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Trump busca reconfigurar o mercado mundial por meio da guerra

A ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã integra uma estratégia mais ampla de reorganização geopolítica global. A avaliação foi apresentada pelo professor Ronaldo Carmona em 17 de abril de 2026, no centésimo episódio do programa. Segundo ele, a ação militar se insere na política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O analista aponta que Washington busca conter o avanço de um mundo multipolar por meio de demonstrações de força. O episódio também evidencia impactos econômicos e energéticos de alcance global.


Donald Trump I ARQUIVO
Donald Trump I ARQUIVO

Durante a entrevista, conduzida pelo programa e publicada em 17 de abril com edição em 19 de abril de 2026, Carmona - professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG) e doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP) - afirmou que a ofensiva contra o Irã deve ser compreendida dentro da Estratégia de Segurança Nacional estadunidense. Segundo ele, o objetivo central é reverter o declínio relativo da potência e reorganizar a ordem internacional de acordo com seus interesses.


“Os Estados Unidos, nos últimos 90 dias, realizaram duas ações de força muito substantivas. A primeira foi o sequestro do presidente venezuelano no início de janeiro, […] e, agora, esse ataque ao Irã”, declarou Carmona, estabelecendo uma linha de continuidade entre intervenções recentes conduzidas por Washington.


De acordo com o professor, a agressão ao Irã teve inicialmente como meta a mudança de regime no país, mas passou a concentrar-se na tentativa de desarticular o programa nuclear e o programa de mísseis iranianos. Ele considera essas metas pouco factíveis diante das condições estruturais do país.


“Primeiro porque o programa nuclear, para o uso civil, realmente é uma necessidade do ponto de vista do Irã, que tem uma estrutura energética bastante delicada. Basicamente, o Irã depende de termoelétricas para a segurança do seu sistema elétrico nacional e o uso civil da energia nuclear é algo importante para a sua realidade energética. Por outro lado, o programa de mísseis, como a gente tem visto agora nessa guerra, é a garantia de que o Irã tem a capacidade de exercer retaliação em relação a quem o agride”, explicou.

A análise destaca que qualquer tentativa de cessar-fogo esbarra nessas condições estratégicas, tornando as negociações instáveis e condicionadas à correlação de forças no terreno militar e econômico.


No plano econômico, Carmona aponta que a escalada militar provocou impactos diretos nos preços globais de energia, especialmente petróleo e gás. Um dos fatores centrais foi o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde circula cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, o que pressionou mercados internacionais e reconfigurou fluxos energéticos.


Nesse contexto, o professor ressalta que os Estados Unidos emergem como beneficiários indiretos da crise. Como exportadores de petróleo e gás, os estadunidenses ampliam sua participação no mercado global enquanto concorrentes do Oriente Médio enfrentam restrições logísticas e operacionais.


Carmona também menciona acordos recentes entre os Estados Unidos e a União Europeia, nos quais o bloco europeu se compromete a ampliar a compra de gás estadunidense em troca de flexibilizações relacionadas ao chamado “tarifaço”. O movimento ocorre após anos em que o desenvolvimento europeu foi sustentado por gás russo mais barato, substituído agora por fornecimento mais caro oriundo dos Estados Unidos.


“Essa é a linha que deve persistir por parte dos norte-americanos, que tentam, com a sua ação, reorganizar o mercado mundial de energia a seu favor”, afirmou.

Do ponto de vista iraniano, a resposta à ofensiva foi caracterizada, segundo o analista, por uma mobilização total das capacidades disponíveis, tanto no campo militar quanto no econômico. O fechamento de Ormuz e as ações de retaliação demonstram que Teerã trata o confronto como uma questão de sobrevivência estatal.


“O Irã utilizou todas as capacidades que tinha para gerar retaliação e pôr fim às hostilidades, no terreno econômico [Ormuz] e na sua condição militar. Eu tenho dito que essa aventura dos Estados Unidos em agredir o Irã se caracterizou por uma brutal subestimação das capacidades militares iranianas, que, efetivamente, são bastante robustas, como tem demonstrado agora na sua capacidade de retaliação”, declarou.

A entrevista também abordou desdobramentos mais amplos, incluindo o papel da Otan, os impactos políticos na União Europeia - com destaque para a Hungria -, e o posicionamento de países como China e Rússia diante da tentativa estadunidense de reconfigurar a ordem internacional em um cenário de crescente multipolaridade.

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