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"Apenas os venezuelanos podem decidir seu governo " Sheinbaum

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que somente o povo da Venezuela tem legitimidade para definir seus governantes e resolver disputas internas. Segundo ela, divergências políticas jamais podem justificar intervenções estrangeiras, sob pena de violação da soberania nacional e do direito internacional.


Durante pronunciamento nesta terça-feira (6), Claudia Sheinbaum reiterou que a autodeterminação dos povos é um princípio inegociável da política externa mexicana e deve prevalecer em qualquer análise sobre a situação venezuelana.


Ao comentar o cenário político da Venezuela, a presidente afirmou que conflitos e desacordos internos precisam ser enfrentados por meios pacíficos, como o diálogo político ou a atuação de instâncias multilaterais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), e nunca pelo uso da força.


Claudia Sheinbaum I ARQUIVO
Claudia Sheinbaum I ARQUIVO

Sheinbaum destacou que a não intervenção e a solução pacífica de controvérsias são pilares históricos da diplomacia do México e fazem parte do orgulho nacional. Segundo ela, esses princípios estão expressamente previstos na Constituição mexicana, que obriga o chefe de Estado a defendê-los nas relações internacionais.


A presidente ressaltou ainda que a Carta Magna proíbe a ameaça ou o uso da força e estabelece a igualdade jurídica entre os Estados. “No cenário internacional, todos somos iguais”, afirmou, acrescentando que tamanho territorial, população, poder econômico ou capacidade militar não conferem superioridade política a nenhuma nação.

Em sua fala, Sheinbaum diferenciou críticas políticas ou ideológicas legítimas de ações coercitivas. Para ela, uma coisa é discordar de um governo; outra, inaceitável, é um país usar a força para impor decisões ou “tomar um presidente”, o que classificou como violação direta da soberania popular.


A chefe do Executivo mexicano enfatizou que essa posição não está ligada a afinidades ideológicas com governos estrangeiros, mas a uma convicção de Estado que, segundo ela, deve ser compartilhada por toda a sociedade mexicana.


Sheinbaum também recordou que a política externa do México é historicamente orientada pela Doutrina Estrada, conhecida por sua defesa da soberania e da não intervenção, tradição que, segundo ela, permanece vigente apesar de ter sido enfraquecida em determinados períodos.


Por fim, a presidente rejeitou comparações entre o projeto político mexicano e modelos estrangeiros, afirmando que o caminho do México foi construído a partir de sua própria história e de lutas internas por democracia, liberdades e direitos sociais. Ela reiterou que, mesmo diante de divergências com outros governos, o México jamais apoiará intervenções externas, por considerar que isso viola o direito internacional e a soberania dos povos.

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