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Cuba confirma encontro com os EUA para tratar de sanções impostas ao país

Autoridades cubanas confirmaram reunião recente com representantes estadunidenses para discutir sanções impostas à ilha. O encontro ocorreu em território cubano e tratou principalmente do bloqueio energético decretado por Donald Trump. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, a conversa foi conduzida sem ameaças ou imposições formais. Havana classificou as sanções como instrumento de coerção econômica contra sua população. O tema também foi alvo de críticas públicas do presidente Lula durante agenda na Europa.


Presidente Miguel Díaz-Canel I ARQUIVO
Presidente Miguel Díaz-Canel I ARQUIVO

O vice-diretor-geral responsável pelos Estados Unidos no Ministério das Relações Exteriores de Cuba, Alejandro García del Toro, confirmou ao jornal Granma a realização de um encontro entre delegações cubanas e estadunidenses para tratar das sanções econômicas impostas pelo governo de Donald Trump. Segundo ele, a reunião ocorreu recentemente em Cuba e contou com a participação de secretários de Estado adjuntos pelo lado estadunidense e do vice-ministro das Relações Exteriores pelo lado cubano. “Trata-se de uma questão delicada que, como já dissemos, estamos tratando com discrição”, declarou. Ainda assim, acrescentou: “posso confirmar que uma reunião entre delegações cubanas e norte-americanas foi realizada recentemente aqui em Cuba”.


De acordo com del Toro, o encontro transcorreu sem os tons de ameaça frequentemente atribuídos pela retórica oficial de Washington. “Nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez declarações ameaçadoras, tal como foi noticiado pela imprensa norte-americana. Toda a conversa foi respeitosa e profissional”, afirmou. Apesar do tom diplomático, o conteúdo das discussões evidencia o impasse estrutural entre a política externa estadunidense e a soberania cubana.


O principal ponto levantado pela delegação cubana foi a exigência de eliminação do bloqueio energético imposto em janeiro pelo governo Trump. Segundo del Toro, “eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação”. Ele classificou a medida como “uma punição injustificada para toda a população cubana” e acrescentou: “é também uma forma de chantagem global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba de acordo com os princípios do livre comércio”.


O bloqueio de combustível funciona por meio da imposição de sanções severas a países e empresas que fornecem petróleo à ilha, configurando um mecanismo de pressão econômica direta para asfixiar setores estratégicos da economia cubana. A estratégia inclui ameaças de tarifas adicionais e restrições financeiras, atingindo principalmente fluxos de fornecimento vindos da Venezuela e de outros parceiros comerciais. Essa política amplia o alcance extraterritorial das sanções estadunidenses, interferindo nas relações comerciais de terceiros países.


As consequências sociais e econômicas dessa política são apontadas por Havana como graves. A escassez de combustível impacta diretamente transporte, geração de energia e distribuição de alimentos, agravando as condições de vida da população. Diante desse cenário, Cuba tem recebido manifestações de solidariedade internacional, incluindo doações e apoio político de diferentes governos e organizações.


O tema também ganhou repercussão internacional durante a agenda do presidente Lula na Europa, entre os dias 18 e 20 de abril. Durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, realizada em Barcelona no sábado (18), Lula declarou estar “muito preocupado com Cuba” e defendeu o fim imediato das sanções. O presidente afirmou que “os problemas de Cuba são dos cubanos. Não são problemas do Lula, da Cláudia (Sheinbaum, presidente do México) ou do Trump”.


Em tom direto, Lula criticou a política de bloqueio: “Parem com esse maldito bloqueio à Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles”. A declaração reforça a posição histórica do governo brasileiro contra medidas unilaterais que afetam a soberania de países.


Na segunda-feira (20), durante coletiva de imprensa em Hanover ao lado do primeiro-ministro alemão Friedrich Merz, Lula voltou a abordar o tema. O presidente reiterou sua oposição a intervenções externas: “Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política sobre como uma sociedade deve se organizar ou não”.


A reunião entre Cuba e Estados Unidos ocorre em meio à manutenção das sanções e à ausência de avanços concretos para sua suspensão, enquanto Havana mantém a denúncia de que as medidas configuram instrumento sistemático de pressão política e econômica contra um Estado soberano.

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