamando-o de “terrível” por criticar os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sem, segundo ele, mencionar a situação interna iraniana.

Dois dias após o ataque, Trump voltou a pressionar publicamente: “Alguém poderia, por favor, avisar o Papa Leão” sobre as mortes de manifestantes. A resposta do pontífice, no entanto, evitou personalizar o embate, mantendo a crítica em termos universais. Antes de sua viagem à África, ele já havia declarado que não pretendia “debater” com o presidente estadunidense e que não temia seu governo.


“Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, afirmou. A posição reforça a oposição do Vaticano à escalada militar liderada por Washington e seus aliados, especialmente no Oriente Médio, onde conflitos e sanções têm gerado impactos humanitários amplos e duradouros.


A viagem do Papa à África incluiu passagens por países como Guiné Equatorial e Camarões, governados por lideranças de longa permanência no poder. Questionado sobre a escolha desses destinos, Leão XIII afirmou que o Vaticano mantém relações diplomáticas com diferentes governos e atua também por meio de canais discretos. “Nem sempre fazemos grandes proclamações… mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça”, declarou.


As visitas fazem parte de uma estratégia mais ampla da Igreja Católica de ampliar sua presença no Sul Global, em regiões historicamente afetadas por colonialismo, exploração econômica e disputas geopolíticas. Nesse contexto, a atuação diplomática do Vaticano busca dialogar com governos locais ao mesmo tempo em que denuncia desigualdades estruturais e violações de direitos humanos.

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