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Autoridade Palestina inicia investigação após morte de prisioneiro palestino no Egito

A Autoridade Palestina confirmou a formação de uma comissão oficial para investigar as circunstâncias da morte de Riyad al-Amour, palestino de 56 anos que passou mais de duas décadas em prisões israelenses. O anúncio foi feito na sexta-feira, 4 de abril de 2026, pelo presidente Mahmoud Abbas, em meio à crescente pressão pública após a divulgação de detalhes sobre o estado de saúde do ex-detento e as condições de sua libertação.


Riyad al-Amour foi preso em 2002 e permaneceu pelo menos 23 anos sob custódia israelense, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos. Ele foi libertado recentemente como parte de um acordo de troca de prisioneiros entre o Hamas e Israel, sendo posteriormente deportado para o Egito. Seis meses após sua libertação, morreu após sofrer complicações de saúde associadas a problemas cardíacos e perda auditiva, conforme relatos divulgados pela mídia árabe.


A comissão criada pela Autoridade Palestina inclui Samir al-Rifai, membro do Comitê Central do Fatah; Raed Abu al-Homs, chefe da Comissão de Assuntos de Detentos e Ex-Detentos; Mohammed Abu Jameh, subsecretário do Ministério das Relações Exteriores para Assuntos Públicos e Embaixadas; Raed al-Louzi, representante do departamento de regiões no exterior; além de um representante do Ministério da Saúde. Paralelamente, o médico Fadi Kassab, consultor da embaixada palestina no Cairo, foi suspenso até a conclusão das investigações.


Relatos indicam que al-Amour passou por diversas cirurgias nos dias que antecederam sua morte, após agravamento de seu estado clínico. O Clube dos Prisioneiros Palestinos afirmou que ele foi submetido a anos de abusos sistemáticos durante sua detenção, incluindo negligência médica contínua, o que teria contribuído diretamente para a deterioração de sua saúde.



Na sexta-feira, centenas de pessoas compareceram à residência da família de al-Amour, em Belém, para prestar condolências. Durante o encontro, os presentes receberam uma ligação de um oficial da inteligência israelense que ameaçou intervir caso bandeiras palestinas fossem exibidas. Segundo testemunhos, o agente advertiu que forças poderiam invadir o local e prender os participantes se as instruções não fossem seguidas.


Habes al-Amour, irmão do falecido, declarou ao The New Arab que reconheceu a voz do oficial responsável pela ligação. Ele afirmou: "Foi a mesma pessoa que me disse, quarenta dias antes de meu irmão ser libertado da prisão, que ele estava muito doente e não viveria muito mais tempo." Em resposta às ameaças, Habes afirmou ter questionado o agente: "Vocês o deportaram para o Egito e nos impediram – seus irmãos e filhos – de viajar para vê-lo, e agora estão nos impedindo de lamentar sua morte. Existe injustiça maior do que esta?"


A família relatou que os filhos de Riyad al-Amour — Mohammed, Montaser, Aya, Lina e Malak — foram impedidos de viajar ao Egito para visitá-lo durante seus últimos dias. Mohammed tinha apenas dois anos quando o pai foi preso em 2002, evidenciando o impacto prolongado da detenção sobre o núcleo familiar.


Segundo Habes, dias antes de entrar em coma em um hospital particular no Egito, Riyad revelou que havia recebido quatro comprimidos desconhecidos diariamente durante três meses dentro das prisões israelenses. Ele afirmou que um médico solicitou que a família entrasse em contato com autoridades palestinas para pressionar Israel a revelar a composição dos medicamentos administrados. “Um dos médicos me pediu para entrar em contato com a liderança palestina em Ramallah para que eles, por sua vez, pudessem contatar o governo israelense e saber o que havia nesses comprimidos”, relatou.


A família acusa Israel de ter conduzido uma estratégia de morte lenta por meio de negligência médica e administração inadequada de medicamentos. Habes afirmou acreditar que a decisão foi deliberada para impedir que seu irmão sobrevivesse por muito tempo após a libertação.


Os familiares aguardam autorização para atravessar a fronteira de Karameh no domingo seguinte ao anúncio da morte, com o objetivo de participar do enterro no Egito. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a concessão dessa permissão.


Testemunhos divulgados no último ano por prisioneiros palestinos relataram práticas sistemáticas de tortura, abuso e violência sexual em centros de detenção israelenses. Imagens anteriormente divulgadas também mostraram soldados israelenses envolvidos em abusos coletivos contra detentos na prisão de Sde Teiman, ampliando as denúncias sobre as condições estruturais do sistema carcerário israelense.

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