Bélgica segue Espanha e condena operações israelenses no Líbano
- www.jornalclandestino.org

- há 3 horas
- 4 min de leitura
A pressão diplomática sobre a entidade de ocupação israelense se intensificou após novas condenações de países europeus às operações militares no Líbano. Bélgica e Espanha passaram a defender medidas concretas dentro da União Europeia, incluindo suspensão de acordos comerciais. Paralelamente, cresce uma onda internacional de boicote cultural contra a participação israelense em eventos como a Eurovisão. Especialistas da ONU e organizações civis ampliam denúncias sobre violações no genocídio em curso contra palestinos desde 7 de outubro de 2023. No terreno, a escalada militar no sul do Líbano continua com ataques e contra-ataques envolvendo a resistência libanesa.

Autoridades europeias aprofundaram nesta semana a ofensiva diplomática contra a conduta militar da entidade de ocupação israelense no Líbano e em Gaza, em meio ao aumento das críticas públicas e institucionais sobre a escalada regional. A agência Al Mayadeen (Al Manar) informou que o movimento inclui declarações de governos e pressões por sanções, num contexto em que a União Europeia enfrenta divisões internas sobre a manutenção de relações comerciais com Tel Aviv.
Na Bélgica, o ministro das Relações Exteriores, Maxime Prévot, afirmou na terça-feira que o país defende a suspensão dos laços comerciais preferenciais entre a União Europeia e “Israel”, classificando as ações militares no Líbano como “completamente inaceitáveis”. Em declaração feita antes de uma reunião de chanceleres no Luxemburgo, Prévot denunciou o que chamou de resposta militar “desproporcional e indiscriminada” da entidade de ocupação israelense, alertando que tais ações não podem permanecer sem consequências políticas.
O ministro belga também indicou apoio a uma suspensão parcial do Acordo de Associação UE-Israel, reconhecendo resistências internas no bloco europeu a um congelamento total. Segundo ele, mesmo diante de divergências entre Estados-membros, a continuidade das operações militares israelenses na região torna insustentável a manutenção de relações normais.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez reiterou os apelos para que a União Europeia rompa o acordo com a entidade de ocupação israelense, citando violações recorrentes do direito internacional em Gaza e no Líbano. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o padrão de ação militar israelense no sul do Líbano replica o modelo já aplicado em Gaza, caracterizado por destruição massiva de infraestrutura civil, deslocamento forçado e colapso da vida cotidiana.
Albares alertou que essa estratégia contribui para a desestabilização prolongada do Oriente Médio e empurra a região para um ciclo contínuo de violência. Ele declarou ainda que a manutenção de relações normais com a União Europeia é incompatível com a continuidade dessas violações, reforçando o isolamento diplomático crescente de Tel Aviv em parte do continente europeu.
Em paralelo à pressão política, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que especialistas da ONU pediram a suspensão total do acordo UE-Israel, citando graves violações no contexto do genocídio em curso em Gaza desde 7 de outubro de 2023. Entre os elementos apontados estão elevado número de vítimas civis, deslocamento em massa e destruição sistemática de infraestrutura de saúde.
Os especialistas também advertiram que a credibilidade da União Europeia em matéria de direitos humanos está sob risco caso mantenha relações comerciais preferenciais com um Estado acusado por diferentes organismos internacionais de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Paralelamente, uma iniciativa cidadã europeia que exige a suspensão do acordo já ultrapassou um milhão de assinaturas, refletindo o crescimento da pressão popular contra a continuidade dos vínculos institucionais.
No campo cultural, mais de mil artistas e figuras públicas assinaram uma carta aberta pedindo o boicote ao Festival Eurovisão da Canção devido à participação da emissora pública israelense KAN. A campanha, organizada pelo grupo No Music for Genocide, solicita que artistas, emissoras e público suspendam apoio ao evento enquanto Israel permanecer na competição.
Entre os signatários estão Brian Eno, Massive Attack, Kneecap e Roger Waters, além de antigos vencedores da Eurovisão como Emmelie de Forest e Charlie McGettigan. O documento acusa a União Europeia de Radiodifusão de aplicar “dois pesos e duas medidas”, destacando que a Rússia foi suspensa após o conflito de 2022 na Ucrânia, enquanto Israel permanece ativo no concurso apesar das denúncias de atrocidades na Cisjordânia ocupada e em Gaza.
Os artistas afirmam ainda que a participação contínua da entidade de ocupação israelense compromete a credibilidade do evento e rompe com a alegada neutralidade da organização. O texto também elogia emissoras e participantes que se retiraram do festival em protesto, afirmando que “o silêncio não é uma opção” diante da violência em curso.
No sul do Líbano, a resistência islâmica Hezbollah e forças israelenses seguem em confrontos diretos, segundo atualizações da Al-Manar. Um correspondente da emissora informou que um veículo foi novamente atacado na área de Al-Tiri, em uma ação atribuída à entidade de ocupação israelense e interpretada como tentativa de impedir o acesso de paramédicos a feridos.
A mesma fonte relatou que forças israelenses realizaram demolições na cidade de Al-Qantara, enquanto combatentes do Hezbollah atingiram uma posição de artilharia recém-instalada em Al-Bayyada com um drone, incendiando uma sala de controle de tiro. A mídia militar do grupo afirmou que a ação integra respostas às violações contínuas no sul do país.
Em comunicados paralelos, novas ações foram registradas na região de Al-Bayyada e em outros pontos do sul libanês, em meio à intensificação das operações militares e contraoperações entre a resistência e as forças israelenses ao longo da fronteira.



































