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Governo Trump acusa a China de roubo em escala industrial de tecnologia de IA

A Casa Branca acusou a China, em 23 de abril de 2026, de conduzir campanhas sistemáticas para extrair tecnologia de inteligência artificial desenvolvida nos Estados Unidos. A denúncia foi formalizada em um memorando divulgado pelo Escritório de Política de Ciência e Tecnologia do governo estadunidense. Segundo o documento, o suposto esquema envolveria o uso de milhares de contas falsas e técnicas para contornar proteções digitais. Pequim negou as acusações e classificou as alegações como infundadas. O episódio ocorre às vésperas de um encontro entre o presidente estadunidense Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, previsto para o mês seguinte.


Donald Trump retrato oficial da presidência ©WHITE HOUSE
Donald Trump retrato oficial da presidência ©WHITE HOUSE

O memorando, assinado por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, afirma que o governo estadunidense possui informações indicando que “entidades estrangeiras, principalmente baseadas na China, estão envolvidas em campanhas deliberadas em escala industrial para destilar sistemas de IA da fronteira dos EUA”. O documento foi divulgado nas redes sociais e inicialmente reportado pelo Financial Times.


De acordo com Kratsios, essas operações utilizariam “dezenas de milhares de contas proxy para evitar a detecção” e técnicas de jailbreak para acessar informações proprietárias. O objetivo seria “extrair sistematicamente capacidades de modelos americanos de IA, explorando a expertise e a inovação americanas”, conforme descrito no texto oficial.


A acusação se insere em uma disputa tecnológica prolongada entre Estados Unidos e China, marcada por restrições comerciais, sanções e controle sobre cadeias estratégicas de produção, especialmente no setor de semicondutores e inteligência artificial. A ofensiva retórica ocorre após um período de relativa distensão diplomática estabelecido em outubro de 2025, indicando nova escalada no confronto tecnológico entre as duas potências.


A Embaixada da China em Washington respondeu às acusações rejeitando o conteúdo do memorando. Em nota oficial, declarou oposição “às alegações infundadas” e afirmou que o governo chinês “atribui grande importância à proteção dos direitos de propriedade intelectual”. A resposta reforça a linha diplomática de contestação adotada por Pequim em episódios semelhantes.


O documento da Casa Branca também levanta dúvidas sobre a continuidade da política de exportação de chips avançados de inteligência artificial para a China. Em janeiro de 2026, o governo Trump havia autorizado vendas condicionais desses componentes, incluindo os produzidos pela Nvidia. No entanto, em 22 de abril, o secretário de Comércio Howard Lutnick indicou que nenhuma remessa havia sido efetivamente realizada até o momento.


A chamada “destilação” de modelos de inteligência artificial, mencionada no memorando, refere-se ao processo de treinar sistemas menores a partir das respostas geradas por modelos mais complexos, reduzindo custos de desenvolvimento e ampliando a capacidade de replicação tecnológica. Esse método tem sido central na disputa global por liderança em IA, ao permitir que países e empresas acelerem o desenvolvimento sem depender integralmente de infraestrutura original.


O governo estadunidense informou que pretende compartilhar informações com empresas do setor para alertar sobre essas práticas e que “explorará uma série de medidas para responsabilizar os atores estrangeiros” envolvidos nas supostas campanhas. Não foram detalhadas, até o momento, quais medidas concretas serão adotadas ou quais entidades específicas estão sendo investigadas.

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