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Adolescente palestino morto por comboio de ministro israelense

Um adolescente palestino de 16 anos foi morto na manhã de terça-feira (21) após ser atropelado por um veículo ligado à segurança de um ministro israelense. O caso ocorreu na Rodovia 60, próximo ao entroncamento de Beit Einun, na Cisjordânia ocupada. A vítima, Mohammad Ali al-Jabari, seguia para a escola no momento do impacto. O incidente acontece em meio à intensificação da violência israelense contra palestinos desde outubro de 2023. Dados oficiais indicam mais de 1.152 palestinos mortos na Cisjordânia nesse período.


A Cisjordânia e a Faixa de Gaza testemunharam múltiplos incidentes violentos na terça-feira [Getty]
A Cisjordânia e a Faixa de Gaza testemunharam múltiplos incidentes violentos na terça-feira [Getty]

Mohammad Ali al-Jabari, de 16 anos, morreu por volta das 6h da manhã, horário local, ao ser atingido por um veículo em alta velocidade enquanto tentava atravessar a Rodovia 60, nas proximidades da entrada de Beit Einun, segundo a agência palestina Wafa. Um familiar relatou ao The New Arab que o jovem aguardava à beira da estrada uma oportunidade segura para cruzar, com o objetivo de contornar um acesso bloqueado por forças israelenses desde o início do genocídio em Gaza, em outubro de 2023. O adolescente utilizava uma bicicleta elétrica e tentava chegar à escola quando foi atingido.


Relatos iniciais apontaram que o veículo estaria vinculado ao ministro de Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, conhecido por sua atuação de extrema-direita, mas seu gabinete negou envolvimento direto. Posteriormente, uma fonte de segurança citada pelo jornal israelense Haaretz afirmou que o carro fazia parte de uma unidade de proteção deslocada para garantir a segurança da Ministra dos Assentamentos, Orit Strook, enquanto se dirigia a Jerusalém ocupada. Al-Jabari foi declarado morto no local. A polícia israelense informou que abriu investigação sobre o caso, sem detalhar responsabilidades ou circunstâncias concretas.


O corpo do adolescente foi recolhido por equipes médicas israelenses e posteriormente entregue ao Crescente Vermelho Palestino, sendo transferido para o Hospital Al-Ahli, em Hebron, conforme declarou o diretor da instituição ao The New Arab. O episódio se soma a uma sequência de ataques e mortes registrados no mesmo dia em diferentes regiões da Cisjordânia ocupada.


Também na terça-feira (21), dois palestinos - incluindo um adolescente de 14 anos - foram mortos após colonos e soldados israelenses abrirem fogo na localidade de al-Mughayyir, a nordeste de Ramallah, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino. O Ministério da Saúde palestino identificou as vítimas como Aws Hamdi al-Nasan, de 14 anos, e Jihad Marzouq Abu Naim, de 32 anos. Outras quatro pessoas ficaram feridas por disparos efetuados por colonos.


De acordo com Amin Abu Ulaya, chefe do conselho local de al-Mughayyir, em declaração à Reuters, colonos e soldados invadiram a vila e abriram fogo contra uma escola. “Primeiro atiraram contra os estudantes e depois contra as pessoas que chegaram ao local”, afirmou. O ataque integra uma escalada sistemática de violência que acompanha tanto o genocídio em Gaza quanto a articulação militar conjunta entre Israel e forças estadunidenses na região.


Além dos tiroteios, colonos israelenses, com apoio militar, realizaram ataques contra agricultores palestinos na região de Wadi Amar, também em al-Mughayyir. Segundo a mídia palestina, os trabalhadores foram alvo de tiros e gás lacrimogêneo enquanto cultivavam suas terras. Colonos tentaram expulsá-los e impedir o acesso às propriedades, além de promover saques e destruição de bens agrícolas.


A intensificação da violência inclui ainda demolições e expansão de assentamentos ilegais. Colonos demoliram a escola Al-Malih, no norte do Vale do Jordão, além de casas próximas, e instalaram bandeiras israelenses sobre estruturas desocupadas. Novas tendas de assentamento foram erguidas em terras pertencentes à vila de Jalud, ao sudeste de Nablus, ampliando o processo contínuo de expropriação territorial.


As operações militares israelenses também se expandiram em forma de prisões e incursões em massa. Em Belém, forças israelenses prenderam dois palestinos na cidade de Doha, incluindo Majid Ahmad Shrouf, professor da Universidade Palestine Ahliya, e Zaid Samara, após invasões domiciliares e revistas. Em Huwara, ao sul de Nablus, dezenas de casas foram invadidas e moradores submetidos a interrogatórios de campo. Em Hebron, o ex-prisioneiro Zaid Shaker al-Junaidi foi detido após tropas invadirem sua residência na região de Ras al-Joura.


Na Faixa de Gaza, ataques israelenses continuaram apesar do acordo de cessar-fogo anunciado em outubro do ano anterior. Pelo menos quatro palestinos foram mortos nas primeiras horas de terça-feira (21). Três morreram em um bombardeio aéreo no bairro de Amal, em Khan Younis, com os corpos levados ao Hospital Nasser. No norte do território, uma mulher de 30 anos foi morta quando a marinha israelense abriu fogo contra tendas de deslocados na região de Salatin, a oeste de Beit Lahia.


Segundo dados atualizados, ao menos 784 palestinos foram mortos e 2.214 ficaram feridos desde o início do cessar-fogo. Desde outubro de 2023, o genocídio conduzido por Israel já resultou em pelo menos 72.560 mortos e 172.317 feridos na Faixa de Gaza.

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