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Ataques israelenses e ofensiva estadunidense contra Irã intensificam deslocamento de 200 mil para a Síria e travam ajuda global

Mais de 200 mil pessoas cruzaram do Líbano para a Síria entre 2 e 27 de março de 2026, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A escalada ocorre após mais de um mês de ataques aéreos israelenses e estadunidenses contra o Irã, que ampliaram a instabilidade regional. Desse total, cerca de 180 mil são sírios que haviam buscado refúgio no Líbano e agora fogem novamente. Outros 28 mil libaneses também atravessaram a fronteira, pressionados por bombardeios intensos. Ao mesmo tempo, 70 mil toneladas de alimentos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) estão bloqueadas ou atrasadas por disrupções logísticas no Oriente Médio.


© UNOCHAAli Haj Suleiman Pessoas atravessam a fronteira para a Síria em Jdidet Yabus após a escalada das hostilidades no Líbano.
© UNOCHAAli Haj Suleiman Pessoas atravessam a fronteira para a Síria em Jdidet Yabus após a escalada das hostilidades no Líbano.

Falando de Damasco em 31 de março de 2026, a representante do ACNUR na Síria, Asseer Al-Madaien, descreveu o fluxo como um “aumento acentuado” de deslocamentos forçados. “A grande maioria, quase 180 mil pessoas, são sírios, incluindo refugiados sírios que fugiram da Síria em busca de segurança no Líbano e agora são forçados a fugir novamente”, declarou à imprensa em Genebra. Segundo ela, a agência projeta a chegada de até 350 mil pessoas, dependendo da evolução das hostilidades.


A travessia ocorre principalmente pelo posto fronteiriço de Jdidet Yabus, onde civis chegam em condições críticas. “A maioria são pessoas que fogem dos intensos bombardeios israelenses”, afirmou Al-Madaien. “Elas chegam exaustas, traumatizadas e com muito, muito poucos pertences.” O relato confirma o impacto direto das operações militares israelenses sobre áreas civis, ampliando um ciclo de deslocamento repetido que atinge populações já fragilizadas por anos de instabilidade.


O agravamento humanitário está diretamente ligado à ampliação do teatro de operações militares após os ataques israelenses e estadunidenses contra o Irã, iniciados semanas antes e que desencadearam uma escalada regional. As cadeias de suprimento globais, já pressionadas, passaram a sofrer interrupções significativas, afetando operações humanitárias em múltiplos continentes.


De Roma, a diretora da cadeia de suprimentos do PMA, Corinne Fleischer, informou que 70 mil toneladas métricas de alimentos da agência foram impactadas pela crise. “Cerca de metade delas está em navios graneleiros fretados e a outra metade em contêineres que estão a caminho ou retidos em algum porto, sem se movimentar”, disse. Segundo ela, embora o PMA não tenha embarcações no Estreito de Ormuz, os efeitos indiretos da crise são generalizados. “Estamos vendo o efeito cascata do que está acontecendo lá... embarcações presas nos portos, sem atracar, sem sair dos portos, contêineres sem serem descarregados.”


A paralisação logística remete a precedentes recentes. Fleischer destacou que interrupções semelhantes durante a pandemia de COVID-19 levaram entre quatro e cinco meses para normalização após a estabilização. No cenário atual, o impacto é agravado por decisões comerciais de grandes transportadoras, que passaram a evitar rotas estratégicas como o Canal de Suez.


O desvio para rotas mais longas, como o Cabo da Boa Esperança, acrescenta até 30 dias ao tempo de transporte marítimo e elevou os custos de frete entre 15% e 25%. O aumento do preço dos combustíveis intensifica ainda mais a pressão sobre operações humanitárias, já fragilizadas por financiamento insuficiente.


Para mitigar os efeitos, o PMA tem buscado priorização no transporte de cargas humanitárias. “Solicitamos prioridade no transporte de cargas para operações humanitárias”, explicou Fleischer, ressaltando que a agência mantém interlocução direta com companhias marítimas e proprietários de embarcações. Segundo ela, negociações permitiram evitar sobretaxas adicionais entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner em portos considerados de risco, gerando economia estimada de US$ 1,5 milhão.


Mesmo assim, a reconfiguração das rotas tem imposto atrasos significativos em operações críticas. Um exemplo citado pela dirigente envolve o envio de ajuda alimentar ao Afeganistão, onde 17 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar. Inicialmente afetadas por tensões entre Paquistão e Afeganistão, as remessas foram redirecionadas pelo Irã.


“Enquanto estávamos mudando a rota para chegar ao porto de Bandar Abbas, no Irã, a guerra começou”, afirmou Fleischer. “Tivemos que colocar a carga no porto de Jebel Ali, em Dubai, e agora vamos transportá-la de caminhão de Dubai até a Arábia Saudita.” A alternativa eleva os custos em cerca de 1.000 euros por tonelada e adiciona três semanas ao prazo de entrega.


O impacto se estende a outras crises humanitárias. O PMA alertou para a situação no Sudão, onde 19 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, além da Somália e do Sudão do Sul, onde atrasos logísticos e aumento de custos comprometem operações já limitadas.


“O financiamento das operações humanitárias, há vários anos, não está no nível adequado”, declarou Fleischer. “Esgotamos todas as nossas reservas. Estamos vivendo no limite, com recursos limitados, nessas operações.” Ela enfatizou a urgência da situação no Sudão: “não há tempo a perder”.


Segundo a dirigente, a estrutura logística do PMA não suporta desvios prolongados. “Nossas operações e oleodutos não permitem um desvio de rota de três semanas a mais pelo Chifre da África.”

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