Forças ugandesas e congolesas resgatam 200 pessoas de grupo ligado ao Estado Islâmico
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Forças de Uganda e da República Democrática do Congo anunciaram o resgate de pelo menos 200 civis mantidos em cativeiro por um grupo armado no leste congolês. A operação ocorreu na semana passada, segundo comunicado militar divulgado em 20 de abril. Os reféns estavam sob controle das Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo com histórico de atuação transfronteiriça. Relatos indicam que os civis estavam em condições de saúde precárias após longos períodos de detenção. A ação ocorre em meio à intensificação de operações militares na região de Kivu do Norte e Ituri.
![Soldados da RDC patrulham contra rebeldes das ADF perto de Beni, na província de North Kivu, que faz fronteira com Uganda e Ruanda [Arquivo: Kenny Katombe/Reuters]](https://static.wixstatic.com/media/3a76c2_f6acc3558f024ae7aba2c38abea6148e~mv2.webp/v1/fill/w_770,h_513,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/3a76c2_f6acc3558f024ae7aba2c38abea6148e~mv2.webp)
De acordo com o exército de Uganda, os civis foram libertados de um acampamento localizado ao longo do rio Epulu, área sob controle da ADF, grupo que atua há décadas na região e mantém histórico de sequestros, massacres e deslocamento forçado de populações. A operação foi conduzida em coordenação com forças congolesas, integrando uma campanha militar ampliada contra o grupo. Segundo o comunicado oficial, muitos dos resgatados apresentavam sinais de debilidade severa após o período em cativeiro.
“Muitos [dos cativos] relataram condições difíceis em cativeiro, incluindo falta de comida, trabalho forçado e punição por desobediência”, afirmou o exército ugandense. O documento acrescenta que “vários pareciam frágeis, sofrendo de doenças não tratadas como malária, infecções respiratórias e exaustão física”. Os relatos reforçam denúncias recorrentes sobre práticas sistemáticas de violência e exploração contra civis em áreas sob controle de grupos armados no leste da RDC.
As Forças Democráticas Aliadas surgiram em 1994 como um movimento insurgente em Uganda, em um contexto de repressão interna denunciada por setores da população muçulmana. Após sucessivas ofensivas do exército ugandense, o grupo atravessou a fronteira e se estabeleceu no leste da RDC há cerca de 25 anos, onde permanece ativo. Na última década, a organização intensificou suas operações, consolidando presença nas regiões de Kivu do Norte e Ituri e ampliando ataques contra civis.
Dados das Nações Unidas apontam que milhares de civis foram mortos pelas ADF no leste congolês ao longo dos anos, em uma dinâmica marcada por massacres, sequestros em massa e violência sistemática. O exército congolês acusa o grupo de raptar civis para trabalho forçado e de impor casamentos coercitivos, especialmente envolvendo mulheres e adolescentes. A persistência dessas práticas evidencia a fragilidade estrutural do controle estatal na região, historicamente marcada por disputas armadas e intervenções externas.
A escalada recente da violência ocorre em paralelo à atuação de outros grupos armados, como o M23, apoiado por Ruanda, ampliando a complexidade do cenário militar no leste da RDC. A multiplicidade de atores armados e interesses regionais transforma a região em um dos principais focos de instabilidade do continente africano, com impactos diretos sobre a população civil.
Nos últimos meses, ataques atribuídos à ADF aumentaram significativamente, especialmente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. No início de abril, pelo menos 43 pessoas foram mortas em um único ataque, segundo autoridades locais. Apesar das operações conjuntas entre Uganda e RDC, a continuidade dessas ações demonstra a capacidade do grupo de manter ofensivas mesmo sob pressão militar.
O resgate anunciado integra uma ofensiva direcionada às posições da ADF ao longo do rio Epulu. Durante a operação, forças ugandenses informaram que combatentes foram mortos e armamentos foram apreendidos. O exército também reconheceu baixas entre suas tropas, sem detalhar números exatos.
Segundo o comando militar de Uganda, as operações conjuntas com a RDC foram intensificadas desde o início de 2026, incluindo a tomada de um grande acampamento da ADF em fevereiro. O comunicado afirma que “a ofensiva sustentada melhorou a segurança em partes do leste da RDC, permitindo que comunidades deslocadas retornem para casa, escolas reabram e o comércio transfronteiriço entre Uganda e RDC seja retomado”.



































